15 maravilhosas canções brasileiras atemporais

Oi gente

Lendo o livro do Nelson Motta, onde ele traz 101 canções que tocaram o Brasil, resolvi selecionar entre elas 10 canções que, sem dúvida, são atemporais. Mas ao iniciar o post foi impossível conseguir selecionar apenas 10 e aí estão, as 15 músicas que consegui escolher.

Falar de música que é algo muito pessoal, fiquei pensando como escolher algumas que realmente traz em sua letra e sua melodia algo em que acredito que, por sua riqueza, pudessem representar sim o nosso Brasil até os dias de hoje.

Acredito que você, assim como eu que já passou dos 50, provavelmente conheça todas as 15 aqui selecionadas.

Se você que está chegando por aqui, talvez pela primeira vez e seja mais jovem, acredito que é uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre um pouco das nossas riquezas quanto as canções atemporais brasileiras.

Talvez você não concorde comigo, mas fica aqui aberto o espaço para você comentar a respeito. ok? …

  1. Carinhoso – de Pixinguinha e João de Barro

 

Carinhoso é aquela música que a maioria dos brasileiros a conhecem e traz um pouco dessa forma “carinhosa” que nós brasileiros ainda temos essa música foi gravada e cantada por uma quantidade enorme de cantores brasileiros.

Letra da música

Meu coração, não sei por que
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim
 
Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz
 
 Curiosidades sobre essa música

Pixinguinha, cujo nome é Alfredo da Rocha Vianna Filho e viveu de 1897 a 1973, criou a melodia dessa música quando tinha apenas 20 anos, em 1917 e a guardou até 1928 quando decidiu gravar. “Só em 1928, o também flautista, saxofonista, arranjador e maestro finalmente decidiu gravar “Carinhoso”, em disco de 78 rpm lançado pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga”. p. 23

Em 1937, Orlando Silva um cantor famoso naquela época lançou o disco já com a letra feita por João de Barro (Braguinha – Carlos Alberto Ferreira Braga que viveu no período de 1907 – 2006).  Braguinha “carioca de classe média, trocou a faculdade de Arquitetura pela música popular após ter participado do Bando dos Tangarás, ao lado de Noel Rosa e Almirante”. p. 23

 

2. Aquarela do Brasil – Ary Barroso

 

 

Essa música, na voz linda de Gal Costa,  a considero como um segundo hino do nosso querido Brasil. Nas palavras de Nelson Motta “Quase oito décadas após seu surgimento, ela continua sendo um hino informal do Brasil”. p. 1939

Curiosidades sobre essa música

Essa música foi lançada durante o Estado Novo “Lançada em pleno Estado Novo, “Aquarela do Brasil” se encaixou como uma luva à política cultural nacionalista de Getúlio Vargas. Externamente, também ajudou a vender para o mundo o lado mais solar e alegre de um país atrasado e repleto de contradições e injustiças”. p. 30.

Em 1939 foi feita a sua primeira gravação na voz de Francisco Alves (um dos mais populares cantores brasileiros na primeira metade do século XX) e com arranjo orquestral de Radamés Gnattali (arranjador, compositor e pianista gaúcho).

Em 1942 essa música foi incluida em um filme da Disney “filme de animação de Walt Disney, Alô, amigos, em que também estreia nas telas o personagem Zé Carioca, a “Aquarela”começou a dar suas pinceladas pelo mundo na voz de Aloysio de Oliveira”. p. 30

 

3. Asa Branca – Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

 

 

Letra da Música

Quando olhei a terra ardendo
Igual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Depois eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Depois eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Curiosidades sobre essa música

Em 1947 a música Asa Branca foi composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. (…) a partir de um tema folclórico que o sanfoneiro conhecia desde a infância. Após uma década e meia longe, Luiz Gonzaga (1912-1989) tinha visitado à cidade de Exu, no sertão pernambucano, onde nasceu, e, ao retornar ao Rio, mostrou ao parceiro a canção”. 

Essa música que retrata as dificuldades do povo nordestino, enfrentada principalmente pela seca na região, fez com que caísse no gosto do povo brasileiro, trazendo para o sul o ritmo do baião nordestino. Luiz Gonzaga escreveu a letra e “Teixeira mexeu em alguns versos, acrescentou outros, consolidando o lirismo e as fortes imagens da seca que castigava sem tréguas a região e forçava a imigração de  seu povo para o sul. Em ritmo de toada, a música tocou fundo o coração dos brasileiros”. p. 45

4. Eu sei que vou te amar – Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Curiosidades sobre essa música

Essa música, um verdadeiro hino ao amor, foi lançada em 1958 no início da bossa nova. Foi uma das músicas mais gravadas por Tom Jobin e Vinícius de Moraes. “O primeiro registro da música é de Sol Stein e seu Conjunto, no LP Boate em sua casa, Vol. 1 – Encontro no Au Bon Gourmet, em 1958, sem qualquer repercussão”. p. 61

“Somente 35 anos depois, quando finalmente João Gilberto gravou a sua longamente amadurecida versão no disco Ao Vivo-Eu sei que vou te amar (1995), a canção ganhou sua versão definitiva, mais próxima da bossa nova, como já tinha sido antecipado, em 1978, por Caetano Veloso, discípulo aplicado de João Gilberto, no disco Muito”. p.61

É também uma das músicas populares  mais cantadas em casamentos por todo o Brasil.

