Uma reflexão sobre a misoginia

Oi gente

O post de hoje se refere a um convite para se refletir um pouco sobre essa palavra a qual, provavelmente, um grande número de pessoas nem conhecem o seu significado e que, infelizmente, se apresenta fortemente em nossa sociedade, aumentando o número de vítimas, principalmente nesses tempos de pandemia.

Infelizmente, ainda hoje, no mundo chamado de pós-moderno, observamos algo tão retrógrado quando se trata da questão sobre a violência contra a mulher.

Notícias e mais notícias sobre violência contra as mulheres estampam as manchetes de jornais e diferentes veículos de comunicação, nos deixando indignadas com tanta crueldade.

O número de mulheres que perdem suas vidas e/ou ficam marcadas pelos traumas por ter vivido ou estarem vivendo situações de abuso, medo e violência, é significativo.

Na história, a maioria das referencias a respeito das mulheres, foram comentadas por homens e escrita por homem. Por ai já começa algo para que possamos pensar. Quantos livros, escritos por mulheres, eram publicados com nomes fictícios masculinos para que pudessem ser aceitos para publicação.

O preconceito contra as mulheres não é novidade para ninguém e ele vem de longa data. Para se ter uma ideia, durante a inquisição, o silencio sobre o feminino, favoreceu as mulheres lésbicas, pois a Igreja não considerava a possibilidade de relação sexual entre as mulheres, sendo assim de um preconceito, acabaram se salvando da inquisição. O que não acontecia com os homossexuais homens.

Na reportagem do dia 18/11/2020 do site: https://catracalivre.com.br/cidadania/brasil-registra-um-caso-de-feminicidio-a-cada-7-horas/ o título nos chama a atenção, pois a cada 7 horas acontecia um caso de feminicídio no Brasil, sendo o estados do Acre e Alagoas o que apresentava taxa maiores.

Basta você fazer uma rápida pesquisa no google que encontrará reportagens e mais reportagens com tristes histórias onde mais uma vida foi ceifada e geralmente ocasionada pelo marido.O Brasil é o 5º entre os países com as maiores taxas de violência doméstica contra mulheres. São cerca de 900 mil processos desse tipo tramitando na justiça brasileira e 23% deles são pedidos de medidas protetivas de urgência .https://catracalivre.com.br/cidadania/mulher-e-morta-pelo-marido-em-casa-tres-meses-apos-o-casamento/

Combate ao feminicídio encara obstáculos no Paraná

Origem da palavra Misoginia

A palavra misoginia vem do grego “miséo” que significa ódio mais “gyné” que significa mulher. O ódio contra a mulher.

Segundo o sociólogo Allan G. Johnson, que desenvolveu pesquisa sobre estudos de gênero, comenta que: “A Misoginia é um aspecto central do preconceito sexista e ideológico, e, como tal, é uma base importante para a opressão de mulheres em sociedades dominadas pelo homem. A misoginia é manifestada em várias formas diferentes, de piadas, pornografias e violência ao auto-desprezo que as mulheres são ensinadas a sentir pelo seus corpo” e ainda, “a misoginia é uma atitude cultural de ódio às mulheres porque elas são femininas”.

São tantas histórias “macabras” que lemos ou assistimos em filmes que denunciam os horrores praticados contra as mulheres, sobre a depreciação da mulher e sua inferioridade, quando comparada ao homem, onde nos leva a pensar sobre o discurso social de cada época.

Na tese de mestrado de Vanessa Vasconcelos sobre os (des) caminhos da mulher: a questão da feminilidade e seu desdobramento até Freud, ao fazer uma volta a história ela cita: “Vimos primeiramente que, até por volta do século XVII, existiam raros
questionamentos que induziram teorizações a respeito da situação da mulher; o que vimos
foi a existência de uma intensa afirmação masculina no meio social, religioso, político e
filosófico que apenas revalidava o papel secundário e inexpressivo no qual a mulher estava
confinada. A partir do século XVIII, com o início do iluminismo e dos ideais libertários
que circulavam na época, houve uma necessidade de teorizar a respeito dessa diferença
visivelmente constatada nas hierarquias do sexo.” p. 16
https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ppgpsi/Publicacoes/Dissertacoes/Vanessa%20Vasconcelos.pdf

Me lembro de ter visitado um museu na Itália, já fiz um post sobre ele por aqui: Itália – Museu della tortura em Volterra na Toscana, onde tive a oportunidade de ver, por exemplo, o famoso cinto de castidade que era colocado nas mulheres, quando os maridos iam para as guerras.

Para se ter uma idéia, veja como era vista a menstruação das mulheres na idade média: “Na idade Média, um pensamento que cercava a menstruação era a de que seu sangue era completamente venenoso. Muitos homens repudiavam esse momento, acreditando que seu sangue teria um poder do mal tão forte capaz de apodrecer colheitas e vinhos, além de sua capacidade de supostamente deixar animais em estado de loucura”.

Um filme que vale a pena ser visto, você também poderá ter uma ideia de como era tratada uma mulher caso cometesse um adultério, ja postei por aqui. Dois filmes que valem a pena assistir, já deixei as dicas em outros posts: Dica de Filme: A letra escarlate e a Dica de Filme: A noiva do Diabo

Me lembro ainda, quando visitei a cidade das bruxas nos Estados Unidos, de saber o por quê de algumas mulheres serem consideradas bruxas. USA – Salem – Uma tarde na cidade das bruxas

Provavelmente, se pudéssemos sentar e conversar a respeito dessas atrocidades contra a mulher, a maioria de vocês teriam histórias e mais histórias a serem contadas, até porque isso ainda ocorre diariamente em nosso país e por tantos outros nesse mundo.

