Cheguei aos 60 anos e um pouco do que tenho aprendido até aqui

Oi Gente

Hoje é o dia do meu aniversário, sim 60 anos. Cheguei aos 60 anos e um pouco do que tenho aprendido até aqui.

Via Pinterest

Fiquei pensando se deveria ou não escrever por aqui sobre o que venho pensando a respeito dessa nova idade, que diga-se de passagem, só tenho a agradecer por estar por aqui, com saúde, bem viva e ainda com muitos desejos.

É interessante essa história de fazer mais um ano e lá vamos nós, na medida do possível, comemorar essa data. Mas, confesso, que esse ano fiquei refletindo muito sobre essa chegada ao 60. Nasci em 22 de novembro de 1961.

Nesses últimos dias, ouvi de duas pessoas algo até engraçado:

Meu cabeleireiro: É Mari ao sessenta, a gente pega e senta. kkk Fiquei pensando no que ele disse e acabei rindo, pois realmente aos 60 já não ficamos muito tempo em pé, como em uma fila, um show ou qualquer coisa assim sem se incomodar.

Meu irmão caçula: Irmão gosta de tirar com a gente não é mesmo? E ele me disse uns dias antes do meu aniversário: – Vamos ter mais uma idosa na familia kkk e começou a brincar sobre os benefícios do idoso e se despediu aproveite então esses dias restantes dos 50.

Mas, tirando as brincadeiras de lado, realmente chegar aos 60 é motivo sim de pensar e agradecer, quando sabemos que muitas pessoas nesse mundão e pessoas que amamos não tiveram essa mesma oportunidade e privilégio, a começar pelo meu pai que faleceu aos 56, um garotão que nos deixou tão cedo.

O que aprendi e tenho pensado a respeito sobre esses 60 anos de vida

Primeiramente, penso que somos de uma geração privilegiada, pois nascemos nos anos 60, anos com tantas mudanças sociais, anos de mudança de discursos, anos da luta cada vez maior da liberação feminina.

Somos a geração que tivemos que nos adaptar a tantas mudanças, a cada novo momento, as transformações rápidas que aconteceram durante esse período.

Somos da geração onde havia um pouco mais de organização: Sabíamos se caso terminasse algum curso superior, haveria a chance de um crescimento profissional e garantia de algum lugar no mercado de trabalho.

Entre tantas mudanças, passamos pelas fases da máquina de escrever, do fax, do telex, do mimiógrafo, do telefone a cabo, do orelhão com fichas telefônicas, dos interurbanos caríssimos que tínhamos que falar rapido, dos carros sem air bag, sem cinto de segurança, da tv em preto e branco. Passamos por adaptações necessárias, muitas delas que nossos filhos hoje nem imaginam.

Somos da geração que tomava chuva sem ficar doente, que brincava na rua, que ia na casa dos vizinhos, que convivia com os primos(as), na casa das avós e tios e nos sentíamos como uma extensão de nossas casas.

Somos da geração que era chic estudar em escola pública, pois era ali que se aprendia bem e as vezes até melhor sem pagar nada e não dar despesas para os pais. Uma geração que a gente respeitava o professor e que os pais nos repreendia caso houvesse alguma reclamação deles sobre nós.

Sabíamos esperar para curtir o baile da aleluia, após uma quaresma e se preparar para brincar o carnaval nos clubes da cidade, bem como passar para comer aquele lanche gostoso na madrugada.

Andávamos de carro, moto sem capacete, sem cinto de segurança e com os carros simples de cada época. Época em que pegar uma carona nas estradas era natural, sem medo de ser raptada ou passar por situações indesejadas. Época em que se precisasse de algum socorro nas estradas, sempre aparecia uma boa alma para nos ajudar.

Comecei a trabalhar aos 14 anos e como me sentia bem por isso, não havia nada de exploração do trabalho na adolescência. Que delícia pegar o meu salário, que era pequeno, mas poder decidir o que fazer com ele. Estudar a noite era uma diversão, pois muitos de nós tínhamos essa condição e que delícia, quando se tinha o namorado que ia te buscar na escola.

Sabíamos bem lidar com os limites, de aceitar o que se podia e aproveitar quando algo de novo e tão esperado chegava: como as férias, um passeio em alguma excursão ou curtir uma praia no final do ano.

