O herói Hércules e seus doze trabalhos

Oi Gente

O objetivo do post de hoje é falar um pouco sobre o herói Hércules, um importante personagem na Mitologia Grega, e sobre os seus famosos 12 trabalhos….

Algumas áreas do conhecimento se utilizam dos mitos, como formas de interpretação, que podem servir de reflexão para aquilo que vivemos atualmente. E os 12 trabalhos de Hércules, cada um deles, nos deixam algum ensinamento que pode servir de interpretação até os nossos dias…

Quem foi Hércules afinal?

Na verdade Hércules nasceu com o nome de Alcides e só depois de vencer todas as vitórias que recebeu o nome de Héracles, o  seu nome na mitologia grega que os romanos depois passaram a chamá-lo de Hércules. Assim nasce Hércules com a união entre um deus e um mortal, que sugere a união do céu e a terra.

Héracles significa  (Glória de Hera). É Hera que vai propor todas as provas para o Hércules. Hera, esposa de Zeus,  sabendo que Zeus teve um filho com sua amante mortal Alcmena e, como todos devem saber, Hera era muito ciumenta, declara uma guerra contra Hércules desde o seu nascimento. “Mandou duas serpentes matá-lo em seu berço, mas a precoce criança estrangulou-as com suas próprias mãos”. p. 147

VI – Mitologia Grega – A deusa Hera

IX – Mitologia Grega – Os outros filhos de Zeus com Hera

Alcmena era a virtuosa esposa de Anfitrião. Quando Anfitrião estava fora de casa, Zeus (que era o deus) assume a forma de seu marido e desse encontro nasce Hércules ( que será meio mortal e meio deus).

O rei  chamado Euristeu, de Tirinto e Micenas, foi designado pelo oráculo de Delfos a exigir que Hércules realizasse algumas funções perigosíssimas, que são os famosos 12 Trabalhos de Hércules, por matar os filhos de seu casamento. “Fontes sugerem que os trabalhos eram uma penitência imposta pelo Oráculo de Delfos quando, num acesso de loucura, ele matou todos os filhos de seu primeiro casamento.”

O número 12 desses trabalhos, pode sugerir os 12 meses dos anos, bem como os 12 signos do zodíaco, segundo algumas interpretações.

O que Hera não queria mesmo era que Hércules fosse um imortal como os outros deuses, por isso Hera manda duas serpentes para que matasse Hércules já no seu berço de nascimento.

Por que Hércules teve que realizar os 12 trabalhos?

Hércules, um grande herói, livrou a cidade de Tebas do tributo aos Mínios (era um povo com esse nome, devido seu rei ser chamado de Mínias), um rei chamado Creonte, como agradecimento, ofereceu sua bela filha mais velha chamada Mégara à Hercules. Mégara e Hércules tiveram vários filhos.

Hera, perseguidora de Hércules, fez com que ele ficasse louco e, em um momento de loucura e falta de lucidez, ele matou sua mulher Mégara e seus filhos.

No momento em que Hércules sai desse momento de loucura e vendo o que tinha feito, cheio de culpa, vai consultar o Oráculo de Delfos e pedir aos deuses que lhe fizesse algo para que pudesse se livrar daquela culpa e poder prosseguir com sua vida normal. A resposta do Oráculo foi que Hércules deveria servir, durante 12 anos, a seu primo e rei de Micenas e Tirinto, chamado Euristeu.

O rei Euristeu, um rei perverso,  era o protegido de Hera e, os dois em conjunto, decidem que vão eliminar Hércules. A forma encontrada por eles, foi impôr os doze trabalhos. A cada trabalho, onde a intenção dos dois não era atingida, o próximo procuravam algo mais difícil ainda e, assim, Hércules foi realizando suas tarefas para pagar por seu crime, o qual na verdade havia sido cometido pelos poderes de Hera.

Quais foram então “Os 12 trabalhos de Hércules”?

  1. A luta contra o leão de Neméia

O leão de Neméia era um animal que estava dominando uma vila e todos ali estavam subordinados a essa fera “A fera causava devastações no vale daquele nome e Euristeus ordenou a Hércules que lhe trouxesse a pele do monstro”. p. 147

Hércules lutou com o leão e com as suas próprias mãos e força dominou a fera e a sua pele começou então a servir como um capa de proteção contra qualquer arma.

O nome de um golpe chamado “Mata Leão”, possivelmente venha desse mito.

