Os desafios atuais para quem passou dos 50+

Oi Gente

O post de hoje é um convite para refletir sobre essa nova fase, após os 50 anos, na pós-modernidade. Veja bem, acho que a música de Lulu Santos, como uma onda,  pode nos ajudar a pensar um pouco a respeito…

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Acredito que você que já passou dos 50 anos, assim como eu,  deve conhecer essa música “Como uma Onda”do Lulu Santos e penso que ela pode, talvez, responde esses novos tempos dos novos “cinquentões”. Observem essa parte da música abaixo.  

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará. A vida vem em ondas, como um mar num indo e vindo infinito”. 

Então gente, se você ainda está vivendo de saudosismo querendo voltar naquele tempo dos antigos cinquentões que já estavam em casa, aposentados ou não, mas acomodados, brincando e compartilhando a sua vida com os netos, com seus hobbies e tinha a sua frente uma vida mais definida e/ou mais organizada, hoje já não é mais assim, pelo menos para uma boa parte dos que estão nessa fase de idade.  

Você pode ou não estar concordando comigo, mas, se pensar bem, poderá dizer que não estou tão errada assim. Mas e hoje, quem são os novos cinquentões(onas), ou os sessentões (onas) ? O que querem? O que gostariam de fazer? O que desejam? O que esperam e projetam para essa nova fase da vida? 

É claro que, quando me refiro aos novos cinqüentões, não se pode generalizar até porque isso é muito singular. Cada um vê e faz da sua vida aquilo que escolhe ou se quer, quando possível. Mas, o que quero trazer aqui é que a pós-modernidade já não está permitindo mais, mesmo que se queira, essa vida tranquila e organizada das gerações passadas. Sabe por que? Porque estamos vivendo outra época e que nos convocam a novas atitudes, a novos desafios e a novas realidades as quais, nem sempre, podem ser aquilo que você planejou para quando chegasse nessa idade.

“Tudo que se vê não é, igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo.” 

E como muda, não é mesmo? Tão rápido ao ponto de você, nem sempre, dar conta de tantas transformações. Quando está se adaptando a uma nova tecnologia, a um novo celular ou qualquer desses instrumentos que se incorporaram na vida contemporânea, ao mesmo tempo já percebe que está desatualizado. Mas, ainda bem, que já passamos dessa fase de se deixar levar por essas necessidades. O importante sim é saber que, enquanto uma tecnologia está atendendo aquilo a que você precisa, por que ficar nessa loucura de trocar a toda hora de aparelhos? 

Entenda bem, isso também não equivale a dizer que tem que manter os tijolões (primeiros celulares) e querer que os mesmos não nos deixem na mão. 

Mas não se preocupe tanto com essa parte, pois com certeza, agora ou mais pra frente, sempre um neto, um filho trocará os seus aparelhos e vão doar os mais antiguinhos para você, quando alguns ainda não vão te solicitar um help ($$)  nessa troca.

Vamos pensar juntos, com alguns exemplos, que vem acontecendo no dia a dia daqueles que já passaram dos 50, sem que isso jamais tivesse sido pensado,por alguns, quando jovem, que seria assim:

