A importância da Observação no Desenvolvimento Infantil

Oi Gente

Hoje vamos escrever por aqui um pouco sobre esse tema que é do desenvolvimento infantil, lembrando que muitos fatores estão envolvidos para que o bebê possa obter  o melhor de cada fase…

   Definir o conceito de desenvolvimento infantil, ou falar da Psicologia do Desenvolvimento nos leva a pensar em uma psicologia infantil ou Psicologia da criança o que leva muitos especialistas do desenvolvimento a serem contra essa comparação. Ziegler (1963) apud coloca que “o desenvolvimento não se restringe a determinadas faixas de idade e que devemos estudar o desenvolvimento de comportamentos no decorrer da vida do indivíduo”. (p. 19).

             Segundo Denis Huismann e André Vergez, “os estudos da psicologia infantil levaram-nos ao conhecimento de que a criança não é um “adulto em miniatura”, mas que apresenta uma estrutura psicológica original”. (pg. 144).

             O interesse da Psicologia do Desenvolvimento “são as mudanças que ocorrem não em função do tempo, mas em função de processos intra-organísmicos e de eventos ambientais que ocorrem dentro de determinada faixa de tempo”. (pg. 20). Sendo assim,  a Psicologia do Desenvolvimento vai abranger outras áreas tais como a Psicologia da Personalidade, da Aprendizagem, a  Psicologia Social, a Percepção, e também demais ciências afins como a Antropologia, genética, sociologia, etc

           Na área do desenvolvimento infantil mais específicamente a maioria dos assuntos publicados foram produzidos no século XX.  “A área do desenvolvimento infantil como existe na atualidade tem sido amplamente influenciada pelo trabalho de três teóricos importantes do século XX: Sigmund Freud, John B. Watson e Jean Piaget”. (pg.7). Esses três autores  se basearam principalmente em estudos de observação.

          Darwin também teve um interesse nos estudos sobre bebês e crianças (Darwin 1877). Observou seu próprio filho desde os primeiros reflexos dos primeiros dias de vida:

 “Darwin provou a si mesmo ser um observador  atento do próprio filho, observando, por exemplo numerosos reflexos nos primeiros dias de vida, a fixação visual num foco de luz em torno do nono dia e a resposta ao aroma ou ao calor do seio da mãe no trigésimo segundia dia. Prosseguiu descrevendo reações de raiva, expressões de medo, sensações de prazer e afeição, e a “associação de idéias”. (p. 8)

              De acordo com Lipsit e Resse, 1980)  G. Stanley Hall (1891) já fazia uma comparação entre a qualidade “primitiva” da mente da criança e a similaridade com outros animais, antes da socialização. O mesmo Hall, que é supostamente considerado o pai da psicologia infantil criou a expressão “a ontogênese recapitula a filogênese” (isto é, durante o desenvolvimento, a criança repete a evolução da espécie)”. Pg. (08).  

            Freud também compartilhou da influência do pensamente evolucionista de Darwin, bem como Gesell, que assim como Freud foi um dos autores que produziu um grande número de documentações sobre os comportamentos apresentados, de acordo com o desenvolvimento das crianças. Ele foi um seguidor de Hall e acreditava nas tendências inatas, mesmo que com a influência mínima das circunstâncias de ambiente onde essa criança está se desenvolvendo, essas condições inatas que vão controlar e ditar o crescimento e a aprendizagem da criança. Segundo ele:

“A aceleração do desenvolvimento… é tipicamente uma característica biológica inata do individuo, mais provavelmente de natureza hereditária. Não existe uma evidência convincente de que a aceleração fundamental do desenvolvimento  possa ser induzida prontamente seja por métodos de estimulação prejudiciais seja por métodos positivos”. (Gesell, 1928, pg. 363-64 apud. Lipsit & Reese, 1980 p.09). 

            Embora tanto Gessel como Freud destacassem a importância da característica inata do bebê, admitiam também a influência que o ambiente poderia exercer sobre o desenvolvimento desse sujeito.

            A área de desenvolvimento infantil é objeto de estudos de várias áreas da psicologia, seja do behaviorismo de Skinner, o enfoque cognitivista, baseadas na filosofia de Rousseau, a teoria do “instinto” de McDougall, representada hoje por Piaget e também o enfoque psicométrico, embasados em Platão e trabalhado por Termam. (Lipsit & Reese, 1980, pg.14).

          Descrever e falar sobre o desenvolvimento infantil no aspecto de normalidade se torna uma tarefa difícil se levarmos em consideração todo o que está envolvendo esse desenvolvimento seja na sua constituição genética, como também em todos os demais fatores sócio-economicos e culturais onde está ocorrendo esse processo de amadurecimento e desenvolvimento desse sujeito.

              Quando se necessita verificar e medir o desenvolvimento de uma criança, para poder classificar o seu desenvolvimento como “normal” ou dentro do esperado para a idade, só podemos caracterizá-la e até mesmo diagnosticá-la dentro de padrões estabelecidos a partir de vários estudos, realizados através da observação e da comparação,  entre comportamentos esperados pela mesma “idade cronológica”: 

“O comportamento normal assume padrões característicos à medida que se desenvolve. Um padrão comportamental normal é um critério de maturidade que foi definido por estudos sistemáticos da evolução sadia média do desenvolvimento comportamental. O estudo de milhares de bebês e crianças pequenas sadios nos facultou determinar as tendências médias de seu desenvolvimento comportamental.” (KNBLOCH, H. & PASSAMANICK, B. H , 1987 P.6).

