30 anos de casamento, como é isso?

Oi Gente

Hoje o post é sobre esse assunto que tem tantas opiniões a respeito e é motivo de vários estudos. Pois é, hoje estou completando 30 anos de casada, e com o mesmo marido, kkk E com essa experiência e três filhos desse casamento, resolvi postar aqui sobre o que penso a respeito de casamento, embasado na minha experiência. Até porque sobre casamento cada um sabe bem como é o seu.

Não gosto, já comentei por aqui sobre isso,  das palavras sempre, nunca, todo mundo, pois toda e qualquer opinião é única e não podia ser diferente, reflete o que cada um vivencia. E a partir de uma experiência única  ou, até mesmo, várias experiências parecidas como sendo uma verdade, não sou a favor disso. Trabalhamos sim com probabilidades, mas probabilidades sempre há as margens de erro, não é mesmo?

Então, como ficar 30 anos casada  em um momento da história em que o casamento, ou o estar casados, até parece algo de antiguidade. Então vamos lá.

Eu penso que um casamento é algo assim:  duas pessoas se escolhem em determinado momento de suas vidas e, por afinidades, ou por um grande número de afinidades e de pensar a respeito de como conduzir a vida resolvem então fazer um contrato. Um contrato onde a maior testemunha não serão os padrinhos de casamento ou quem vai ou não assinar os papeis, isso são só papéis e burocracia exigidas pelo mundo civil. São importantes, são sim, fazem parte da cultura e também uma forma de proteger o casal e a família de tudo o que constroem juntos.

Mas, tem sempre um mas,  a maior e mais importante testemunha desse contrato é a palavrinha AMOR que fez com que um dia esses dois seres humanos, vindos de famílias e constituição tão diferentes, se encontrassem, pintasse um clima, que é muito importante também, e de encontros e mais encontros, resolvessem chegar ao momento de firmar esse compromisso através de um contrato entre os dois.

Afirmar que esse contrato tem por obrigação durar o resto da vida, quem pode dizer isso? Não acredito nisso, até porque durante os anos de uma vida, o que lá atras era o que levaram os dois a firmarem esse contrato, poderá ir mudando com o tempo até ao ponto de chegarem a conclusão que não faz mais sentido permanecerem nesse encontro falido. Por isso, entre um casal, a história é deles, a vida é deles, e esse contrato pertencem somente aos dois e são eles que poderão dizer sobre cada clausula que continuam fazendo parte desse contrato ou de cada clausula que já deixou de representar a vontade dos dois.

No nosso casamento, especificamente, sempre tivemos uma cláusula entre a gente que achamos importante:  é que independente de todos em nossa volta, até mesmo dos filhos que vieram desse casamento, o nosso pacto é com nós dois. A nossa história e nossa união pertencem a nós dois e muitas e muitas vezes tivemos que sentar e conversar e lembrar um ao outro sobre cláusulas que vinham sendo esquecidas e um cede aqui outro cede ali e, assim os anos foram se passando e vamos construindo a nossa história.

Chegaram os filhos, novas clausulas vão sendo incorporadas nesse contrato, agora já não são mais dois e são cinco e o jogo de cintura tem que ser aumentado, sem perder as clausulas mais importantes de ser acima de tudo, companheiros, e poder contar um com o outro para o que der e vier. Como se fosse uma equipe de volei de praia de areia, onde a dupla tem que estar sintonizada para poder passar a bola para frente, as vezes um não entende a jogada do outro, mesmo dando sinais, mas vamos lá temos que levantar e fazer mais alguns pontos…

Casamento então é mil maravilhas? NÃO. Não é mil maravilhas, não é um conto de fadas, não é viajar na maionese, não é tudo lindo e maravilhoso todos os dias. Casamento é desafio, casamento é habilidade, casamento é resignação, casamento é compartilhar, casamento é ceder, casamento, acima de tudo é querer e querer muito estar juntos, embora o meu marido danado viaje bastante. Há quem diga até que é por isso que dá certo, porque sempre estamos com saudades um do outro. Será? Não estar juntos não significa necessariamente não estar perto, estar juntos é você estar tão ligados em pensamentos que quando um está do outro lado do mundo, em outro país e você precisa falar com ele e olha pro telefone, sem saber em que canto do mundo esse danado está nesse momento, pois muitas vezes está em lugares, no campo (ele é agrônomo),   de repente  o telefone toca e é ele que está ligando. Inúmeras vezes vivi essa cena em casa. Acredito muito nessa energia que temos com nossos pensamentos, como ele atrai aquilo que pensamos.