  • Hoje já não se é permitido mais se aposentar com uma idade antes dos 50, pelo contrário estão cada vez mais postergando a idade para a aposentadoria;
  • Aquele(a) que está próximo de se aposentar, está inquieto(a) não pelo fato da aposentadoria como era antigamente, aquela que ia realmente descansar, mas estão inquietos sobre o que fazer, após se aposentar, para complementação de renda, pois sabe que a defasagem de sua remuneração acontecerá nos anos vindouros e que não garantirá o mesmo padrão de vida atual;
  • Os filhos, daqueles que são casados, separados, solteiros ou viúvos, já não saem de casa tão cedo, como acontecia na outra geração;
  • Quantos que saem, até mesmo casados, logo retornam e, as vezes, com um filhinho ou dois juntos;
  • Não é raro, hoje em dia, mesmo em classes mais favorecidas, os novos cinquentões ou com mais idade tendo que assumir compromissos junto aos filhos casados que, por diversas situações e, principalmente aqui no Brasil, não conseguem administrar seu orçamento, seja pelo desemprego, seja por baixos salários e diversas situações e dificuldades que os jovens casais também estão enfrentando, sem que sejam dos desejos deles;
  • Há, ainda,  onde se encontram duas situações: ajudando algum filho(a) casado(a) e, ao mesmo tempo, tendo que investir em algum(s) filho(a) solteiros nos estudos e pensar que, no imposto de renda, já não se consideram dependentes filhos(as) maiores de 24 anos;
  • Os novos cinqüentões, ainda, em grande parte, estão tendo que colaborar com seus pais que hoje estão mais velhos e necessitam, quando não de ajuda financeira, o que é raro, mas demandam tempo e dedicação para atender suas necessidades, principalmente relacionados geralmente a questão de saúde; nem todos podem pagar um cuidador(a) para atender casos de saúde mais complicado e, ainda, tem que atender o Estatuto do Idoso;
  • Há, ainda, um número grande de pessoas nessa idade que, estão cuidando e atendendo os netos, por período integral,  para que os filhos(as), jovens casais possam trabalhar; 
  • Pagar uma empregada doméstica, e/ou babá, também está se tornando um luxo para poucos privilegiados nessa faixa de idade;
  • O custo Brasil está ficando insuportável para a grande maioria dos brasileiros, com tantas taxas, serviços, alimentação, farmácia, planos de saúde, escolas particulares e, impostos altíssimos, e, em alguns casos,  necessidades básicas, pois  as “chamadas mordomias”, vem se tornando luxo para poucos. O custo Brasil, insuportável, já não possibilitam mais isso para a grande maioria;
  • Nós os cinqüentões, já conhecemos e participamos de outros momentos e crises do país, mas como essa, ao ponto que está essa agora, acredito que nunca tinhamos visto algo igual;

Enfim, poderia citar aqui muito mais situações que essa geração dos novos cinqüentões vem vivendo atualmente, o que demandam um equilíbrio emocional para que possam suportar todas essas demandas. Sem contar, que junto a isso pode vir as frustrações de sonhos não realizados e falta de perspectivas para sair de certas situações a curto prazo. 

Será que essa geração não está pagando um preço alto para encarar tudo isso? Muitas vezes sendo surpreendidos com problemas de saúde que, a partir dos cinquenta, já começam a aparecer? 

A partir dos 50 anos, é natural que haja um certo tipo de recolhimento, as vezes, até necessário para se fazer um certo “balanço” da própria história de vida de cada um. Onde estamos, onde chegamos, onde quero ir daqui para frente e vários outros questionamentos acontecem nessa fase da vida. 

É gente, embora ainda encontramos muitos acreditando, também, que possam esticar a juventude. Até falei em um post sobre essa situação

Até quando vai a adolescência na pós-modernidade?

Mas, não podemos fugir da verdade que a maturidade chegou, ou pelo menos, deveria ter chegado.

Mas, podemos pensar também que tem lá suas vantagens, pois é o momento  que já não nos preocupamos  tanto com banalidades de outrora. Afinal, precisamos encontrar algo bom nesse período, até porque com o aumento da expectativa de vida, onde as estatísticas nos apresentam cada vez mais pessoas passando da casa de três dígitos, espera-se que possamos visualizar, ainda, um tempo suficiente para se permitir fazer algo do seu real desejo.

 E aí, como lidar com tantas mudanças vivenciadas por essa geração que está sempre em busca de aprender algo novo, para que se possa acompanhar esses novos tempos? Afinal, somos da época da datilografia ainda, do telex, do telefone fixo, do toca-fitas e todas essas coisas que, muitos jovens hoje nem tem ideia do que isso significa.

Nesse ponto, podemos nos sentir não só guerreiros, mas sobreviventes de tantos desafios enfrentados, vencidos e superados e podemos nos orgulhar disso, pois observa-se  muitos cinquentões(onas), em termos de vitalidade, deixando muita juventude para trás.  Podemos dizer, inclusive, que somos a geração bombril, que me permita a brincadeira, “1001 utilidades”.