Somos da época em que fumar era chic e o nome da marca de cigarro era Charm kkk, sim era um charme fumar, sem a culpa de pensar que faria mal para saúde. Parece mentira que fumávamos em sala de aula e tenho vivo na lembrança o professor com um cigarro em uma mão e a outra escrevendo no quadro negro (que era verde) com o giz e a sala aquela fumaça toda. E os que não fumava, hoje penso que nos suportava e sem reclamar. Mil desculpas por isso. Que loucura e que saudades desse tempo.

Somos da época que tomar sol era tudo de bom no verão e quanto mais morena, sem protetor nenhum, apenas com bronzeador era tudo de bom. Que tínhamos a beleza natural sem necessidade de tantos procedimentos. Era como era e pronto.

Tínhamos sonhos e mais sonhos. Aos poucos a vida ia aumentando as nossas funções.

Veio o casamento e lá íamos nós com o nosso parceiro escolhido, Ademir Calegari, o qual chamo de Mi e quando estou brava com ele de Ademir (kkk) dois jovens sonhadores e querendo viver novas experiências para trilhar os caminhos juntos da vida, sempre acreditando e sem medo de encarar o que viria, apenas nos entregávamos ao que vida ia nos apresentando.

Aprendi que morar por um tempo no exterior é tudo de bom e uma experiência incrível, mesmo com três crianças pequenas e dois de fraldas ainda. Muitas saudades desse tempo na Escócia.

Aprendi que a chegada de cada filho, tenho 3 e do jeitinho que queira, 2 meninas e 1 menino. Quanto trabalho e função de uma mãe cheia de culpa por ter que deixá-los para ir trabalhar.

Aprendi que, talvez, essa seja o maior desafio como mulher, o de exercer a função materna, os desafios de criá-los e prepará-los para a vida adulta. Aprendi que o amor supera tudo, que não somos mãe perfeitas mas a que conseguimos ser e os filhos vão também aprender a lidar com os pais que se tem.

Aprendi que é uma delícia e um loucura ao mesmo tempo uma casa com três crianças, muitos desafios, preocupações, mas tanto divertimento que dá muitas saudades. Minha casa sempre cheia, de amigos dos filhos, parentes e nossos amigos nos finais de semana, principalmente. Como os filhos nos impulsionam para o nosso crescimento, amadurecimento e fortalecimento.

Aprendi que no mundo do trabalho, a necessidade de aprender sobre os computadores, as novas versões e ter que se adaptar ao avanço da tecnologia, não era apenas uma escolha, mas uma necessidade.

A geração de nossos pais ainda conseguiram escapar um pouco disso, porém a nossa, caso quisesse se manter ativa e participando do seu tempo, não tinha escolha é aprender e aprender ou ficar literalmente na dependência e fora dos acontecimentos dos novos tempos.

Depois pensar nas mudanças bancárias, adaptação aos cartões de crédito, as máquinas eletrônicas e ao famoso celular. Confesso que no início nem queria esse tal de celular e hoje como viver sem eles.

Aprendi e como isso foi libertador para mim, que não controlamos tudo, pelo contrário não controlamos nem nosso intestino. Quanto mais fui entendendo isso, mas leve foi ficando a vida.

Aprendi que cada ser humano tem sua história e devemos respeitá-la, que tem gente que gosta da gente e tem gente que detesta a gente e que nem sempre só podemos estar com aqueles que nos identificamos.

Aprendi que viver é uma arte e que temos que desenvolver a nossa criatividade perante a vida, que só não tem saída para a morte. Que problemas fazem parte da vida e que devemos encará-los, enfrentá-los e que por pior que seja em algum momento ele passa.

Trago vivo na lembrança os ditos do meu pai: – Não tenha pressa de resolver um problema, pois a fila é grande e vai atendendo um de cada vez. Como ele tinha razão.

Aprendi que temos qualidades e defeitos e que bom reconhecê-los, pois podemos trabalhar encima deles. Temos sim que olhar a nossa parte naquilo que reclamamos.

