A escolha por não ter filhos

Oi Gente

O objetivo do post é tentar refletir um pouco sobre essa questão de escolher pela não maternidade. As estatísticas brasileiras tem demonstrado um aumento entre os jovens casais pela escolha de não ter filhos. Saiba um pouco por aqui… 

Esse assunto nos traz tantos questionamentos que ao tentar escrever por aqui, fica até difícil saber por onde começar. Mas vamos lá, acho que é importante sim falar a respeito de algo que vem hoje “mexendo com as cabeças”, emoções e gerando até mesmo muito sofrimento nas jovens mulheres em idade de ser mãe. Até porque essa questão idade, também, é muito discutível.

Segundo as estatísticas, o número de mulheres que não tem planos de engravidar vem aumentando principalmente entre aquelas com um nível maior de instrução,  ou seja, decidi-se pela escolha de dizer não a maternidade e, algumas delas, acabam sendo julgadas por essa decisão. Deve-se  lembrar que as mulheres, infelizmente, ainda sofrem muitos preconceitos em nossa sociedade. 

“Segundo as estatísticas da última pesquisa do IBGE, em 2010, 14% das mulheres brasileiras não têm planos de engravidar. Na pesquisa anterior, a porcentagem era de 10%. Além disso, o Censo mostra que as mulheres com mais instrução (mais de 7 anos de estudo) estão sendo mães mais tarde, depois dos 30 anos, e a média de filhos por mulher diminuiu drasticamente – de 6,1 para 1,9 nos últimos 50 anos.” https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/mulher/comportamento/14-das-brasileiras-nao-querem-ser-maes-saiba-mais,aa38e4ddfce27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html

Se pararmos para pensar que, desde o advento da pílula anticoncepcional, pelo menos essa decisão de ser ou não mãe está sim no controle feminino e, ainda, por ter esse controle a mulher pode decidir até mesmo em que momento quer ser mãe, são questões que vem se apresentando de forma bem diferente de gerações passadas, onde o fato de optar por uma união, era inevitável a chegada dos filhos com raras excessões. 

Na contemporaneidade, por exemplo, pode-se pensar que algumas alternativas podem estar influenciando as mulheres a postergarem essa decisão sobre a maternidade. Quero citar apenas 3 exemplos, entre outros, apenas para que possamos refletir sobre as mudanças ocorridas entre as gerações passadas: 

  1. Com as técnicas de fertilização, a mulher pode congelar seus óvulos para postergar a idade de gerar um filho;
  2. O casamento, quando ele se realiza, também vem sendo postergado em função do investimento na carreira e, em muitos casos, uma união hoje não significa necessariamente ter passado pelo casamento, seja no civil ou no religioso; 
  3. Algumas mulheres optam por não serem mães pelo simples fato de respeitarem o seu não desejo a maternidade, mesmo tendo que enfrentar, em alguns casos, pesadas críticas, como se não houvesse essa opção para mesma.

Diante desses debates e escolhas pela não maternidade, vale lembrar que há também muitos homens jovens que não tem esse desejo da paternidade e,  infelizmente, mais uma vez, “a culpa” ou a responsabilidade por essa decisão acaba sendo, em alguns casos,  direcionado a mulher. E os rapazes, por que não assumir que, em alguns casos, também não desejam ser pais?

Algumas questões para refletir

Lendo alguns artigos e pesquisas com resultados sobre o aumento dessas opções pela não maternidade, levanto aqui algumas questões que gostaria de refletir em conjunto com vocês.

Será que as mulheres que optam por não ter filhos estão, realmente, apenas bancando o seu próprio desejo? ou será por uma questão de não ter que se haver com essa dupla função, exigida dela na sociedade, a de ser boa mãe e boa profissional? e, ainda, as demais demandas existentes sobre a mulher, tais como: ser boa esposa, corpo perfeito, boa anfitriã, etc… não está “assustando” essa jovem mulher, principalmente pelo alto nível de exigência e competitividade? 