Mas, embora a energia e a garra continue aí presentes, porque somos a geração que lidamos com a falta de uma maneira mais fácil do que a nova geração, não podemos nos esquecer que é também nesse período de 50 a 65 anos que, as vezes, perdemos muitos amigos e parentes de forma inesperada e repentinamente. Será que pelo fato de ser o alicerce de tantas demandas, as vezes, nos esquecemos um pouco de nós mesmos? Precisamos pensar também na questão dos limites, algo muito difícil de admitir e de respeitar atualmente. 

Devemos estar atentos para essa questão, para que nós mesmos possamos definir os nossos limites em todas as áreas, para que não sejamos obrigados a nos limitar por alguma surpresa inesperada e que nos coloque esse limite nunca pensado antes.

Aí podemos então pensar e refletir sobre essas palavras: TUDO NÃO DÁ.  Precisamos pensar seriamente nisso, e cada um reconhecer e admitir que é hora também de nos respeitar e aprender a dizer NÃO e lembrar que somos humanos. Alguns podem achar que um não possa ser um ato de egoísmo, mas precisamos pensar que não se trata de egoísmo e sim de nos respeitar, para garantirmos a nossa sobrevivência. Lembrando aqui que sobreviver o maior tempo possível, também é questão de escolhas e inteligência.

É o momento de pensar, preciso me respeitar para que possa continuar devagar e sempre e poder sim, envelhecer, podendo fazer parte das estatísticas dos 3 dígitos. Lembrando ainda que precisamos nos organizar e se preparar para esse momento.

Já passamos da idade de ficar preocupados com o que os outros vão pensar, vão falar ou de necessitar tanto do reconhecimento do outro. Mas o que é isso? É selecionar aqueles que aceitam as nossas escolhas, as nossas limitações os nossos nãos, como forma de nos preservarmos e poder continuar o nosso percurso de vários anos que virão, com o mínimo de qualidade de vida. 

E aí você pensa: Como vou fazer com tudo isso?

Preciso me cuidar, ser forte, para ser o suporte de tantas demandas que vem chegando nesse período de envelhescência (sim esse termo envelhescência vem sendo discutido por vários autores, no sentido de ser um novo período de adolescência com tantas questões a serem resolvidas), é também um momento de turbulência e decisões de querer saber o que realmente se quer daqui para frente.

Preciso cuidar da minha saúde, o que leva tempo e investimento, preciso atender os pais, os filhos, os sobrinhos e até mesmo colaborar com a comunidade carente que também demandam colaborações a nossa faixa de idade.

Primeiramente, não se tem como fugir da realidade e nem fazer de conta que isso não é com você. O que fazer com tudo isso?

Afinal, também estamos no momento em que precisamos curtir um pouco a vida, pois logo chegaremos a idade dos nossos pais e o que se quer hoje nem sempre poderá se postergar muito mais para frente. Dá para entender porque nessa idade começa aumentar a pressão, literalmente?

Vamos lá a outro pedaço da música do Lulu Santos, que poderá se pensar sobre esses desafios:

Não adianta fugir, nem mentir para si mesmo agora, há tanta vida lá fora, aqui dentro sempre, como uma onda no mar…”

É difícil? É. A resposta é sim difícil, mas não impossível. Penso que a primeira reflexão é ver a verdade que se apresenta em cada caso em particular. Uma das saídas gente é faser uso da linguagem e das palavras para que se possa elaborar cada situação, colocando em palavras os seus limites como ser humano e, também,a sua verdade. 

Vamos pegar um exemplo: Um dia desses encontrei uma senhora, na sala de espera de um consultório que não vem ao caso, e muito nervosa, com uma das situações que citei acima, onde um de seus filhos, nora e dois netos por não estarem conseguindo pagar seu aluguel, decidiram em família voltar por um determinado tempo dentro de sua casa.

