Desafios da mulher madura ou de meia-idade

Oi Gente

 

 

É sobre esse assunto que quero vir aqui falar hoje com você, assunto esse da qual faço parte, da mulher de meia-idade ou mulher madura. Esse termo madura para mim é um pouco  engraçado escrever aqui, pois me vem a cabeça a palavra madura (o) como algo que se não aproveitar corre o risco de apodrecer… Estranho né? mas acho que é bem assim mesmo que acontece com quem passa por essa fase e se não estiver atenta é para esse caminho que a gente poderá ir.

Mas tirando as brincadeiras de lado, essa idade em torno dos 50 anos ou mais, estão sim as mulheres conhecidas como as de meia-idade. O interessante é que a hipocrisia da sociedade muitas vezes coloca a mulher de meia-idade como alguém que já está na hora de achar o seu lugar e se acomodar, quando se refere ao assunto divertimento, passeios, vestuário, e coisas desse tipo, ou seja coisas que estão relacionadas ao bem viver.  Como se nessa idade agora você só lhe restasse a acomodação e o trabalho com a segunda prole que geralmente começa a chegar, os netos. Há sim ainda em nossa sociedade contemporânea alguns resquícios da tradicional.

Para os mais tradicionais,  essa idade simplesmente se resume na idade de ficar esperando os netos chegarem, como se fosse um preparativo para continuar e servir somente de ajuda e não mais de poder continuar sendo protagonista da própria história, ser uma pessoa desejante.

 

Mas o que acontece e, muitas vezes,  as pessoas acabam se esquecendo  é que houve uma transformação aqui no Brasil, com o papel da mulher dentro da economia do país “no Brasil, o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE) chama atenção para essa transformação: Apenas entre 1996 e 1999, a proporção de chefes mulheres em famílias de classe média com presença feminina passou de 9,56% para 12,08% (Pnad-IBGE, 2001, p. 39). Em 3 anos, mulheres chefes de família, que eram 917 mil, passaram para 1.305.000, ocorrendo uma expansão de 42%”.

Pesquisas mais recentes de 2010, mesmo as mulheres que se encontram com seus cônjuges respondem por 22,7% das residências. Agora, quando um só dos pais vivem com os seus dependentes, geralmente são as mulheres, essas respondem por 87,4% dos lares. É mole?

Então gente, há uma grande parte dessas mulheres que atendem e são responsáveis em colocar dindin (dinheiro)  dentro das famílias e sem perceberem já estão passando por essa fase da meia-idade, idade essa que a mulher é associada ao “problema”,  a temática fisiológica, que está associada a questão menopausa. Menopausa que muitas vezes é tratada como se fosse uma doença a ser enfrentada,  uma vez que a mesma é a responsável pela impossibilidade de não mais procriar, e como isso que é tão valorizado na sociedade a maternidade e continuidade das gerações é recebida por essa mulher, que de uma hora para outra passa de mulher ativa, produtiva a mulher vista e que deve se preparar para o envelhecimento? Envelhecimento este que está, infelizmente, na mente das maioria das pessoas associado a uma finitude.

Juntamente com essa questão, aparece no mesmo período, as grandes mudanças dentro das famílias: o afastamento dos filhos, a sua própria aposentadoria, o cuidado com os pais idosos, aposentadoria do marido, e as vezes lidar com viuvez e separação, junto a isso a instabilidade econômica e a sobrevivência em um mercado de trabalho que, mesmo sabendo da competência dessas mulheres que estão no auge de suas profissões, as vezes são preteridas em função da famosa boa aparência e em função da cultura ocidental onde se valoriza a juventude.

Ideias de maquiagem par senhoras de 50 anos passo a passo

De acordo com Del Priore, 2000, citada no artigo que se encontra na referencia abaixo, cita que 1/5 da população feminina do Brasil pode vivenciar essa etapa da vida, “com consequências biológicas, psicológicas e sociais. E, conforme nosso processo histórico (…) essas mulheres estarão atuando fortemente na transformação de nossa sociedade”.

Nas sociedades orientais essa passagem do tempo se torna mais fácil, tanto para os homens, quanto para as mulheres, uma vez que nessas sociedades o fator idade e envelhecimento naturais são valorizados, uma vez que passam a contribuir para a formação dos mais jovens. A sabedoria do idoso é muito valorizada.

Já, na sociedade brasileira, que tem assumido os valores característicos da pós-modernidade ocidental, como o culto a juventude, a descartabilidade de objetos, o consumo desenfreado de bens e até mesmo de relações, onde a quantidade é mais valorizada do que a qualidade e o valor somente é dado a quem está em processo de produção continua, entrar na meia-idade no processo de envelhecimento se torna algo muito difícil para essa geração. E aí a busca desesperada para a eterna juventude, com gastos exorbitantes e resultados nem sempre tão esperados. (plasticas, procedimentos estéticos) esperando com isso um olhar ou manutenção do outro e continuidade do que foram um dia.  Isso tem sim a ver, e não deixa de ser importante para a auto-estima, poder se cuidar, poder melhorar a sua aparência, mas e as demais questões que os outros não veem e somente os mais próximos são capazes de descrever, as mudanças que em alguns casos, as mulheres maduras e meia-idade não dão conta de elaborar sozinhas).