Será que pelo fato de ter visto, em alguns casos,  essa realidade da dura maternidade de suas mães e ter sido filho(a) de uma mãe que, possivelmente, exerceu várias funções e, em alguns casos,  esteve ausente e não gostaria de repetir a história para seus futuros filhos?

Há, também, entre essas jovens mulheres muitos casos onde, sem desejarem, tiveram que assumir o lugar de sua mãe no cuidado dos irmãos. E, por ter assumido uma função “materna” junto aos seus irmãos menores, em um momento que não estavam prontas para isso, fez com que tivessem uma experiência indesejada e hoje não querem repeti-la? 

Será que essa decisão, ainda, não está diretamente ligada ao fator econômico, uma vez que a somatória dos ganhos do casal não permite pensar na possibilidade de ter um filho? 

Já escutei de uma profissional que decidiu não ter filho, pelo fato dos dois serem ótimos profissionais, a seguinte justificativa pela escolha da não maternidade. “…decidi pela não maternidade, pois amo minha profissão e, se caso eu for mãe,  já sei de antemão que seria eu que teria que abrir mão da profissão, pois o meu marido não abriria e, tenho que admitir, que por amar minha profissão, não conseguiria abrir mão dela nem que fosse por um filho…”

Será que essas jovens mulheres estão realmente abrindo mão de ser mãe, pelo fato de investir em suas carreiras e não ter que abrir mão de sua vida por observar que a maternidade exige muito da mulher?

Será que as avós de hoje, onde uma grande maioria ainda continua no mercado de trabalho, talvez não estejam tão dispostas a dedicar todo o seu tempo na ajuda diária com os netos, e a jovem mulher não encontra uma rede de apoio nesse sentido e, simplesmente, escolhe pela não maternidade? 

Fico aqui pensando se os desafios para essa nova geração de mulheres, principalmente aquelas que pensam e refletem sobre a sua real situação, não está fazendo com que desistam da maternidade, até como forma de dar uma resposta rápida a tantas variáveis que terão que enfrentar, caso decidam pela maternidade.

O que quero trazer aqui para reflexão é se o fato, como mostram as estatísticas, de um grande número de casais que manifestam o desejo de não exercer a maternidade e paternidade são realmente um não querer, um não desejar, ou se tudo isso está diretamente ligado as outras questões que permeiam a mente dessa nova geração, tais como: as questões econômicas, as questões da valorização da perfeição do corpo, cobrado principalmente para as mulheres, ou ainda, a busca de igualdade no mercado de trabalho entre homens e mulheres e, a maternidade acaba, em muitos casos, “atrapalhando”, haja visto o tratamento que as empresas dão a mulher durante e após a maternidade, ou ainda, se está simplesmente no fato da possibilidade da mulher poder fazer diferentes escolhas que não necessariamente tenha a ver com a maternidade.

Quando essa decisão é feita em conjunto

É preciso também pensar que, na atualidade, são inúmeras opções que os novos casais tem em levar um projeto de vida juntos que não necessariamente esteja incluído o nascimento de um filho. 

Não é raro observar o grande número de casais que optam por tem um animal de estimação e tratá-lo com grande afeto, carinho e cuidados semelhantes a um filho.

Achei interessante esse quadro: 

O que vale lembrar é que hoje, não necessariamente, a maternidade é a única opção para um casal que decide se unir e cabe a nós respeitar a decisão de cada um. 

A Geração das mães profissionais e filhos criados com ajuda de terceiros

Posso, por experiência própria, dizer que já vivi essa situação e que já estive nos dois lados da questão. Sou de uma geração, que chamo acima dos 50 anos, onde vivemos em uma  Sociedade que, por um lado, nos chamavam para a produção, até mesmo pelo fato da mão-de-obra feminina ser mais barata que a masculina e, infelizmente, isso ainda continua sendo um dos problemas da contemporaneidade, e, ainda, havia a cobrança total sobre a questão da maternidade. Ou seja, era como se a mulher não pudesse exercer bem as duas funções.

