Você conhece a história do dinheiro?

Oi Gente

O objetivo do post é dividir aqui com você um pouco sobre a história do dinheiro. Como surgiu e como tudo isso começou. Saiba um pouco por aqui …

Lendo o Livro  Sapiens – Uma Breve história da humanidade de Yuval Noah Harari, cheguei em um capítulo que nos fala um pouco sobre essa história. Achei interessante e resolvi trazer aqui no blog para dividir com você.

Como essa história de dinheiro começou?

Imaginem na época dos predadores e caçadores, onde cada um tinha que lutar  pela sua sobrevivência e, embora não houvesse a necessidade de tantos bens, havia já a troca entre eles de produtos que alguns coletavam e trocavam com os outros por produtos que não possuíam.

A revolução agrícola

Quando surge a agricultura, onde os povos começam a se reunir em comunidades e, geralmente, próximo a um rio,  começam a plantar seus próprios alimentos.

Nesse momento, com comunidades pequenas, onde todos se conheciam, surge o escambo, ou seja, troca de produtos entre as pessoas. Se eu planto maças e o outro faz sapatos com o couro da caça é hora de lhe oferecer algumas maçãs em trocas de um par de sapato, e assim, também com situações diferentes.

Mas o tempo foi passando, as cidades se formando, as populações aumentando e como fariam para trocar os produtos?  Como saber o preço de cada produto e como realizar as trocas se nem sempre a pessoa que fazia os sapatos, precisava de tanta maçã ou qualquer outro tipo repetido de produtos para troca?

Como nos fala Harari, “ muitas coisas de valor não podem ser guardadas – como tempo ou beleza. Algumas coisas podem ser armazenadas somente por um breve período como morangos. Outras são mais duráveis, mas ocupam muito espaço e exigem cuidados e instalações custosas”. Pg 187

 

Conchas de Cauri que já foi uma das primeiras formas de dinheiro

Na realidade, um fazendeiro não tinha como levar sua plantação ou sua casa para realizar qualquer troca.  “Quando um fazendeiro abastado vendeu suas posses por um saco de conchas de cauri e viajou com elas para outra província, confiou que, ao chegar em seu destino, outras pessoas estariam dispostas a lhe vender arroz, casas e campos em troca de conchas. O dinheiro é o mais universal e mais eficiente sistema de confiança mútua já inventado”. Pg. 188

Mas como surgiu as primeiras formas de dinheiro?

Segundo Harari, quando surgiram as primeiras formas de dinheiro, as pessoas não tinham esse tipo de confiança, era necessário definir como dinheiro coisas que tinham valor real íntrinseco.

grãos de cevada

A primeira forma de dinheiro conhecida na história foram os grãos de cevada sumérios. Foi por volta do ano 3000 a.C., na Suméria, bem na época, também, do aparecimento da escrita.

A escrita se desenvolveu como forma de atender as necessidades de administração e o dinheiro se desenvolveu para atender as necessidades das atividades econômicas.

A cevada era medida de forma mais comum em uma sila, que equivalia ao tamanho de 1 litro. Assim, se fabricavam várias silas para que pudessem guardar e transportar as cevadas. Para se ter uma ideia, os trabalhadores também recebiam os seus salários através de silas. Os homens 60 silas por mês e as mulheres 30 silas. (Olha a injustiça já naquela época).

A cevada tinha um valor biológico pois as pessoas poderiam se alimentar delas. Mas o seu transporte e armazenamento também estavam cada vez mais difíceis e, conforme fosse o volume ganho de cevadas, como no caso dos capatazes que chegavam a ganhar 1000 silas de cevada, não dariam conta de comê-las.

O avanço verdadeiro na história do dinheiro se deu na Mesopotâmia, em meados do terceiro milênio a.C.. As dificuldades de transporte e armazenamento da cevada, fizeram com que as pessoas passassem a confiar em um dinheiro desprovido de valor inerente. Surge então o Siclo da prata.

Como foi o Siclo da Prata?

Segundo Harari, “o siclo de prata não era uma moeda, e sim 8,33 gramas de prata. Quando o Código de Hamurabi declarou que um homem que matasse uma escreva deveria pagar 20 siclos ao dono dela, isso significava que ele teria que pagar 166 gramas de prata, não 20 moedas. A maioria dos termos monetários do Antigo Testamento são expressos em prata, e não em moedas. Os irmãos de José o venderam aos ismaelitas por 20 siclos, ou 166 gramas de prata (o mesmo preço de uma escrava – afinal ele era jovem).”p. 189

Após essa fase do Siclo da Prata, os pesos padronizados de metais preciosos foram os precursores da origem das moedas.

