Irlanda – Museu de James Joyce

Oi Gente

O post de hoje se refere a uma visita que realizei ao Museu de James Joyce, considerado um dos melhores escritores do século XX. Foi um romancista, poeta e contista da Irlanda,  com obras memoráveis. Saiba um pouco sobre esse Museu por aqui…

Na minha viagem a Irlanda, acompanhando meu marido em seus trabalhos, tinha a intenção de conhecer esse Museu. Não nos hospedamos em Dublin e sim no Interior da Irlanda, próximo a cidade de Athy.

O tempo era curto e tínhamos duas opções: ou ir para Dublin e conhecer esses dois lugares que era meu desejo: O Museu de James Joyce e a St. Patrick’s Cathedral  ou ir visitar o lugar onde foi gravado algumas cenas do filme Coração Valente que, embora seja a respeito da Escócia, foram realizadas na Irlanda, que era o desejo do marido.

Como tudo não dá, dessa vez acabamos indo para Dublin e, quem sabe em outra oportunidade, poderemos visitar esse lugar que dizem ser maravilhoso.  

Enfim,  aproveitamos uma manhã para passar em Dublin e conhecer esse museu e a famosa Igreja de St. Patrick’s Catedral, a qual pretendo fazer um post para dividir aqui com você. Primeiramente, vou escrever abaixo um pouco sobre James Joyce e, após, sobre o seu Museu, intercalando algumas fotos que fiz por lá. ok?

Quem foi James Joyce? (1882-1941)

 

Em seu museu está uma pequena descrição sobre Joyce, onde fiz a tradução abaixo, com algumas informações a mais, de uma resumida biografia. Seu nome completo é James Augustine Aloysius Joyce.

James Joyce é reconhecido como um dos escritores mais importantes do seu século. Nascido em 41 Brighton Square, em Rathgar, em 02 de fevereiro de 1982, ele era o filho mais velho de um gastador que trouxe sua grande família da prosperidade para a pobreza.

Ele foi para o internato aos 06 anos, recebendo sua base educacional com padres jesuítas  e após algum tempo, com a perda do emprego do pai, Joyce deixa a escola e vai morar com a família em um bairro mais pobre de Dublin, com seus 9 irmãos. Era o mais velho de seus irmãos. Uma virada em sua vida, embora entre os 10 irmãos era ele quem recebia os mimos do pai.

Sua educação no Clongowes Wood College, no Belvedere College e no Univesity College, em Dublin, é lembrada em seu romance autobiográfico“Um retrato do artista quando jovem” ( seu primeiro romance, publicado em 1916).

Como estudante, ele resolveu dedicar sua vida à sua arte. Impressionado pelos grandes escritores europeus como Ibsen e Hauptmann, ele achou o movimento literário irlandês muito paroquial para seu gosto. Língua, religião e nacionalidade foram vistas por Joyce como redes lançadas em sua alma, e ele fugiu para Paris em 1902 para estudar medicina, apenas para retornar no ano seguinte para atender sua mãe em sua doença final.

A esquerda Nora que se tornou sua esposa e tiveram 2 filhos, nascidos em 1905 e 1907. Após a Morte de James, em 1941, Nora se mudou para Zurich onde faleceu em 10 de abril de 1951.

A foto da direita refere-se a Harriet Shaw Weaver (1876 a 1961) que generosamente subsidiou obras de Joyce.

1904 foi um ano especial para Joyce. O primeiro de seus contos foi publicado em The Irish Homestead e ele começou a trabalhar em seu livro de poemas, Chamber Music, e em seu livro autobiográfico. Em junho daquele ano ele conheceu sua futura esposa, Nora Barnacle, e o casal deixou Dublin em outubro para passar o resto de sua vida no continente.

Os Joyces viveram inicialmente em Trieste, onde nasceram seus dois filhos Giorgio e Lucia. O dinheiro que Joyce ganhava com o ensino não correspondia aos seus padrões de estratagema e tornou-se um especialista em empréstimo. Ele revisitou Dublin em 1909 e 1912, mas após a recusa de Maunsel de ir adiante com a publicação de seu livro de contos, Dubliners, ele nunca mais voltou. Dubliners foi publicado  por Grant Richards em Londres em 1914.

A sorte de Joyce melhorou quando ele se mudou para Zurique em 1915. Subsídios de patronos – especialmente a generosa Harriet Weaver – e fundos oficiais permitiram que ele dedicasse mais tempo à escrita e com a ajuda de Ezra Pound ele publicou um Retrato em 1916.