               Realizar um trabalho nesse sentido faz-se necessário que se utilize de critérios e de ferramentais tais como os testes aceitos e aplicados em diferentes faixas de idade do desenvolvimento, através da aplicação de materiais e procedimentos elaborados de acordo com cada faixa de idade. A observação durante o procedimento é de fundamental importância para que se possa registrar todos os eventos ocorridos e ainda observar os detalhes e manifestações comportamentais do sujeito que hora está sendo testado.

            Ainda, de acordo com Knobloch, & Passamanick, todos os padrões comportamentais, seja na fase pré-natal quanto na pós- natal evoluem de maneira que possam ser equiparáveis. Por exemplo, “por volta da 18ª semana pré-natal, mão do feto agarra, da mesma forma que se flexiona Na 40ª semana pós-natal, a mão do bebê estende o dedo indicador para tatear e remexer”. (p. 5).

         Essas avaliações, de acordo com os padrões estabelecidos, são índices que poderão ser medidos da maturidade e da integridade do Sistema Nervoso do bebê. Espera-se nesses testes que possam ser medidos cinco campos do comportamento que cada qual representará aspectos diferentes do crescimento. De acordo com Knobloch &  Passamanick, 1987, os cinco campos principais são: “(1) o comportamento adaptativo; (2) o comportamento motor grosseiro, (3) o comportamento motor delicado, (4) o comportamento da linguagem e (5) o comportamento pessoal-social.” (p. 6).

          Para se ter uma idéia de cada comportamento acima citado, no comportamento adaptativo espera-se do bebe  que ele revele uma desenvoltura nos movimentos, tais como a capacidade de utilizar o aparelho motor, como coordenação dos olhos, das mãos no manuseio e alcançar objetos, nas percepções. O bebê vai se adaptando e desenvolvendo a capacidade de solucionar problemas simples. “Ele revela uma crescente desenvolvoltura. O comportamento adaptativo é o precursor da “inteligência” posterior, que utiliza a experiência prévia na solução de novos problemas”. (Knobloch, & Passamanick , 1987, p. 6).

            No comportamento Motor Grosseiro refere-se as reações posturais, o sentar, andar, engatinhar, ficar em pé, como se posiciona a cabeça. Quanto ao Comportamento Motor Delicado diz respeito ao uso das mãos, no sentido de pinça ou seja da capacidade do bebe de pegar e manipular pequenos objetos. Outro comportamento que é o da linguagem, vai fornecer ao avaliador indícios da organização do sistema nervoso central do bebê. Entende-se por linguagem as formas de comunicação mesmo antes daquelas verbais, são as fases pré-verbais como o balbuciar, a comunicação através de gestos, movimentos, vocalizações, expressões, também incluindo a imitação e a comunicação de outras pessoas.  E por último  o comportamento pessoal-social, que se refere como a criança reage diante da cultura onde está sendo socializada, aqui também envolve o controle dos intestinos, da bexiga pois são também tidos como requisitos culturais. 

           Os autores Knobloch & Passamanick , 1987 ainda aborda sobre a tarefa da observação do comportamento pois essa “implica uma avaliação quantitativa e qualitativa; ademais, deve ser sempre complementada por uma anammese social e médica adequada e por investigações de laboratório apropriadas”. (p.6).

          O médico francês Alfred Binet e seu colaborador Theodor Simon fora os primeiros a publicarem o primeiro teste moderno de inteligência, que levou o nome de escala de inteligência Binet-Simon, para avaliar crianças com retardo mental nas escolas francesas. 

          De acordo com Haddad, A. M. D. ee Windholz, M. H. , também foram criados outros tipos de testes para atender a diferentes demandas e propósitos como o do psicólogo e médico americando Arnold Gesell, da Universidade Yale, New Haven. “Sua escala de desenvolvimento tinha um objetivo ambicioso: estabelecer normas do desenvolvimento universal desde o nascimento até os 5 anos.”. (pg. 65).

        Enfim, gostaríamos de enfatizar que a velocidade e a questão cronológica é sempre referida a uma média entre diversos estudos, uma vez que o importante é que cada bebê, com suas singularidades, possa desenvolver, cada qual com o seu ritmo, mas obedecendo certos critérios que são necessários para que passem para um fase seguinte de seu crescimento.

         Lembrando, ainda, que a observação constante do desenvolvimento infantil é de fundamental importância por aqueles que cuidam do bebê, promovendo e facilitando condições favoráveis para que se possa passar pelas várias fases desse processo. Quando observar algo muito discrepante, caberá a pessoas qualificadas poder tecer algum comentário e orientação, principalmente aos papais inexperientes no assunto.

             Era isso por hoje.

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             Um abraço.    

 

 

 

   

BIBLIOGRAFIA:

LIPSIT, L.P. & REESE, H.W. Psicologia do Desenvolvimento da Criança. Raízes Históricas do Estudo da Criança . Rio de Janeiro, Interamericana, 1980.

KNOBLOCH, H., M.D. 7 PASSAMANICK, B, M.D, – Gesell e Amatruda – Diagnostico do Desenvolvimento- Avaliação e tratamento do desenvolvimento neuropsicológico no lactente e na criança pequena – o normal e o patológico – 3ª Ed. Livraria ATheneu – Rio de Janeiro. São Paulo, 1987.

HUISMAN, D. e VERGEZ , A. – Curso moderno de filosofia (introdução à filosofia das ciências). Trad. Do francês, por Lélia de Almeida Gonzalez. 6 ed. Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1976 339 p.

HADDA A. M. DA S. e WINDHOLZ, M. H. – O Estilo de cada um – mentes e cérebros;

HANSEN, L. – História da Criança.