Quem foi Orfeu e Eurídece na Mitologia Grega?

Oi Gente

Um dos assuntos que gosto de trazer aqui no blog e dividir com você é sobre a mitologia grega, pois acho muito interessante os mitos da antiguidade, que é uma forma de explicar, através de uma linguagem simbólica a criação do mundo, do universo ou qualquer assunto que não tenha uma explicação concreta. 

Hoje o mito é o de Orfeu e Eurídece. Saiba um pouco sobre ele por aqui…

 

Na Grécia Antiga, havia a crença da existência de vários deuses.,  sendo que o mais famoso deles era Zeus.  Esses deuses assumiam a forma humana, por isso eram deuses antropomórficos, ou seja, ao assumirem a forma humana podiam agir como humano, com todas as virtudes e defeitos.

Pelo fato de assumirem a forma humana, havia o casamento entre os deuses (imortais) e humanos (mortais). A partir dessas uniões, os filhos dos deuses imortais com humanos mortais são os que se chamavam de heróis e, também, considerados semideuses. E, com os inúmeros deuses e heróis, os gregos criavam os mitos, com relatos imaginativos e fantasiosos, como forma de explicar por exemplo, “a origem da vida, a vida após a morte, dentre outros assuntos”.

Após essa pequena introdução, segue o famoso mito de Orfeu e Eurídece.

Quem foi Orfeu?

Orfeu, filho da Musa Calíope (a mais velha das nove musas da mitologia grega, musa da poesia épica, da ciência e da eloquência) e de Eagro, rei da Trácia, uma região histórica do sudeste da Europa.

Orfeu ganhou sua Lira (um instrumento de corda muito usado na Grécia antiga) de Apolo. Foi poeta,  músico e cantor e, quando tocava sua lira, pássaros voavam a seu redor e as árvores se movimentavam a fim de pegar o som dos ventos. 

O jovem Orfeu,  conhecido como um dos argonautas (tipo de marinheiro que embarcou em uma Nau, construída pelo herói Argos), foi junto com  Jasão  até a Cólquida em busca do Velocino de Ouro. Durante a viagem de ida, acalmava os tripulantes com sua música e, na sua volta, afastava as sereias do mar, as grandes responsáveis por vários naufrágios.

Orfeu  e Eurídece

Orfeu se apaixona e se casa com a ninfa Eurídece (mulher, meio fada,  de uma beleza inigualável).  Os dois tinham o costume de passear nos bosques e, enquanto ele tocava a sua lira, Eurídece cantava e dançava.

A beleza de Eurídece  atraiu um apicultor de nome Aristeu o qual, fascinado por tanta beleza,  tenta seduzi-la. Quando ela recusou seus sentimentos, Aristeu começa a persegui-la, até que Eurídece ao correr tentando fugir tropeça, cai e é picada por uma serpente.

Com o veneno da mordida da serpente, a linda Eurídice perde a sua vida e vai  parar no mundo subterrâneo de Hades, onde os gregos acreditavam ser a moradia dos mortos.

Os desafios de Orfeu

Orfeu, transtornado de tristeza pela perda de sua amada, resolve ir até o mundo dos mortos em busca de Eurídice.

O caminho não era fácil e Orfeu passou vários dias caminhando pelas florestas, enfrentando lugares difíceis e sombrios e, com sua lira e canto triste que utilizava como forma de elaborar o sofrido luto, ele caminhava e não queria saber de comunicar-se com ninguém.

Nesse momento de tanta tristeza, o que Orfeu mais queria era chegar até a gruta que ficava ao pé de Tênaro, onde era a entrada do mundo subterrâneo dos mortos.  Mas, para achar a sua amada Eurídice e poder tirá-la de lá, Orfeu deveria pedir a permissão para Hades, o deus do munto dos mortos.

Primeiro desafio : Convencer o barqueiro Caronte

Com o som de sua lira, Orfeu começa a caminhada até o mundo subterrâneo dos mortos. Era preciso encontrar e convencer o barqueiro Caronte, aquele que conduzia os mortos pelo rio Estige, de levá-lo até Hades para poder achar e libertar a sua amada.

Caronte não quer levar Orfeu, pois em seu barco não levava vivos. Mas, quando Caronte ouve a música emocionante de Orfeu com sua lira, com tanta dor, resolve atender ao seu pedido. 

Segundo desafio: Passar por cérbero  para chegar até Hades

O segundo desafio de Orfeu, foi passar por Cérbero, o cachorro de três cabeças que guardava os portões do mundo subterrâneo.

