Quem foi Alexandre Kojève?

Oi Gente

Aqui no blog gosto também de dividir assuntos que possam ser útil para aqueles, assim como eu, estuda as obras de Jacques Lacan. 

O objetivo do post é trazer um pouco sobre Alexandre Kojève, no qual Jacques Lacan, buscou entender o seu percurso através do estudo de seus seminários, onde seguia a linha do filósofo Alemão Hegel. Saiba um pouco por aqui…

Alexandre Kojéve, embora tenha nascido na Russia, foi mais francês, onde se dedicou a sua vida a filosofia. Ele viveu entre os anos de 1902 e 1968 e foi uma grande influenciador e estadista para as causas francesas.

Filho de família da alta aristocracia russa, Kojève quando jovem foi preso junto com seus país durante os acontecimentos de 1917, durante a Revolução Russa.  Após esse episódio, buscaram exílio na Alemanha, onde Kojève se dedicou aos estudos da filosofia clássica.

Entre seus parentes, era  sobrinho do famoso artista abstrato Wassily Kandinsky. Realizou sua formação na Universidade de Berlin e em Heidelberg, na Alemanha. 

Na período onde o Nazismo assumiu o poder na Alemanha, Kojève assumiu o lugar de Alexandre Koyré, na École Pratique des Hautes Études em Paris. Durante os anos de 1933 a 1939, tornou-se em Paris um dos mais importantes introdutores do pensamento de Hegel na França.

Foi amigo de Levi Strauss e, embora tinha suas diferenças na forma de pensar, não foi suficiente para separá-los como amigo. Ao longo de sua vida mantinha um diálogo filosófico com Levi Strauss.

Ele proferiu vários seminários na França, sobre a obra Fenomenologia do Espírito de Georg Wilhelm Friederich Hegel, filósofo alemão que viveu entre 27 de agosto de 1770 a 14 de novembro de 1831),  e uma importante figura do idealismo alemão.

Kojève foi um intérprete de Hegel e de sua maneira de ver, sentir e reagir de modo diferente na sociedade. A sua interpretação de Hegel foi uma das mais influentes no século passado.  Algumas de suas palestras sobre Hegel, foram publicadas em inglês com o título de Introdução à leitura de Hegel: Palestras sobre a Fenomenologia do Espírito, em 1947.

Um grupo importante de intelectuais assistiam a seus seminários, tais como Raymond Queneau, Maurice Merleau Ponty, André Breton, Raymond Aron, Henry Corbim, Éric Weil, Jacques Lacan, bem como Michel Foucaul e Jacques Derrida.

A interpretação de Alexandre Kojève sobre a dialética mestre-escravo, foi uma influencia importante ao conceito de Jacques Lacan sobre o estádio do espelho.

Sua vida e seu pensamento “confundem-se com os acontecimentos mais marcantes do século XX”. Tornou-se conselheiro da Presidência da França e um dos mais importantes e influentes articuladores do projeto de uma Europa unificada, que acontece até hoje, a união européia.

Não publicou muito em sua vida, porém muitos de seus textos tiveram edições após a sua morte. No seu livro “Introdução à leitura de Hegel” é uma recuperação dos seus cursos da década de 30 sobre a Fenomenologia do Espírito, obra considerada por Habermas como “o grande acontecimento da filosofia alemã”. 

Sobre o desejo 

Com as palavras de Kojève, assim falou sobre o desejo: “O desejo que se dirige a um outro desejo (…) vai criar (…) um Eu (humano) essencialmente diferente do “Eu” animal (…) E já que o desejo se realiza como ação negadora do dado, o próprio Ser desse Eu será ação. Esse Eu não será, como o “Eu” animal, identidade ou igualdade consigo, mas negatividade negadora. Em outros termos, o próprio Ser desse Eu será devir, e a forma universal desse Ser não será espaço, mas tempo. Manter-se na existência significará pois para esse Eu: “não ser o que ele é (Ser estático e dado, Ser natural, (caráter inato) e ser (isto é, devir) o que ele não é”. Esse Eu será assim sua própria obra: ele será (no futuro) o que ele se tornou pela negação (no presente) do que ele foi (no passado), sendo essa negação efetuada em vista do que ele se tornará. Em seu próprio Ser, esse Eu é devir intencional, evolução desejada, progresso consciente e voluntário. É o ato de transcender o dado que lhe é dado e que ele próprio é. Esse Eu é um indivíduo (humano), livre (em relação ao real dado) e histórico (em relação a si próprio). Esse Eu, e apenas esse Eu, se revela a ele e aos outros como consciência-de-si”.  (Alexandre Kojève).

Enfim, estou lendo esse livro sobre a Introdução à Leitura de Hegel, que recupera os seus cursos da década de 1930 e está sendo muito interessante para quem estuda as obras de Lacan. Veja a referência do livro abaixo.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

Referência: 

KOJÈVE, A. – Introdução à Leitura de Hegel ; tradução Estela dos Santos Abreu – Rio de Janeiro :              Contraponto, 2014.