Pode-se pensar que por mais forte que seja alguém que tenta desvastar uma outra pessoa, com garra e inteligência você poderá vencê-lo, aproveitando-se dessa experiência e se munindo contra outras forças que tentam te derrubar. Talvez possamos pensar que essa capa de Hércules sirva como forma de pensarmos em como nos proteger contra essas ameaças, daqueles que se julgam superiores aos outros.

2. Destruir a Hidra de Lerna

A hidra de Lerna era um monstro com muitas cabeças e toda vez que Hércules cortava uma das cabeças, nascia duas  no lugar. “O monstro tinha nove cabeças, sendo a do meio imortal. Hércules esmagava essas cabeças com sua clava, mas, em lugar da cabeça destruída, nasciam duas outras de cada vez”.  E como resolver isso? Com a ajuda de seu fiel servo chamado Iolaus, Hércules queimou as cabeças e a nona cabeça, considerada imortal, ele enterrou embaixo de uma grande rocha.

Ao matar a Hidra de Lerna, eis que escorre dela um sangue escuro de cor preta que se espalhou pelos rios da região, matando todos os peixes. Hércules percebendo o veneno que estava nesse sangue, mergulhou suas flechas e em suas pontas, de agora em diante, estaria também coberta pelo veneno de Hidra, o que o ajudará nas próximas tarefas para eliminar seus inimigos.

Pode-se pensar com esse trabalho que por mais que uma tarefa seja difícil, as vezes temos que persistir nas mesmas, até achar o momento onde, mesmo com alguns erros nesse caminho, chegará o momento em que visualizará a possibilidade de sair de uma situação. Caso não consiga realizar isso sózinho, por que não dividir esse problema com um outro de sua confiança?Afinal duas cabeças pensam melhor juntas.

3. O Javali de Arimanto

O terceiro trabalho de Hércules era pegar o Javali de Arimanto. Arimanto era o nome de um monte, na Arcádia de onde o Javali descia para atacar as plantações e as pessoas desesperadas. Após muitos dias a procura do Javali e de perseguição, o semideus sentou-se e pensou: “Força e velocidade nem sempre eram a resposta; a esperteza se fazia necessária”.

Os picos da montanha estavam cobertos de neve, e Hércules resolve então conduzir o animal até lá nas alturas, tentando colocá-lo dentro de uma caverna para facilitar a sua captura. Mas, o Javali no alto da montanha com neve, com seu pesado corpo acabou afundando suas pernas e seu pesado corpo na neve, facilitando a captura por parte de Hércules.

Nesse trabalho de Hércules, pode-se pensar que nem sempre a correria de ir fazendo as coisas simplesmente por fazer é o melhor caminho. As vezes, se retirar e afastar um pouco do problema, você poderá refletir, pensar a respeito e enfrentá-lo com mais sabedoria.

4. Capturar a Corça de Cerinéia

O quarto trabalho de Hércules era capturar a Corça de Cerinéia e levá-la viva até o rei.  Uma corça que tinha os pés de bronze e os chifres de ouro e a sua velocidade era tão grande, comparada com a mais rápida lança de uma flecha.

Hércules demorou mais de um ano para poder alcançar a Corça. Correu pelas montanhas, vales, planícies, cruzando rios e os maiores obstáculos. Corria sem parar atras da Corça veloz, as vezes se machucando em pedras, enfrentando a neve gelada.  A corça o levava para lugares cada vez mais longe.  A corça não se cansava e Héracles não desistia, sempre a perseguindo sem perdê-la de vista.  

Quando a corsa parou de correr, em frente a um rio e ao procurar um lugar para atravessar, foi nesse momento que Hércules, rapidamente, pegou seu arco e flecha e apontou para suas patas, pois não podia matar o animal. A flecha atravessou as quatro patas de uma vez mobilizando então a Corsa, onde Hércules pode assim cumprir a sua quarta tarefa.

Pode-se pensar que a meta a ser atingida por Hércules  era a captura da Corça e a sua dedicação, persistência e foco na sua tarefa fez com que sua meta fosse alcançada. Muitas vezes, desistimos rapidamente dos objetivos que nos propomos inicialmente, logo na primeira dificuldade encontrada. Mas, assim como Hércules, enfrentando os obstáculos no caminho, sem perder o objetivo final, chegará o momento de atingir o alvo pretendido.

5- As Aves de Estínfulo

O quinto trabalho de Hércules erra derrotar as aves de Estínfulo, pois as mesmas invadiam as plantações e transformavam suas penas que eram de bronze em flechas, matando também as pessoas para que pudessem se alimentar de sua carne. Ninguém podia se aproximar do lago Estínfulo que elas atacavam e logo as devoravam.