Observamos no dia a dia, nas noticias de jornais o grande número de idosos em nosso país que a todo tempo estão sendo desrespeitados e mesmo com a criação do estatuto do idoso, as leis não são cumpridas com relação a essa população idosa. Comento as vezes, com a minha mãe, para que ela fique bem atenta e seu cuide, pois é sim cobaia de uma sociedade que ainda não sabe lidar com os idosos como eles merecem e precisam, que o brasileiro, infelizmente não foi preparado e nem sabe lidar com as pessoas idosas que estão presentes hoje em nossa sociedade.  O Brasil não se preparou para os avanços da medicina, onde a idade média do brasileiro aumentou. A população envelheceu e está ai, mas o país não está suficientemente preparado para dar uma qualidade para as pessoas de idade e a outra geração, a chamada meia-idade, estão ainda necessitando produzir para dar conta do sustento da casa e ao mesmo tempo tendo que assumir o cuidado com seus idosos, uma vez que o governo não possibilita um atendimento adequado. Assim, os ditos meia-idade do país enfrentam hoje uma tensão dos dois lados: Cuidar dos idosos da família e encaminhar os jovens, em um país onde as oportunidades estão cada vez mais escassas.

59 anos

 

A mulher ou até mesmo o homem de meia-idade que ainda se encontra produtivo, ou prestes a aposentar com essa visão do que lhes espera no futuro, já o faz passar por questionamentos que os levam muitas vezes a doenças indesejadas ou problemas psíquicos, como o estresse, a famosa depressão, a pressão alta, o diabetes, crises de pânico. E a mulher, começa então a fazer parte dessa estatística de doenças adquiridas muitas vezes, pelo aumento de solicitações intensa em uma idade que antes já poderia realmente estar pensando em um possível descanso.  A mulher  mais velha por aqui em nosso país, ainda tem um agravante,  é mais desqualificada ainda que os homens.

Essa fase da meia-idade “Trata-se de um momento de vida onde as mulheres lidam com o limite das possibilidades vitais: o processo do envelhecimento, marcado fortemente pelas transformações corporais, se impõe por meio das limitações implícitas às realizações pessoais até então possíveis, apontando para a finitude. Na impossibilidade de Ser, muitas mulheres da meia-idade se vêem abaladas na capacidade de Fazer, de atuar no mundo de maneira saudável”.

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O que se observa é que estão chegando na meia-idade aquelas mulheres,  que foram também pioneiras em trabalhar fora, em produzir na sociedade e que agora a possibilidade de retornar para casa, sair do mercado de trabalho e ficar esperando os netos chegarem é algo que as assustam. Algumas, pelo fato de estar diante de não terem “o que fazer” solicitam aos filhos que lhes deem o mais rápido possível netos para que possam cuidar, e o pior que tem filhos atendendo esses desejos dos pais e não os deles próprios, muito cuidado nessa hora…

Quando você para e pensa, 50 anos e você podendo chegar aos 100, haja visto a grande quantidade de centenários que a cada ano aumentam as estatísticas, parar e esperar é mesmo um momento desesperador. Notamos assim, que há uma certa inquietude nessa geração de meia-idade e que muitas vezes por não ter um tratamento adequado, começam a utilização medicamentosa e as famosas doenças psicossomáticas.

Tá, ai você pode estar perguntando: Essa é a cruel realidade do nosso país e o que podemos fazer com isso?

E eu te respondo, como eu penso e tento agir diante de tudo isso e cada uma de nós terá que pensar e achar a melhor forma de lidar com essas questões:

