O desafio de estar em isolamento social

Oi gente

O post se refere a uma reflexão e, talvez, pensarmos juntos, como lidar com esse grande desafio, para nós brasileiros, de estar em isolamento social. Saiba um pouco por aqui…

Iniciamos o ano de 2020 e, como todo início de ano, é comum as pessoas ter a esperança e os desejos de um ano melhor. O clima, pelo menos o que eu observava, é que seria um ano de início de retomada de crescimento no nosso país, já tão sofrido com tantas crises, principalmente econômica.

Logo no retorno das férias escolares, quando as famílias iniciam o seu planejamento para o ano, chega uma “bomba” dessas de nome Covid-19 – o tão falado coronavírus.

Não quero aqui ficar falando sobre os cuidados, sobre o que se deve ou não fazer, que acredito que todos já estão bem informados a respeito desse nosso inimigo invisível.

O papo é outro. Um papo reto, onde é preciso pensar coletivamente, porém lidar individualmente com as angústias e o sofrimento desse momento.

Primeiramente, parecia que isso estava tão longe da gente. Se foi um vírus criado em laboratório, se temos que lidar com tantas informações desencontradas, entre politicagem, oportunistas, verdades e mentiras, o papo aqui não se trata disso. Notícias é o que mais se tem por aí …

Mas, passado quase um mês desse isolamento, onde cada um vem se reinventando como pode, a questão é: Como lidar com a nossa saúde mental, principalmente, com a ansiedade que, na maioria das pessoas, ela insiste em se instalar.

Já fiz um post sobre os dois maiores medos do ser humano, fique a vontade para dar uma lida. Pois é, os dois maiores medos, na maioria das pessoas são: o primeiro, o medo de morrer e, o segundo, de “ficar louco(a)”.

Viver é um rasgar-se e remendar-se. - Guimarães Rosa

Não venho aqui e nem tenho a pretensão de trazer receitas prontas, até porque tudo é tão complexo e se fosse fácil, como alguns insistem em dizer, era só seguir o manual, não é mesmo? Mas, cada sujeito é único e funciona diferente um do outro.

Um dos fatores importantes que geram a ansiedade é sim o medo daquilo que não é conhecido e daquilo que foge, principalmente, do nosso controle. Se é que podemos dizer que controlamos alguma coisa. Costumo brincar sobre o fato de que, quantas vezes, nem controlamos o nosso próprio intestino não é mesmo? E ele, quando quer, que nos controla mesmo. (kkk).

Pensando sobre isso, estamos diante de algo que realmente está fora não só do nosso controle, bem como do controle de autoridades, cientistas e governantes. Como então não sentir ansiedade dentro de inúmeras variáveis que lemos, escutamos sobre esse inimigo coronavírus? Como ser positivo, diante de tantos desafios que estamos vivenciando?

Cada um de nós sabe bem o que isso significa e, principalmente, quando o inimigo pode estar a nossa frente, ao lado e, enfim, um inimigo invisível. Será que realmente temos um controle sobre isso?

Você pode até querer negar, como forma de se proteger. Mas, por mais que se negue, nem sempre esse mecanismo de defesa funciona em um momento como esse.

Ok. E ai gente, o que podemos pensar para lidar com essa primeira situação, entre tantas que iremos enfrentar depois, a de não cair dentro de um hospital com esse danado de coronavírus?

Simples e fácil de fazer, suas refeições irão ficar completa com essa salada maravilhosa. Ótima opção para o dia a dia.

Primeiramente, temos que pensar coletivamente, algo que a maioria das pessoas, até então, estava cada vez mais pensando individualmente. Um dos desafios a ser recuperado. Afinal, estamos todos no mesmo barco, alguns na primeira classe, outros em cabines mais simples, mas o barco é o mesmo e o que não se quer é que ele afunde, não é mesmo?

Nessa parada obrigatória do ritmo que estávamos vivenciando, não tem como não mexer com a nossa saúde mental. Talvez um dia você esteja mais confiante, outro nem tanto. Um dia mais animado, outro nem tanto e por aí vai.

Fugir da verdade? Será esse o melhor caminho? Provavelmente, não. Enfrentar a verdade e admitir as fraquezas é um ponto necessário para que se possa fortalecer para as lutas que é preciso enfrentar nesse momento.

Somos seres sociais e afetivos, nos diferenciamos dos animais, pois além das necessidades básicas que nosso organismo nos requisita, precisamos sim de afeto, de abraço e de contato social. Talvez, mesmo aqueles que dizem preferir animais a outro ser humano, não foge dessa regra.

A empatia nesse momento, tem que ser posta em prática e quem ainda não aprendeu, está na hora de aprender. Acredite, ela também é muito importante para a nossa saúde mental.