Os primeiros capítulos de Ulisses foram publicados em forma de série, mas devido à franqueza de suas referências às funções corporais, o livro foi proibido na Grã-Bretanha e nos EUA.

Joyce fixou residência em Paris em 1920 e encontrou uma editora – Sylvia Beach of Shakespeare and Company – para Ulisses. Em sua aparição em 1922, o romance foi recebido com coros de aclamação e hostilidade, enquanto em Dublin, cujos cidadãos, ruas, lojas e línguas formaram o material do livro, ele foi recebido com vergonha.

Foi até 1934 que Ulisses pôde ser publicado e vendido nos EUA e posteriormente na Grã-Bretanha. Na Irlanda, onde nunca foi oficialmente proibido, permaneceu como uma obra-prima subterrânea até a década de 1950.

Joyce passou dezessete anos em seu último e mais complexo trabalho, Finnegans Wake, que, como Ulysses, era inteiramente baseado em sua cidade natal. Atormentado pela doença e pela falta de visão, ele evitava a  publicidade e passou seu tempo com sua família e alguns amigos próximos, incluindo Paul Léon, que agia como seu secretário e cuidava de seus assuntos de negócios. Finnegans Wake foi publicado em 1939, pouco antes do início da guerra. Cansado e doente, Joyce levou sua família para um refúgio em Vichy e providenciou seus vistos de saída para a Suíça. Em 13 de janeiro de 1941, ele morreu em Zurique de peritonite causada por uma úlcera estomacal.

James Joyce na literatura é comparado a Picasso na arte, ou seja, um escritor com uma inovação na forma de sua escrita.

Caso queira mais detalhes sobre sua biografia, nesse site aqui, você poderá complementar sua leitura. E, a seguir, sobre o seu Museu.

O Museu James Joyce

 

O museu não fica bem na parte central de Dublin e sim em Sandycove, subúrbio à beira-mar onde está a famosa Torre Martello, onde o escritor James Joyce permaneceu por lá durante uma semana, a convite do poeta Oliver St. John Gogarty. O lugar é muito bonito bem ao alto com uma vista maravilhosa e é ali que está o situado o Museu de James Joyce. 

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A cena de abertura do Ulisses de Joyce está nesta torre. Agora abriga um pequeno museu Joyceano, aberto no verão. O Bloomsday é celebrado em Sandycove em homenagem a Joyce no dia 16 de junho de cada ano.

As informações aqui descritas foram obtidas através de uma transcrição do folder que apresenta o Museu ao seus visitantes. ok?

Sobre a Torre Martelo em Sandycove

 

A Torre Martelo em Sandycove foi construída em 1804, como parte de uma série de torres projetadas para defesa contra a invasão francesa de Napoleão. Originalmente, entrava-se na torre por uma escada e por uma pesada porta metálica, 3,65 metros acima do térreo. As paredes tem 2,43 metros de espessura. A plataforma de armas se localiza no topo da torre.

Antigamente, um grande canhão girava a partir do centro e suas rodas deslizavam por trilhos visíveis ainda hoje. As balas do canhão eram aquecidas num forno no topo da escada em espiral.

 

A torre e o depósito de armas contíguo foram ocupados pelo Exército até 1897. Em 1904 Oliver St. John Gogarty, então um estudante de medicina, mas já bastante conhecido como poeta e crítico, foi o primeiro inquilino civil da torre. Durante a sua permanência, a Torre recebeu a visita de importantes personalidades do mundo literário.

Em 1962, Sylvia Beach, Editora de Ulysses, inaugurou ali o Museu James Joyce. Atualmente a Torre é de propriedade de Faílte Ireland que a administra com o apoio de voluntários dos Amigos da Torre de Joyce.

 

A ESTADA DE JOYCE NA TORRE

 

Quando, em agosto de 1904, Oliver St. John Gogarty fixou residência na Torre, convidou James Joyce para lá se hospedar. Joyce tinha 22 anos e começava sua carreira de escritor. Estava escrevendo um poema intitulado “The Holy Office” (O Ofício Sagrado), uma catilinária que atacava seus contemporâneos literatos em Dublin e demonstrava em relação a eles independência e desprezo. O próprio Gogarty foi acusado de esnobismo no poema e por isto Joyce foi recebido com frieza quando finalmente chegou em 9 de setembro. Provavelmente, Gogarty permitiu que Joyce ficasse receoso do que ele pudesse escrever sobre si.

 

 

Alguns dias depois, Samuel Chenevix Trench, um amigo anglo-irlandês de Gogarty juntou-se aos dois. Sem dúvida, Trench, que insistia em falar irlandes apesar de seu forte sotaque de Oxford, aumentou a tensão na torre.