A queixa era de que a casa era dela, e o casal retornou e, aos poucos, foram “invadindo”os espaços que eram dos pais. Ou seja, a sala já não se podia mais ver os programas que os pais queriam, porque as crianças queriam ver desenho o dia todo. Ela, como sogra, não podia falar nada que o filho brigava com ela, pois a Nora contava a versão dela e, para não magoar o filho ficava quieta e foi cedendo. Colocou que comprou um computador e que no momento que estava se adaptando a ele, os netos não a deixavam usar. E o mais interessante, quase uma saia justa, como ela estava junto com o marido, ela o apontou e ainda disse em voz alta: e ele não fala nada…

Só coloquei essa história aqui, pois essa senhora estava literalmente alterada ao ponto de colocar uma situação privada ali, em público, pelo fato de estar sem saída para uma situação que se apresentava na vida dela e que, possivelmente, estava sim a deixando triste, pressionada e sem saída. Isso, também faz parte da pós-modernidade, a vida privada sendo exposta em qualquer lugar.

Eu apenas perguntei se ela já tinha tentado sentar todos juntos, talvez na hora de um almoço ou jantar, e se tinha colocado a eles o que não lhe agradava e não estava contente. Ela me olha, um pouco assustada, e me diz: “É, na verdade, eu nunca falei.”  Ai questionei: Será que eles sabem que a senhora não está concordando com algumas coisas lá na sua casa? 

Ela me responde: “Acho que fiquei com medo da minha Nora entender tudo errado”. 

Ai perguntei: “Mas se todos conversarem ao mesmo tempo, no mesmo local, é possível que se possa esclarecer os mal entendidos, a senhora não acha?

Ela me responde: “Você sabe que eu vou tentar fazer isso mesmo”…

É preciso falar sobre as questões que o estão pressionando

Em um mundo, individualista, onde ninguém tem tempo ou quer escutar o outro, aquilo que precisa ser elaborado, esclarecido, fica preso dentro da pessoa, como se engolindo algo indigesto e quando você não fala, o corpo fala por você, haja visto ser a dor de estômago, uma das grandes queixas dessa fase.

Aí você pensa:  mas falar com quem? Quem tem tempo hoje para escutar verdadeiramente o outro. Não é raro você escutar, desde vendedores e demais profissionais, reclamando que a sua função não é psicólogo, pois a necessidade de se falar faz com que, o primeiro que aparece a sua frente, você se aproveita e “derrama o caminhão de mixirica”. (termo popular utilizado por alguns antigos). 

Primeiramente, é preciso observar que há situações que não existem culpados ou não, não se trata de ficar acumulando ressentimentos o que pode piorar a situação. Nesses momentos, é hora de dialogar, com calma, procurando as palavras certas e dentro da verdade da situação.

É preciso, cada um, colocar o que pensa e o que está bom e o que não está em determinadas situações, ou seja se posicionar. Mas é preciso, também, ouvir o Outro de verdade.  É no diálogo que se pode resolver as questões que vão aparecendo.

Ouvir com atenção o que cada um tem a dizer e com amor, paciência e compreensão. As situações vão sendo apresentadas, algumas difíceis outras nem tanto,  e encontrar  uma forma de lidar com cada uma delas de uma maneira que não sobrecarregue apenas um da família. O generoso também é humano e pode não dar conta de tantas pressões sobre ele. 

Somos seres singulares, por isso somos diferentes e, viver nas diferenças, é o nosso maior desafio. Falar, expor e escutar também o outro, é um dos caminhos para aliviar algumas situações. Somos todos diferentes, porém todos podem participar, dando sua contribuição dentro de suas capacidades. 

Discutir ideias e não pessoas pode-se chegar a diferentes caminhos. É possível sim melhorar as relações e dividir tarefas, para que se possa viver em paz e harmonia, pois muitos desgastes desnecessários geram doenças no organismo, simplesmente por se calar e não falar.

Por pior que seja uma situação, ver a verdade e encará-la ainda é a melhor forma para aliviar as tensões. Fale, converse, escute, pensem e juntos poderão sim encontrar formas para elaborar e ser criativos na resolução de problemas.

Enfim, embora vivamos em sociedade, a história de vida de cada um é única e caberá somente a você decidir, pensar, escolher como quer escrever a sua própria história. Só não vale ficar colocando o tempo todo a culpa nos outros para não se responsabilizar por sua própria vida.

 

Era isso por hoje.

Obrigado pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.