Somos de uma geração que era cobrado muito da mulher no mercado de trabalho, (como se a mulher que era mãe fosse trabalhar simplesmente por hobby) e, ainda, éramos cobradas até mesmo por outras mulheres que não trabalhavam sobre o fato de deixarmos filhos em mãos de terceiros para “trabalhar fora.” Essa era uma das perguntas que nos faziam: “Ah você trabalha fora?”; “Mas você precisa trabalhar fora?”; “Como você tem coragem de deixar seus filhos com “babá”?, e do outro lado, enfrentávamos no mercado de trabalho situações tais como: “Quem mandou querer trabalhar”? “Problemas pessoais devem ficar da porta para fora”, etc… Possivelmente, alguém pode-se lembrar disso.

A nossa geração, acima dos 50 anos, que passaram por essa dupla função provavelmente sabe bem sobre o que estou falando. Nem sempre havia uma condição favorável nesse sentindo. Os filhos eram criados com a ajuda de terceiros e, a mãe tentando se adequar a essa dupla função: algumas deixando em creches, quando isso era possível, outras optando pelas babás (as que podiam pagar) e, uma grande maioria, contando com a ajuda das avós que, nem sequer tinha o direito de questionar se queriam ou não cuidar de netos, simplesmente cuidavam.  Vale lembrar que nessa mesma geração o número de mães solteiras e separadas já era bem maior.

Se hoje ainda verificamos o grito na sociedade sobre o machismo brasileiro, vocês poderão imaginar o que era isso há 30 anos atrás.

Alguns dados sobre a questão de não ter filho no Brasil

“Nos dados do IBGE (2011), em 1999, esses casais representavam 55% da população e, em 2009, caiu para 47,3%. O Rio Grande do Sul tem a menor taxa de natalidade do Brasil, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011). Em 2009 esta taxa era de 11,6 nascimentos para cada mil habitantes. A média nacional é de 15,8 nascimentos para cada 100 mil habitantes. A taxa de fecundidade da mulher brasileira é 2,3 filhos por mulher, abaixo da média mundial, que é 2,6, de acordo com indicadores do IBGE de 2011. Na década de 1960, a taxa de fecundidade era de 6,3 filhos por mulher. Esse número crescente de mulheres sem filhos parece evidenciar um aumento na opção pela não maternidade ou pelo seu adiamento, justificando o estudo do temahttp://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942013000300011

Como ficará o Brasil, um país em desenvolvimento, com uma população de mais idosos que jovens no futuro?

Já fiz alguns posts sobre envelhecer e, principalmente, sobre a forma diferente de envelhecer da nossa geração acima dos 50 anos, ou seja, jovens velhos que escolheram envelhecer diferente de seus pais. Caso queira, alguns links para você:

Você tem medo de envelhecer?

“A bela velhice”segundo a Antropóloga Mirian Goldenberg

Como você escolhe envelhecer?

O que quero dizer com isso é que a tendência da nossa população é atingir uma maior longevidade, transformando, em poucos anos, o Brasil de um país considerado jovem a um país com um número maior de idosos. Já sabemos sobre situações assim em alguns países no exterior, porém são países pequenos em sua extensão e população e, ainda, países desenvolvidos e, mesmo assim, essa questão tem se tornado um problema em alguns deles.

Já comentei por aqui sobre o fato dos mais velhos, pais e avós respeitarem a decisão dos jovens quanto a essa questão da maternidade. Para aqueles que querem ser avós a todo custo, respeite o tempo e a decisão dos filhos para o momento que eles desejarem e, se caso, a decisão do casal é por não ter filhos, qual o problema de aceitar isso? Afinal, já tivemos os nossos filhos e nossas escolhas lá atras.

Enfim gente, essa questão sobre a maternidade na atualidade daria horas e horas de discussão e espero  trazer alguns assuntos a respeito por aqui. Mas, quando a decisão pela não maternidade estiver bem elaborada e resolvida, por favor, cabe a todos nós, no mínimo, respeitar a decisão e escolha do jovem casal. E você o que pensa? Fique a vontade para deixar sua opinião.

 

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

 

Referências:

 

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942013000300011

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942013000300011