Aprendi que a maior tristeza na vida é ter que lidar com a elaboração do luto daqueles que fizeram parte de nossa história e que se foram: Avós, tios, tias, pais, primos(as), amigos(as) e todos que de certa forma passaram algum tempo com a gente e que deixou um pouquinho deles naquilo que somos hoje. Só tenho a agradecer por ter tido essa oportunidade de fazerem parte da minha vida. Tenho sim dificuldades de lidar com as saudades e ainda sofro com isso. Saudades…

Aprendi que nessa idade vamos ficando mais sensíveis, saudosos e cautelosos também.

Aprendi a agradecer meus pais pela cidade escolhida por eles para eu viver. Amo Londrina e agradeço por viver por aqui até hoje.

Aprendi que nessa idade gostaria de ter mais tempo para atender tudo aquilo que gostaria. São muitas funções ainda nessa idade: colaborar com pais mais idosos, colaborar com o marido, com os filhos, com o seu trabalho e, no meu caso, assumir mais uma função: a de ser avó.

Aprendi e tenho aprendido que ser avó é uma delícia, dá trabalho, eles nos cansam até porque já não somos tão ágeis assim, mas que tudo passa quando a gente escuta aquela vozinha dizendo vovó. Hoje só tenho um, mas receberei com maior amor aqueles que por acaso chegarem.

Aprendi que nem tudo é possível e que temos os nossos limites e que bom poder ouví-los e respeitá-los e o mais importante é estar em movimento sempre. A cada dia enfrentar as verdades e fazer o que se é possível. Como disse um amigo nosso querido um dia: – “Amar é fazer o que é preciso”.

Aprendi que dos sonhos de jovem, alguns se concretizaram e até foram acima do que queria e me sinto privilegiada por isso e outros que não foram possível, há como ressignificá-los e jamais ficar encontrando culpados por aquilo que é de responsabilidade minha.

Aprendi que a liberdade que tanto buscamos está dentro de nós e, apesar de viver em um mundo com tanta injustiça, hipocrisia e discursos, é possível tentar encontrar caminhos para se ter uma vida mais interessante. Cabe a cada um de nós se responsabilizar pelas nossas escolhas.

Aprendi que o tempo é o nosso maior amigo e também inimigo, que ele passa e, as vezes, passa rápido demais e que possamos estar atentos para poder se ouvir e curtir o que queremos a cada nova idade. As vezes, o que se quer hoje, já não adiantará lá na frente.

Aprendi que é natural que vamos perdendo algumas habilidades com o passar do tempo e a melhor forma de não brigar com isso é ir de adaptando e se respeitando. Afinal, temos que tentar fazer o nosso melhor para, quem sabe, podermos esticar os anos da nossa vida.

Aprendi que os acasos acontecem e que isso não está em nosso controle e que a cada dia basta o seu dia.

Aprendi que, apesar das dificuldades em viver e aceitar as diferenças, poder ter amigos e pessoas com a gente é o nosso bem maior. Adoro gente e sempre trabalhei em áreas com relacionamento humano. Somos seres sociais e afetivos e vale a pena sempre desenvolver essa habilidade das relações humanas.

Aprendi que nascemos aprendendo e que somos um eterno aprendiz durante o nosso tempo de vida por aqui e que possamos estar sempre abertos para o novo.

Aprendi que o passado faz parte da história e que precisamos conhecê-lo, reconhecê-lo, porém se adaptar no aqui e agora e é com esse momento que temos que lidar, se adaptar e pensar no lado bom da contemporaneidade. Sair dos discursos negativistas, ideológicos e destrutivos.

Aprendi a agradecer por tudo, por todos. Vivemos de trocas e para trocar precisamos de pessoas de todos os níveis, classes sociais nas mais diversas profissões. Acredito que ser humilde é ter a capacidade de dar e receber.

Queria poder hoje aos 60 anos, dar uma abraço apertado em todas as pessoas que cruzaram meu caminho e que estão no meu coração e agradecer muito pela convivência e inclusive você que está lendo esse texto agora e a todos que visitam aqui meu site que escrevo com carinho dividindo um pouco do jeito da Mari de ser e do que curto dividir com vocês.

Enfim gente, se eu continuar escrevendo por aqui daria um livro, pois nessa idade se tem muito a falar sobre as nossas aprendizagens. O que mais aprendi de verdade é que somos eternos aprendizes nessa vida e como aprendizes podemos errar, reconhecer falhas e sempre recomeçar e continuar abertos para aprender cada vez mais com os ensinamentos da vida.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço da mais nova sessentona.