Com o som de sua lira, Orfeu consegue adormecer Cérbero para conseguir chegar até Hades, o deus dos mortos.

Quando Hades viu um vivente se aproximar ficou com sua ira atacada, mas ao ouvir a agonia no som da Lira de Orfeu, até Hades se comove e, nesse momento, Hades derruba lágrimas de ferro. Perséfones, esposa de Hades, implora para que ele atenda ao pedido do sofrido Orfeu.

Assim Hades autoriza que Eurídece volte ao mundo dos vivos, porém com uma condição de que Orfeu não olhe para sua amada até o momento em encontrar a luz do sol. Orfeu resgata Eurídece, naquele escuro, e radiante de alegria segue pelos caminhos tenebrosos do mundo subterrâneo a procura de voltar a luz. 

A quebra da promessa de Orfeu

Ao chegar próximo da saída, já nos portões, eis que Orfeu desconfia de que Hades poderia estar aprontando uma com ele e, desobecendo a ordem, resolve olhar para trás para certificar-se se era mesmo a sua amada Eurídece.

Nesse momento, onde resolve dar apenas uma olhadinha para sua amada Eurídece, começa a perceber que ela vai desaparecendo aos poucos e, para seu desespero, a perde para sempre.

Diante do ocorrido, Orfeu em seu desespero e culpa, começa a vagar pelo mundo sem nunca mais olhar para outras mulheres.

Um grupo de mulheres, furiosas pelo não olhar de Orfeu, chamadas de Mênades, começaram a jogar  dardos em sua direção.Orfeu, porém,  com a sua música era protegido dessa violência.

As Mênades, mais irritadas, resolvem a gritar tão alto para que o som de sua lira fosse menor que a gritaria delas e, assim,  seus dardos, finalmente, atingiria Orfeu, que estaria desprotegido.

Orfeu, triste, fraco e indefeso foi morto com a Ira das Mênades. A maldade era tão grande que a sua cabeça foi separada do corpo e foi jogada no rio Hebro e, ali, ela flutuava cantando e chamando por Eurídece.

Os outros pedaços de seu corpo foram recolhidos pelas nove musas que o enterraram no monte Olímpo. A partir desse momento, pássaros e rouxinóis cantavam alegremente por entender que Orfeu e Eurídice, finalmente, estavam juntos para sempre.

O que podemos pensar sobre esse Mito? 

Esse Mito de Orfeu e Eurídece pode nos levar a pensar sobre várias situações em que nós seres humanos vivenciamos, tais como: as surpresas que a vida nos reserva e os imprevistos que ocorrem como foi a mordida da cobra em Eurídece, levando a uma morte prematura.

Pode-se pensar sobre o luto e a melancolia, quando da perda de um ente querido e a difícil elaboração desse luto, fazendo com que, na hora do desespero, a pessoa queira ir se juntar aquele que se foi.

Quando Orfeu com sua tristeza e desespero vai em busca de querer retornar a sua amada a vida e, apesar de todos os riscos que correu e enfrentou, percebeu que nada mais poderia fazer para trazer a sua amada de volta e que, apesar da dor, ele teria que continuar a viver.

Pode-se pensar sobre a questão da quebra de regras, desobediência e as consequências que poderão surgir devido a uma decisão mau tomada, mesmo com orientação de que não era para fazer isso ou aquilo que poderia dar problema.

A insistência quando algo não está dando certo, mas você acha que é melhor que os outros então avança. Na perda de sua amada ao sair do mundo subterrâneo, Orfeu percebeu que a sua desobediência, trouxe as duras consequências.

Quanto a maldade das Mênades, pode-se pensar que em nossa volta, infelizmente, existem pessoas más que, quando não conseguem o que querem de você e/ou quando você está mais fragilizado aproveitam para fazer qualquer coisa para te destruir.

Enfim, o mito de Orfeu e Eurídece pode nos deixar algo a  refletir sobre o amor verdadeiro de um casal, a dura realidade da elaboração de um luto e até onde pode levar a ira das pessoas mal amadas.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço. 

 

 

Referências:

http://www.filosofia.seed.pr.gov.br/arquivos/File/classicos_da_filosofia/mitos_gregos.pdf

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com/search?q=orfeu&x=0&y=0

CARVALHO, Leandro. “Mitologia grega”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/mitologia-grega.htm. Acesso em 07 de junho de 2019.