Sempre digo também que amo muito minha sogra, que é a mãe do meu marido, e alguns me perguntam nossa que legal, é difícil isso né? Aí respondo, calma gente, no meu caso tem um detalhe ela mora há 1200 quilômetros de distância. Brincadeiras a parte, pois quem me conhece sabe mesmo que curto muito minha sogra, temos afinidades, mas não precisa necessariamente ser 1200 quilômetros de distância, mas que sogros, sogras, mãe e pai, devem sim deixar o casal respirar e cada um ficar na sua e esperar quando forem chamados, isso é uma verdade muito boa para não atrapalhar a escolha e a história de cada casal.

Não vou mentir para você que muitas vezes um pensamento sobre separação, ou separar, já não passou sim pela minha cabeça, não sei se na dele, até porque isso faz parte quando estamos em qualquer relação e, tem fases que as clausulas ficam um pouco descuidadas, talvez até mesmo por interferências que não dependem do casal em si. Mas é nessa hora, que eu acredito que aquela maior testemunha lá atras, chamada AMOR,  entra em ação e nos lembra de tantas histórias, encontros, parcerias e coisas boas que um casamento trás na vida da gente e assim, pensamos refletimos, renegociamos e atualizamos algumas dessas clausulas e continuamos dentro desse contrato, sempre mais cuidadosos após a cada crise. Por isso nem sempre uma crise é ruim, ela nos ensina muita coisas, principalmente a pensar e refletir.

Temos que ser cuidadosos com nossos pensamentos e sentimentos, pois há uma tendência em valorizarmos o que é ruim em toda história e em todas as relações com outras pessoas, mas esquecemos muitas vezes de ver o quanto tem coisas boas em uma relação a dois  e,  muitas vezes, no julgamento, na pressa, no palpite ou intrometimento de outros,  casamentos são rompidos sem necessidade.

Hoje completamos 30 anos de casado, a tão famosa bodas de pérolas, adoro pérolas ela vai bem em qualquer momento e é tão feminina. Sempre brinquei sobre a data do nosso casamento, 19/04/1986, dizendo assim: Sabe gente, como não tinha nada para fazer no dia 19 de abril, resolvi fazer um programa de índio e casar com o Ademir. Mas, apesar de muitas vezes vivermos literalmente alguns programas de índio, nas nossas aventuras por esse mundo afora e ter trazido  para nossa tribo três lindos indiozinhos que participaram e participam de nossa vida, desses pais que se descobrem a cada momento,  e querem fazer desse mundo um lugar um pouco melhor para se viver, acho que foi um programa bem escolhido lá atrás, pelo menos até hoje.

Não gente, você não vai acreditar  que eu escrevendo aqui, o telefone toca, e quem era? O meu marido, essas coisas são muito interessantes que acontecem com a gente. Ele não está aqui hoje e está na Africa, na Zambia, e lá já é noite e me ligou para falar sobre os nossos 30 anos, acabou de sair de uma palestra que ele acabou de fazer por lá, e também falou, na palestra,  do nosso aniversário de casamento e dos desafios que cada casal enfrenta na história de vida de cada um.

Vamos nos encontrar na sexta feira, em um lugar que depois trago aqui para você novidades de lá.

Com esse post o que queria dizer de verdade que se você que está pensando em dar um passo desses na sua vida, que pensa em casa e tem medo, e fica perdendo tempo de encarar o seu amor, se arrisque, conversem bastante sobre o contrato e as clausulas que pertencem somente a vocês dois e quando embarcarem nessa, sejam acima de tudo, amigos, companheiros, e vão no decorrer da história de cada um cuidando desse contrato e das clausulas que vocês hoje estão escrevendo juntos.  Tenham seus indiozinhos, se realmente for da vontade e do desejo de vocês e na hora de vocês e façam a sua tribo com a maior testemunha sempre por trás de vocês: AMOR.

Agradeço a cada pessoa que fizeram, pois alguns já nos deixaram,  e fazem parte da nossa história, minha e do Ademir, nesses 30 anos de casamento,  nos ajudando, participando, torcendo, compartilhando, criticando, aconselhando, até mesmo fofocando sobre a gente (eu entendo isso faz parte do ser humano). Quero que saibam que todos foram e são muito importantes em nossas vidas, e quero também agradecer a você que tem me prestigiado aqui no nosso blog, digo nosso, pois acredito que aprendemos uns com os outros e aqui no nosso blog tenho conhecido muita gente querida, que acaba se juntando comigo no nosso percurso por essa vida, desafiadora, mas linda para se viver.

Era isso por hoje gente.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço especial a todos.