Durante o dia se mantinham escondidas, e aí estava a dificuldade de Hércules para poder cumprir mais esse trabalho.  Foi então que pensou em fazer um instrumento, chamado címbalo, que fizesse um barulho tão alto, onde irritadas as aves saiam de seus esconderijos. Assim, com suas flechas e ponteiras, com o veneno da hidra, foi aos poucos matando uma a uma. E assim, conseguiu cumprir mais uma de suas tarefas.

Observa-se que a cada tarefa que lhe era exigida, cada uma delas se tornava mais difícil que a anterior. Mas a garra, a determinação e persistência de Hércules chegava naquele objetivo final.

Pode-se pensar que assim, as vezes, acontece com a nossa vida, após resolver um problema que achava difícil de sair dele, logo aparece um outro pior para resolve-los. Afinal, viver é resolver problemas. Mas, quando se é determinado a encará-los com garra, persistência e sabedoria, ao final um a um vão sendo concluídos.

6- Cavalariças de Áugias

Áugias era o nome de um rei, o rei da Élida, que possuía um rebanho de três mil bois. Acontece que os estábulos não eram limpos há mais de trinta anos e o cheiro exalado dessa sujeira, fazia-se sentir por toda a redondeza.

Hércules combinou com o Rei Áugias, na presença de seu filho, que limparia os estábulos. O rei desconfiado queria saber o que Hércules queria em troca, pois não acreditava em apenas uma caridade com o rei.

Augias, então,  resolveu fazer um acordo com o Hércules e o mesmo lhe prometeu 10% das suas cabeças de gado se caso conseguisse limpar toda a sujeira em apenas um dia. Esse acordo, foi realizado na presença de um dos filhos do rei, chamado Fileu, para que houvesse uma testemunha nesse acordo.

Como limpar uma sujeira de 30 anos em apenas um dia? Foi então que Hércules teve a ideia criativa de desviar os cursos dos rios Alfeu e Peneu, e a correnteza do rio pudesse limpar de uma vez só toda aquela sujeira acumulada.

O rei Augias, após a tarefa terminada, não cumpriu o acordo, “alegando que Hércules servia a Euristeu e não a ele”. Hércules chamou seu filho Fileu e o rapaz confirmou a versão de Hércules diante dos juízes. O rei, enfurecido, além de não pagar Hércules, acabou expulsando ele e o seu próprio filho de seu reino.

Mais tarde, após Hércules ter cumprido as doze tarefas, ele organizou um exército e veio até o reino de Augias e o matou, colocando em seu lugar seu filho Fileu.

Pode-se pensar que aquilo que é acordado, principalmente em relação ao trabalho, não se deve descumprir o prometido. Afinal, quem trabalha e faz um acordo entre as partes, merece ao final do cumprimento de seu trabalho receber pelo que foi combinado. Até hoje, ainda, observa-se muitas situações como essa de Hércules, levando as consequências até mesmo semelhantes. 

7- Touro de Creta

O rei de Creta se chamava Minos e era também filho de Zeus. Segundo a mitologia, o touro de Creta veio do mar Egeu, como presente de Poisedon, o deus dos mares. Já falei sobre ele por aqui no blog. 

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Minos, para conseguir conquistar o seu trono, pediu ajuda a Poisedon e esse lhe enviou o touro com o pedido de, após conseguir o que queria, que o touro fosse sacrificado. Mas, Minos achando o touro muito lindo, sacrificou outro inferior, pensando em enganar o deus poisedon. 

Como não se brinca com os deuses da Mitologia, Poisedon, sentindo-se enganado, fez com que o touro de creta ficasse muito violento, atacando toda a população e, ainda, fez com que a mulher do rei Minos tivesse relações sexuais com o touro, nascendo assim o famoso Minotauro. Já fiz um post sobre ele por aqui:Mitologia Grega – O Minotauro e o Mito de Teseu

Essa sétima tarefa de Hércules era capturar o furioso touro e levar vivo a Euristeu. Hércules então com sua garra e força conseguiu capturar o touro de creta e o “transportou a nado da Ilha de Creta até o Peloponeso” e assim, cumpriu-se a sétima tarefa.