Na sexta a noite da estada de Joyce na torre, Trench teve um pesadelo com uma pantera negra. Com um grito, agarrou sua pistola e atirou algumas vezes em direção a lareira e adormeceu de novo. Gogarty, pegou a pistola e gritou. “Deixe ele para mim” e atirou nas panelas que estavam na prateleira sobre a cama de Joyce.  Joyce entendeu a mensagem e abandonou a torre para nunca mais voltar. Um mês depois, ele e Nora Barnacle fugiram para a Europa, para começar uma vida de auto-exílio.

 

ULYSSES

A novela de Joyce, Ulysses, criou a fama da torre. A cena inicial se passa na parte superior da torre, com o “gordo e imponente Buck Mulligan”vindo do alto da escada. Ele se barbeia ao ar livre e quando Stephen Dedalus chega, trata-o com desdém pelo luto prolongado da morte da mãe.

 

O episódio 1 continua descrevendo a Sala Circular onde Buck Mulligan (Gogarty), Stephen Dedalus (Joyce) e Haines (Trench) tomam o café da manhã. A descrição dessa cena, as memórias deixadas por Gogarty e por alguns de seus visitantes assim como os documentos do contrato de aluguel orientaram a reconstrução da sala como evocada em Ulysses.

O MUSEU

A sala de exposição do Museu James Joyce contém a maior parte da coleção do museu, incluindo um busto em gesso de James Joyce do artista Milton Hebald. Nas paredes estão expostas pinturas inspiradas por Joyce e sua obra, bem como fotografias de Joyce, sua família e amigos.

 

Também estão expostas as primeiras edições de várias obras de Joyce, inclusive o original de Ulysses publicado por Shakespeare and Company em 1932 e uma edição de luxo ilustrada por Matisse.

 

Faz parte ainda da coleção uma página do manuscrito original de Finnegans Wake.

 

A vitrine no depósito de pólvora contém alguns dos objetos pessoais de Joyce tais como seu colete de caça bordado pela avó, seu violão e a gravata que deu de presente a Beckett.

 

 

 

 

No depósito de pólvora se encontra também uma das duas máscaras funerárias de Joyce, em gesso, feita pelo escultor Paul Speck. Há ainda uma cópia em bronze da máscara em gesso.

 

 

 

Se preferir ver em vídeo o Museu, fiz também por lá um pequeno vídeo que publiquei no meu canal do Youtube, fique a vontade para visualizar. E se você curte ver vídeos, comecei um canal no youtube onde tenho postados alguns e te convido a se inscrever por lá. 

 

 

Por que quiz muito conhecer o Museu de James Joyce?

James Joyce foi estudado por Lacan, o qual escreveu um Seminário de número 23 sobre o mesmo. Ainda não estudei esse seminário de Lacan e nem li ainda as obras de James Joyce, mas está na lista de minhas próximas leituras, pois enquanto alguns o consideram um psicótico pela forma de se expressar em sua linguagem, na realidade, a sua forma de escrever e de se expressar, de acordo com alguns psicanalistas que leram e estudaram a sua obra, pode-se dizer que, pelo contrário,  foi a “saída criativa e produtiva” encontrada por Joyce para que não fosse um psicótico. Ainda espero falar aqui sobre esse assunto, quando estiver mais embasada a respeito. ok?

Enfim, ainda sobre o Museu, quero deixar aqui a informação que a sua manutenção é feita praticamente de doações por colaboradores e voluntários que se dedicam a manter a história desse importante escritor Irlandês. Falando em voluntários, fomos recepcionados por uma senhora muito querida, conhecedora de detalhes do museu, que nos acompanhou na visita e quero de coração agradecer e parabenizá-la pelo seu trabalho voluntário realizado com tanto profissionalismo e acolhida aos visitantes do Museu de James Joyce.

Se você gosta de Museu, assim como eu, vou deixar algumas sugestões aqui para você acessar, entre outros que estão no blog ok? E se não gosta muito de ler e prefere vídeo, pode acessar meu canal no Youtube, e se inscever por lá,  por aqui também.

Visita ao Museu de Freud em Londres

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Ferryboat Berkeley de 1898 – Museu Marítimo de San Diego

Museu Ballenberg – um museu a céu aberto na Suiça – na cidade de Brienz

Museu de Johnny Cash em Nashville em Tennessee – EUA

Itália – Museu della tortura em Volterra na Toscana

Museu da Baronesa da Cidade de Pelotas – RS

Museu da Coca-Cola (World of Coca-Cola) em Atlanta – EUA

 

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.