  1. Tentar ser o mais verdadeiro(a) possível com você próprio;
  2. não fazer de conta que isso não é com você;
  3. ver e questionar o que se pretende daqui para frente;
  4. tentar não fazer das visitas ao médico e diversos exames uma justificativa para se ter o que fazer;
  5. não deixar que o fator menopausa, que infelizmente aqui no brasil a tratam como se fosse uma doença, te coloque em uma situação de incapacidade;
  6. em vez disso troque essas escolhas, por caminhadas, por uma boa alimentação, por alguma viagem que seja curta, uma pescaria, uma aprendizagem de algo que nunca imaginou querer fazer, um curso de qualquer coisa que ainda não saiba fazer, uma forma que você ache para relaxar, uma visita a uma amiga;
  7. comece a se organizar,  rever e pensar em que tudo que fez ou deixou de fazer na vida, se agora poderá retomar e ter um tempo para você;
  8. pense que você não é insubstituível e vai demonstrando para os mais velhos e também para os mais novos que você também pode sim se cansar;
  9. Pense que esses anos de agora em diante são os que te restam para poder fazer ainda o que gostaria, pois daqui para frente amiga cada ano o negócio vai pegando, você sabe bem o que estou dizendo, não vai dizer que com você isso é diferente, porque na média, somos todos parecidos, não minta para você mesma (kkk);
  10. Tente não ser tão controladora e centralizadora, isso se pensar bem tem mais desvantagens do que vantagens;
  11. Se tem situações em que está cuidando dos mais velhos, coloque limites também e faça os lembrar que eles já passaram por sua idade; Algumas pessoas mais velhas tem uma tendência a serem mais egoístas com a idade; se está achando que só sobrou para você, chame as demais pessoas da família e coloque a situação e divida as tarefas;
  12. Se organize para ver o que se tem para hoje, pois o tempo não será mesmo suficiente para fazer tudo que é necessário, se permita deixar para depois;
  13. Observe o que se ganha nessa idade, que é a independência de pensamentos, se vista da forma que você quer, mais confortável possível, use o cabelo do tamanho que você deseja, da cor que você quer, quem disse que depois dos 50 tem que ter cabelos curtos por exemplo? tente sair dos esteriótipos que a sociedade impõe e nem sempre são os seus próprios;
  14.  não tente mudar os outros, porque não mudam mesmo. Tente mudar você. Se não consegue ou está difícil, tente uma análise pessoal. Se não tem dinheiro para isso, procure nas universidades próximo a você que as vezes tem atendimento nessa área para população; ou deixe de comprar mais um sapato, mais uma blusinha que não vai preencher sua insatisfação e vai ver o que você precisa ver de perto; ver a sua verdade;
  15. Não faça tudo sozinha, achando que alguém vai ver e te recompensar. Não vê. Por isso se proteja e se respeite e coloque limites;
  16. É possível sim na meia-idade curtir, ainda que não totalmente como você quer, mas aos poucos você vai encontrando o seu espaço;
  17. Conforme você vai encontrando o seu espaço, vai se tornando mais leve para você mesma ou para os outros, senão seremos as famosas velhas chatas e insuportáveis, reclamonas, (kkk); isso se não forem chamadas de estressadas e ainda ter que ouvir que é a menopausa;
  18. Imagine escutar uma conversa de seus filhos (as) sobre a gente, o que será que estariam falando? (kkk)

Quanto aos familiares, ter o cuidado com essa fase da mulher madura. Geralmente como é difícil encarar essa fase, há uma tendência em achar que o outro envelhece e que as limitações que começam a surgir só pertencem aos outros que não ela (e) próprio e aí há uma disputa interna com aquilo que pensa e aquilo que se apresenta na realidade, que são sim as limitações que a idade vai proporcionando.

“Marraccini (1999) também procurou ouvir outros profissionais da área de saúde que lidam com o público alvo: ginecologistas, endocrinologistas, nutricionistas. Estes confirmaram a importância de uma abordagem multidisciplinar, com a presença de psicólogos, na busca de um atendimento eficaz para a mulher dessa faixa etária”.

No final da menopausa vem se tornando comum para alguns profissionais associar esse fator a uma depressão nas mulheres dessa idade, e a introdução de medicamentos antidepressivos em função dessas mudanças ocorridas, quando na verdade essa mulher precisa sim de um lugar onde possa ser ouvida as suas questões, suas angustias, suas perdas para que possa elaborar uma nova fase em suas vidas que se aproximam e que podem sim ser aproveitada de uma maneira mais leve, e canalizada para outros tipos de produção, produções que lhe tragam prazer, mas nem sempre ela sozinha consegue operar com todas essas mudanças, por isso a busca de um profissional competente talvez seja o melhor caminho.

 

72 anos

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83 anos

E acima de tudo, só tem um ditado que sempre digo que vale a pena a cada idade que completamos: “É melhor ficar velho do que morrer novo”. Agora se pudermos pensar a respeito e diminuir um pouco a carga, por que não?

Ser então mulher madura ou meia-idade? Os nomes que nos dão não faz a maior diferença, o que importa é o que pensamos sobre isso. Ser madura ou meia-idade mas, inteligente e competente para continuar fazendo mil e uma coisas, bastando para isso pensar, querer e começar. Depois que der o primeiro passo na sua escolha, vai ver que o bicho não é tão grande assim.

As fotos são todas da internet disponíveis no google. E as mulheres de meia-idade ou mais, com o maior pique para a vida. Temos que nos inspirar em mulheres como essas das fotos. E por que não você?

Era isso por hoje gente,

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vinda por aqui.

Um abraço.

Referencias:

http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-10-31/mulheres-chefiam-38-dos-lares-brasileiros-aponta-ibge.html

http://www.scielo.br/pdf/prc/v17n2/22470.pdf