Quando entregou a Euristeus, o mesmo querendo agradar a deusa Hera, ofereceu o sacrifício do touro a ela como presente. Mas, nada que viesse das mãos de Hércules a deusa Hera queria. Assim o touro de creta foi solto pelas planícies e, “depois de causar estragos no Peloponeso, fugiu para Ática e foi posteriormente dominado pelo herói ateniense Teseu.

Há muitas interpretações sobre esse trabalho de Hércules. Há quem diga que o touro representa o touro do signo do zodíaco, outros ainda considera esse mito como sendo para refletir sobre os instintos do homens que fazem deles, algumas vezes, uns verdadeiros animais, feras, principalmente quando são contrariados. Vale lembrar que você, também, pode tirar da mitologia as suas próprias interpretações.

8. Cavalos de Diomedes

 O oitavo trabalho de Hércules era trazer para Euristeus os  4 cavalos (em alguns textos aparecem como 4 éguas) muito ferozes e carnívoros que amedrontavam todo estrangeiro que aparecia na região da Trácia, ao norte da península Balcânica. Era ali que estava Diomedes, rei dos bistônios e um dos filhos de Ares, o deus da Guerra. Diomedes costumava alimentar seus cavalos com carne humana.

Hércules chegando ao palácio de Diomedes, de surpresa, dominou todos os serviçais e matou os guardas, para que pudesse capturar finalmente Diomedes e se apoderar dos cavalos ferozes.

Quando estava com os cavalos em seu poder, percebeu que os mesmos estavam muito famintos e Hércules,  apesar de ser bruto, tinha lá também um “bom coração”, não pensou duas vezes. O que faria então para alimentar os cavalos ferozes? Pegou o próprio rei Diomedes e o serviu como refeição aos cavalos famintos.

Chegando em Micenas, entregou a Euristeus o resultado de seu oitavo trabalho e este, apavorado, surpreso e com medo, ordenou que rapidamente soltassem aqueles monstruosos cavalos. Passado algum tempo, os cavalos ao passarem perto do Monte Olimpo, foram devorados pelos lobos selvagens.

Pode-se pensar aqui, que não se deve fazer aos outros aquilo que não se quer para você mesmo. Pois, em algum momento, aquela experiência que estava sendo vivida pelo outro, poderá voltar-se contra você. O rei Diomedes teve o mesmo fim que dera a tantos outros mortais.

E, assim, Hércules cumpriu mais uma vez a tarefa de Euristeus. Mas, ainda não era suficiente, e a cada tarefa ele tentava dificultar mais ainda a vida do herói Hércules.

9- O cinto de Hipólita

O nono trabalho foi um pouco mais leve. Euristeus, a pedido de sua filha Admeta, ordenou a Hércules que fosse buscar o cinto da rainha das Amazonas, pois sua filha deseja o mesmo imensamente.

“As Amazonas constituíam uma nação de mulheres muito belicosas, que possuíam diversas cidades florescentes. Tinham o costume de criar apenas as crianças do sexo feminino; os meninos eram mandados para os países vizinhos, ou mortos”. p. 148

Hércules reuniu um grupo de voluntários e, após passar por várias aventuras, chegou até a rainha Hipólita. Nesse encontro, Hipólita atraída por Hércules, o recebeu como uma verdadeira anfitriã e concordou em lhe entregar o famoso cinto.

Hera tomando a forma de uma das Amazonas, convenceu as demais de que esses estrangeiros queriam na realidade raptar a sua rainha e que Hércules estava levando a mesma junto ao seu navio. 

As Amazonas se armaram e atacaram o navio de Hércules e esse percebendo que Hipólita o havia traído, mata a rainha e retorna com o cinto, cumprindo assim a sua nona tarefa.

Pode-se pensar aqui que, muitas vezes, um recado mal dado, bem como uma maldade passada em uma informação, poderá levar a consequências inimagináveis. Nem sempre aquilo que se ouve, principalmente, quando não se tem conhecimento da veracidade dos fatos, como nesse caso a mentira contada por Hera, pode gerar algumas tragédias e destruição nunca imaginada. 