Confesso que me considero privilegiada por ter um filho médico que nos orienta sobre a epidemia e nos apresenta informações relevantes sobre o assunto. Mas vale lembrar, que também sou mãe e que tenho que enfrentar mais esse desafio de saber que meu filho está trabalhando na linha de frente, na capital de nosso Estado. Não é fácil estar longe nessas horas.

Quando penso nessa situação, prefiro dizer que o medo pode nos fazer imaginar coisas, além daquilo que realmente está a nossa frente. Gosto de dizer que, quando estamos diante do desconhecido, precisamos ter respeito. É preciso respeitar o coronavírus e pensar o que podemos fazer diante dele?

E aí como vencer esse desafio do isolamento social?

#Pensamentos

Esse isolamento social, conforme o tempo vai passando, o desafio vai aumentando. Alguns já descansaram, já colocaram as coisas em ordem, já assistiram todas as séries e filmes indicados e esse tempo não passa e o sono complica e os pensamentos nos perseguem, gerando, em alguns casos, até mesmo por sugestão, alguns sintomas do coronavírus. Você concorda?

Está angustiado(a)? A melhor forma de tentar melhorar a situação é falar sobre ela. Precisamos falar sobre nossas angustias, seja com um amigo, com seu parceiro/parceira, com alguém de confiança. Pegue seu telefone, tire um tempinho e fale com quem possa te escutar e, também, escute, mas escute de verdade, quem te procura para falar.

Se sentir que está muito complicado lidar com essa situação sozinho(a), porque cada um sabe o que está se passando com ele, vá buscar orientações com profissionais se sentir que o sofrimento está maior. Se o chá, o suco de maracujá, os exercícios, a yoga e tudo o mais que esteja fazendo e, mesmo assim, está muito difícil, vale até mesmo nesse momento pensar em buscar uma ajuda profissional.

Observe as pessoas que você ama e está sob seus cuidados para que possa entender quando é preciso um pouco mais de atenção. Pare o que está fazendo e priorize esse momento dando a sua escuta.

Precisamos pensar em prioridades nesse momento: Se cuidar e cuidar de pessoas que estão sobre sua responsabilidade, principalmente, aqueles que tem crianças. Vale lembrar que as crianças, embora não saibam verbalizar com palavras, também se angustiam.

O que fazer? Fazer o que é possível. Tomar os cuidados necessários, fazer a sua parte, seja em qual idade você estiver.

Agora se você é aquele(a) que tem que sair de casa, trabalhar para que outros possam se cuidar, não tenha medo, tenha respeito com o que está acontecendo. Faça o que é possível, com toda responsabilidade e cuidado necessário, pois enfrentando os seus medos, eles podem se tornar menores, porém não significa ser imprudente nessa hora.

Me lembro de uma ocasião difícil que tive que enfrentar e toda mãe que já passou por isso, possivelmente, saberá o que estou dizendo, a situação de ter que colocar um filho em cirurgia. Me lembro que o médico, de total confiança nossa, no momento do internamento me disse: “Daqui pra frente, vocês só podem pensar que vai dar tudo certo”, até porque nesse momento de internar uma pessoa amada, após assinarmos a papelada autorizando os médicos e hospital para fazerem o que é necessário, também não temos nenhum controle sobre a situação. Só podemos torcer e acreditar.

Como brasileiros, é da nossa cultura gostar de abraçar, beijar, estar perto das pessoas e do convívio, o que torna esse isolamento mais difícil e, não tivemos a experiência de passar por uma guerra. Mas, por outro lado, somos guerreiros na sobrevivência em um país como nosso. Com tantas dificuldades, aprendemos a ser criativos e até levamos alguma vantagem nesse quesito de termos mais força e coragem nessa hora.

O sofrimento se não nos derruba, nos fortalece. Vale lembrar, ainda, que passado essa fase, que vai passar, há sim a probabilidade de sairmos mais fortes para enfrentar o que virá depois de toda essa desorganização que está acontecendo na vida de cada um de nós.

Quero confessar para você que fiquei em dúvida, se escrevia ou não esse post. Mas, em um momento de insônia, resolvi vir por aqui e escrever o que estava pensando a respeito. E você como está lidando com essa situação?

Aproveito para citar Jorge Forber quando nos diz: “Se doenças tem remédio, a vida não tem; ela é um renovado contrato de risco. Fico com a máxima do psicanalista Jacques Lacan: “De nossa posição de sujeito somos sempre responsáveis”. Surpresas, encontros, ocorrem todos os dias. Porém, o sentido que damos a eles é de nossa responsabilidade.”

Enfim gente, aproveito para me colocar a disposição, caso queiram mandar algum email para esclarecer algumas dúvidas nesse momento de lidar com esse desafio do isolamento social. Faça o seu melhor, respeitando os seus limites. E a melhor receita é aquela que para você faz sentido nesse momento.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.