O surgimento das moedas

É interessante pensar como se chegaram a produção das moedas. Foi por volta de 640 a.C., pelo rei Aliates da Lídia, no oeste da Anatólia, onde foram criadas as primeiras moedas da história.

Primeiramente, o peso das moedas era padronizado. Elas eram feitas de ouro e prata e nelas estavam gravadas uma marca de identificação.  “A marca atestava duas coisas. Primeiro, indicava quanto metal precioso havia na moeda. Segundo, identificava a autoridade que emitiu a moeda e que garantia seu conteúdo. Quase todas as moedas em uso hoje são descendentes das moedas lídias”. p. 190

As marcas de identificação dava aqueles que as recebiam a certeza do peso correto e da autenticidade de sua origem. E o mais importante, a marca registrada na moeda garantia o seu valor, pois a assinatura nela era de alguma autoridade política.

Ao longo da história, o tamanho e formato da moeda variaram muito, mas elas carregavam a mesma importante mensagem: “Eu, o grande rei Fulano de Tal, dou minha palavra de que esse disco de metal contém exatamente cinco gramas de outro. Se alguém ousar falsificar essa moeda, significa que está falsificando minha própria assinatura, o que seria uma mancha em minha reputação. Punirei tal crime com extrema severidade”. p. 190. Qualquer tipo de falsificação era punido com tortura e morte, pois estaria quebrando a soberania, era um ato de subversão contra o poder, os privilégios e a pessoa do rei.

O denário Romano

O denário Romano era uma das moedas mais bem aceitas nas trocas comerciais, pois confiavam no poder e integridade do Imperador Romano, pois a sua imagem adornavam as moedas.

Só como curiosidade a palavra que conhecemos hoje em português como dinheiro vem do latim “denarios”, em espanhol “dinero”e em italiano “denaro”. 

Essas moedas eram tão respeitadas e fortes que a sua confiança ia além das fronteiras do Império. “O nome denário se tornou uma denominação genérica para moedas. Califas muçulmanos adaptaram o nome ao árabe e criaram os “dinares”. Dinar ainda é o nome oficial da moeda da Jordânia, do Iraque, da Sérvia, da Macedônia, da Tunisia e de vários outros países”. p. 191

Esse  modo de cunhar as moedas em estilo lídio se espalhava pelo Mediterrâneo até o oceano Índico, mas na China a forma era diferente, pois utilizavam bronze e lingotes de prata, ouro não marcados. E assim, aos poucos os mercadores e conquistadores foram espalhando pelos quatro cantos do planeta o sistema lídio e o valor do ouro. “No fim da era moderna, o mundo inteiro era uma única zona monetária, primeiro baseada em ouro e prata e depois em algumas moedas como a libra esterlina e o dólar americano”. p. 192

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Sabemos que as culturas dos diferentes países são bem diferentes uns dos outros, se diferem pela língua, crença e até mesmo valores. Mas, o fato de aceitarem a criação do dinheiro como forma de trocas comerciais, acreditando principalmente no valor do ouro e prata, fizeram com que as relações econômicas pudessem acontecer. “(…) o dinheiro é mais tolerante que linguagem, leis estaduais, códigos culturais, crenças religiosas e hábitos sociais. O dinheiro é o único sistema de crenças criado pelos humanos que pode transpor praticamente qualquer abismo cultural e que não discrimina com base em religião, gênero, raça, idade ou orientação sexual. Graças ao dinheiro, até mesmo pessoas que não se conhecem e não confiam umas nas outras são capazes de cooperar de maneira efetiva”. p. 193.

Harari comenta que “é impossível compreender a unificação da humanidade como um processo puramente econômico. Para entender como milhares de culturas isoladas se uniram ao longo do tempo a fim de formar a aldeia global  que existe hoje, devemos levar em consideração o papel do ouro e da prata, mas não podemos ignorar o papel igualmente crucial do aço.”p. 195        

Enfim, fica aqui um pouco da história do dinheiro, como surgiu  e como tudo começou. As vantagens e desvantagens de como evoluiu e como se tratam as relações econômicas e sociais embasadas no dinheiro é algo de muita discussão, mas podemos pensar, também, como imaginar as trocas comerciais sem a criação do dinheiro?

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

Referência:

HARARI, Y. N. – Sapiens – Uma breve História da Humanidade. Tradução de Janaia Marcoantonio, 20 ed. – Porto Alegre – RS: L& PM, 2017