10- Bois de Gerião

Eristeus solicita a Hércules que lhe traga os bois de gerião, “monstro de três corpos que vivia na ilha de Eritéia (a vermelha), assim chamada porque ficava situada a oeste, sob os raios do sol poente. Acredita-se que se tratava da Espanha”. p. 148

Hércules, “após atravessar vários países, chegou afinal a fronteira da Líbia e Europa, onde ergueu as duas montanhas de Calpe e Ábila, como lembrança de sua passagem, ou, de acordo com outra versão, abriu uma montanha pelo meio, formando entre elas o Estreito de Gibraltar. As duas montanhas foram denominadas Colunas de Hércules.”p. 148

O nome do rei do país era Gerião, um gigante que tinha também 6 mãos. Para poder se livrar de Gerião que tinha também um cão de guarda, com duas cabeças, chamado Ortro. “Os animais eram guardados por um pastor, Eurítion, e pelo cão Ortro, filho de Equidna e Tífon, ambos monstros perigosíssimos. Assim como Cérbero, seu irmão, Ortro, tinha várias cabeças e, segundo algumas versões, corpo de serpente”.

Hércules após usar de várias estratégias e superar vários desafios até chegar próximo de Gerião, primeiramente, enfrentou o cão Ortro e Eurítion, matando-os sem muitas dificuldades e, logo após,  pegou sua flecha com o veneno do sangue venenoso de hidra de lerna e a lançou com tanta força que, em um único lançamento, conseguiu atravessar as três cabeças do gigante, matando-o.

Para retornar a Micenas com o rebanho, o percurso foi difícil e demorado, e Hércules teve ainda que enfrentar vários ladrões que tentaram roubá-lo.

Assim, conseguiu levar os bois do gigante Gerião até Euristeus. Dessa vez, Euristeus sacrificou os bois para agradar Hera que dessa vez, diferente, do touro de Creta, ela os aceitou.

Embora a cada tarefa de Hércules os seus desafios eram aumentados, o que se pode pensar a respeito desse mito é que mesmo quando você tem um problema,  que possa parecer como um gigante a sua frente, semelhante ao gigante Gerião, a sua persistência, determinação e foco, apesar de todos os obstáculos encontrados no seu caminho, que geralmente não são poucos, é possível sim chegar onde se pretende. Talvez, não no tempo desejado por você, nem em um único caminho, as vezes, pode-se ter a necessidade de percorrer alguns caminhos mais tortuosos e, no tempo possível para que possa ir aprendendo,com erros e acertos. Nem sempre a pressa ou buscar um atalho lhe garante chegar aonde se pretende, mas ainda assim o importante é caminhar e estar em movimento.

11. Pomos das Hespérides

O décimo-primeiro trabalho de Hércules solicitado por Euristeus era colher os pomos (maçãs) de ouro das Hespérides. Mas o que é Hespérides? 

As Hespérides “‘ninfas do Poente’, desciam diretamente de Nix e personificam o final da tarde, transição entre o dia e a noite. Viviam em um longínquo e inacessível jardim, o “jardim dos deuses”, guardado por um dragão (uma serpente gigante) e situado às margens do rio Oceano, no extremo Ocidente”.

Hera, recebeu de presente em seu casamento os pomos de ouro das deusas da terra. Essas deusas confiara à Hera a guarda das filhas de Héspero (“divindade da estrela vespertina, filho ou irmão de Atlas que escalou o monte Atlas para observar melhor as estrelas”).

A maior dificuldade de Hércules, nesse trabalho, foi encontrar o lugar onde  foram plantadas essas árvores do pomo de ouro. Ele “precisou ir para o norte da Grécia, depois para a Líbia, para o Egito, para a Arábia e para a Ásia Menor — e teve aventuras em cada um desses lugares.”

Depois de passar por todos esses lugares e em cada um deles vencer e lutar com todo tipo de criatura, Hércules chegou aos Montes Atlas, na África. “Atlas era um dos Titãs que fizera guerra aos deuses e, depois da derrota, fora condenado a sustentar nos ombros o peso do céu”. Hércules então pede a Atlas que vá em busca das maçãs de ouro e para que o Atlas possa deixar seu posto, o próprio Hércules “sustentou o firmamento nos próprios ombros”. Atlas consegue trazer até Hércules os pomos de Hespérides.

De acordo com as pesquisas que fiz, encontrei que há uma divergência entre os mitógrafos. Olha o que dizem: “Uma versão da lenda conta que Héracles (Hércules) encontrou o Jardim no extremo Ocidente e fez o dragão adormecer (ou matou a serpente), e as hespérides deram-lhe as maçãs de ouro”e a outra, como citada acima.

Enfim, Hércules cumpriu mais essa tarefa levando as maçãs de ouro até Euristeus.

Mais uma vez Hércules enfrenta diferentes situações para achar onde estava o famoso jardim, e poder realizar a sua tarefa. Observa-se nesse trabalho que, por onde Hércules passava, nem sempre encontrava a resposta que queria, que era descobrir o local para que pudesse finalizar a tarefa.