Dia de Combate ao Feminicídio reforça luta contra mortes cruéis de mulheres  - Cidadeverde.com

Escrevendo aqui me lembrei de uma história, onde eu estava presente, há uns 25 anos atrás (estou ficando velha kkk) e vou dividir com você. Veja a história:

Estava voltando de Curitiba para Londrina, em um ônibus leito. Em torno das 3 horas da manhã, um horário que geralmente todo mundo está dormindo, todos acordaram com uma mulher gritando que tinha um tarado no ônibus. Imagina a situação. O que aconteceu?

Essa mulher estava sentada na última poltrona do ônibus com dois filhos pequenos, um de 5 e outro de 2 anos, quando de repente esse homem a assediou e como ela nos contou ficou pensando se deveria ou não falar e então, primeiramente, ela ficou quieta.

Passado alguns minutos, segundo ela que achou desaforo ficar calada, resolveu se levantar e ir até o sem-vergonha que já havia sentado de volta em sua poltrona.

Em pé apontando para o homem, ela começou a gritar dentro do ônibus. Todos acordaram com aquela cena. Me lembro que acordei e pensei que alguém estava tendo um pesadelo. Mas, era realidade.

Logo em seguida, como estávamos próximo de uma parada do ônibus, todas as mulheres desceram e foram apoiá-la e saber o que realmente tinha acontecido.

Depois da história, nenhuma de nós voltou para dentro do ônibus enquanto o motorista não tirou aquele idiota de lá. Quanto aos homens que estavam dentro do ônibus, simplesmente não se manifestaram.

Finalizamos nossa viagem e ele ficou por lá para ir em outro ônibus. Essa mulher teve a coragem de denunciar e quantas outras passam por situações semelhantes e se calam?

Veja bem, quantas vezes esse homem, provavelmente, já não tinha feito isso em outros ônibus e foi pegar naquele momento a mulher que estava mais vulnerável, com duas crianças pequenas. Situações como essa devem ocorrer todos os dias e em diversos lugares, mas ainda se calam diante dessas atrocidades.

Mas o que mais me indigna é quando vejo mulheres, também presas ao discurso machista, ainda ficando contra as vítimas. O que é isso?

“Em 2020, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, foram registradas 105.821 denúncias de violência contra a mulher nas plataformas do Ligue 180 e do Disque 100.” https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/03/07/brasil-teve-105-mil-denuncias-de-violencia-contra-mulher-em-2020-pandemia-e-fator-diz-damares.ghtml Vale lembrar os casos denunciados e já pensou naqueles que não são denunciados, principalmente por medo do opressor.

Esse texto poderia se estender muito, mas essa pequena reflexão sobre essa triste realidade que muitas mulheres tem sofrido e passado durante essa pandemia, principalmente por estar mais próximo do agressor, nos leva a fazer uma reflexão de que nós mulheres possamos estar unidas em ajudar aquelas que se encontram vulneráveis, incentivando a denuncia ou até mesmo fazendo a denuncia contra o agressor.

Se nós mulheres nos unirmos em contribuir uma com as outras nessa causa, quem sabe poderemos ver uma mudança nesse cenário. Até quando essas situações vão se repetir? E como a situação das crianças e adolescentes indefesos diante de tais cenários?

Aqui no Brasil, o número de cidades onde existem delegacias de atendimento à mulher é mínimo, representando apenas 7% de nossas cidades por todo o país, o que nos leva a pensar o quanto ainda é preciso evoluir nesse sentido.

Amar é fazer o que é preciso. O Brasil, segundo dados do IBGE, as mulheres representam 51,8% da população contra 48,2% de homens. Somos a maioria em números e até quando permitiremos essa situação covarde contra as mulheres?

É sim preciso não negar e fechar os olhos sobre essa situação. Estejamos atentas para colaborar com aquelas mulheres que se encontram em situação de risco, denunciando e colaborando para que essa realidade possa ser mudada.

Enfim, a misoginia que engloba várias definições: ódio a mulher, aversão, preconceito, discriminação é algo que veio sendo construído no discurso social na história e que, infelizmente, continua até hoje em discursos vindos de diferentes áreas, inclusive das diferentes “religiões” e é sobre isso que é preciso dar um basta, uma vez que nós mulheres temos um papel importantíssimo dentro da sociedade e que é preciso que respeitem o espaço de cada uma.

Se você conhece alguma história que queira contar por aqui, fique a vontade.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

Referências:

https://www.todamateria.com.br/misoginia/

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/mitos-e-metodos-peculiares-bizarra-saga-da-menstruacao-na-idade-media.phtml

https://piaui.folha.uol.com.br/no-brasil-so-7-das-cidades-tem-delegacias-de-atendimento-mulher/#:~:text=E%20esse%20n%C3%BAmero%20vem%20diminuindo,delegacias%20de%20atendimento%20%C3%A0%20mulher.

https://jus.com.br/artigos/64712/lei-13-642-18-misoginia-agora-e-atribuicao-investigativa-da-policia-federal#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20soci%C3%B3logo,mulheres%20porque%20elas%20s%C3%A3o%20femininas%22.&text=A%20misoginia%20%C3%A9%20manifestada%20em,a%20sentir%20pelos%20seus%20corpos.%22