Pode-se pensar que, por mais forte, corajoso e guerreiro que você possa se achar, nem sempre sózinho você poderá chegar no seu objetivo final. Qual o problema em pedir ajuda aqueles que, em determinados assuntos, são mais experientes e/ou tenham mais informações que você?  Aqui nesse trabalho, até mesmo o herói Hércules, precisou de uma ”mão”para chegar ao seu objetivo. E quem de nós, pode dizer, que o seu caminho nessa vida foi realmente trilhado sózinho? Solicitar uma informação, uma dica, ou, com humildade, reconhecer algumas das próprias limitações pode ser o caminho mais curto para atingir ou cumprir uma tarefa desejada.

12- Cérbero, o cão de Hades

O décimo-segundo e último trabalho de Hércules, a mando de Euristeus. Aqui, Hércules teria que trazer a Euristeus Cérbero o cão de Hades.

Hades era o deus do submundo, dos mortos   e ali era fácil entrar, mas para sair era impossível. Na porta do submundo dos mortos, Cérbero, o cão de três cabeças é quem fazia a guarda deste temível e horroroso local para seu dono Hades. 

V- Mitologia Grega – Poseidon e Hades

Esse cão monstruoso, para se ter uma ideia, tinha como irmãos o cão Ortro, Quimera e a Hidra de Lerna.  Para realizar essa tarefa, Hércules foi até o mundo dos mortos e levou com ele o deus Hermes, seu meio irmão. Os dois adentraram o mundo dos mortos.

No mundo subterraneo “encontrou-se primeiro com a sombra de Meleagro, o herói da Caça do javali de Cálidon, que lhe contou sua história e pediu que amparasse a irmã, Djanira. Deparou-se a seguir com Teseu e o amigo dele, Pirítoo, ainda vivos mas acorrentados. Conseguiu libertar  com a permissão de Perséfone, mas Pirítoo teve de ficar.

Mitologia Grega – O Minotauro e o Mito de Teseu

Hércules recebeu a permissão de Hades para que levasse Cérbero para o mundo superior, mas que para isso ele não poderia utilizar de nenhuma arma. Como o monstro resistiu, Hércules “agarrou-o, subjugou-o e levou-o até Euristeus, conduzindo-o de volta em seguida. No Hades obteve a libertação de Teseu, seu admirador e imitador, que fora aprisionado durante uma tentativa malsucedida de raptar Perséfone”. p.150

Euristeus não acreditando,  ao ver Hércules chegando com Cérbero, corre e se esconde dentro de um vaso, reservado para ocasiões de perigo e, no mesmo instante,  ordenou que Hércules o levasse de volta.

Hércules, após o cumprimento de seus 12 trabalhos pode-se redimir junto ao Oráculo e conquistar a sua imortalidade.

Enfim, a cada trabalho finalizado por Hércules, pode-se observar que o mesmo  foi se superando diante dos seus desafios, mostrando que o tempo, as lutas, o conhecimento, a paciência, persistência e a sabedoria permitiu ao semideus concluir suas tarefas e até mesmo ao adentrar ao mundo subterraneo dos mortos, superou seus medos, os quais até os nossos tempos atuais paralizam os seres humanos diante das suas tarefas na vida.

O herói dos mitos sempre atrai a atenção de nós seres humanos, como forma de pensar e refletir as nossas próprias experiências.  

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Referências:

BULFINCH, T. – O Livro de Ouro da Mitologia – História de Deuses e Heróis. Ed. Agir, Rio de Janeiro, 2014.

RIBEIRO JR., W.A. O touro de Creta. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0036. Consulta: 24/07/2017.
RIBEIRO JR., W.A. As cavalariças de Augias. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0034. Consulta: 24/07/2017.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Touro_de_Creta

RIBEIRO JR., W.A. As éguas de Diomedes. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0037. Consulta: 25/07/2017

RIBEIRO JR., W.A. Os bois de Gérion. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0039. Consulta: 26/07/2017

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%ADni

RIBEIRO JR., W.A. Cérbero, o cão de Hades. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0041. Consulta: 26/07/2017.
RIBEIRO JR., W.A. As hespérides. Portal Graecia Antiqua, São Carlos. URL: greciantiga.org/arquivo.asp?num=0860. Consulta: 26/07/2017.

https://mitologiahelenica.wordpress.com/2015/02/25/v-a-corsa-cerinita/