5. Garota de Ipanema – Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Letra da Música

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela, a menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
Caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo sorrindo
Se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor
Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela, a menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
Caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado
É mais que um poema
É a coisa mais linda
Que eu

Curiosidades sobre essa música

Segundo Nelson Motta, a música Garota de Ipanema “é a música brasileira mais conhecida no mundo, uma das cinco canções mais tocadas de todos os tempos”. pg.70

Essa música surgiu “quando Vinicius de Moraes e Tom Jobim tomavam chope e jogavam conversa fora no Bar Veloso (atual Garota de Ipanema), na esquina da rua Montenegro, em Ipanema – que futuramente seria rebatizada de Vinicius de Moraes -, quando viram passar a jovem Heloisa Eneida, com seu corpo perfeito e um biquíni mínimo, gingando a caminho do mar”. p. 70

A música, depois de pronta, foi apresentada ao público em 2 de agosto de 1962, no Show com o nome de Encontro, realizado na boate Au Bon Gourmet, onde estavam reunidos o “time dos sonhos”da bossa Nova: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e Os Cariocas.

Garota de Ipanema fez sucesso imediato. No ano de 1963 foi gravada na voz do cantor Pery Ribeiro, Os Cariocas e Tamba trio, totalizando 3 gravações inicialmente e no mês de maio, desse mesmo ano,  seria a primeira versão instrumental por Tom Jobim que estreou nos Estados Unidos “no selo de jazz Verve: The Composer of Desafinado Plays.”

No final de 1963 foi lançada sua versão em Inglês, “The girl from Ipanema”, chegando em 1964 ao quinto lugar na lista “pop (a Hot 100) e ao primeiro na de Easy Listening. Em 1965 ganhou o trofeu de Gravação do Ano, na cerimônia do Grammy.

Nelson Motta nos fala, ainda, sobre a versão em inglês de Norma Gimbel: “A versão em inglês de Norman Gimbel carimbou o passaporte para sua viagem sem fim e rendeu alguma discussão entre Tom e o americano. Este não via sentido em manter o nome do bairro/praia até então desconhecido fora dos limites cariocas. Tom bateu o pé, não aceitava transformá-la numa garota de South Beach, Malibu ou qualquer outra chique e famosa dos Estados Unidos. Logo, falantes anglo-saxões aprenderam a cantar Ipanema, assim como franceses, japoneses, turcos, russos, marcianos. O Rio agradece.” 

Devemos essa ao Tom Jobim, de manter a originalidade da música, bem como de propagar as nossas praias e um pouco da cultura, mundo a fora.

Enfim, a música Garota de Ipanema, “se tornou a segunda canção popular mais regravada no mundo, através apenas de “Yesterday”, de uns tais de Lennon & McCartney”.p. 71

6. Trem das 11 – Adoniran Barbosa, 1964

 

Curiosidades sobre essa música

O grupo Demônios da Garoa, onde encontrei no seu site http://www.demoniosdagaroa.com.br/historia.html um pouco de sua história:  (“Na década de 40, os meninos entre 12 e 14 anos de idade, apaixonados por músicas, cantoria e batucada, se encontravam todas as noites após seus trabalhos na casa de Arnaldo, para tocar grandes sucessos da época, imitando grupos famosos, como: Quatro Ases e Um Coringa, Anjos do Inferno, Quitandinha e Serenaders, Vocalistas Tropicais, dentre outros. Arnaldo Rosa (vocal e ritmo), os irmãos Antônio e Benedito Espanha (que marcavam ritmo tocando Tantã e Afoxé), Waldemar Pezuol (no Violão), Zezinho (no Violão Tenor) e Bruno Michelucci (no Pandeiro), costumavam se apresentar em festinhas de amigos, serenatas e em clubes com o nome de Grupo do Luar, já sob o comando de Arnaldo Rosa. Não tinham grandes pretensões, nem recebiam nada em troca, somente os aplausos. De boca em boca, o grupo foi ficando conhecido e pessoas vinham de longe para ouvi-los. Moravam  e trabalhavam na Mooca e em bairros vizinhos, como Brás e Belém,  bairros onde ficaram conhecidos e sua fama se espalhava rapidamente (Arnaldo trabalhava na sapataria de seu pai, e os irmãos Espanha e Bruno, em uma indústria). Depois de muito ensaio e incentivos dos amigos, resolveram se inscrever no Programa de Calouros, da Rádio Bandeirantes, chamado “A Hora da Bomba”, apresentado por J. Antônio D’Avila, em 1943”), foi onde Adoniran Barbosa, cantor, compositor e comediante “teve as vozes dos seus maiores sucessos desde 1951, como Malvina, Joga a Chave, Saudosa Maloca, O samba de Arnesto e o megasucesso Trem das Onze, lançado em 1964.” p. 80

A música Trem das Onze foi composta em 1961, por João Ruinato (Adoniran Barbosa – nome artístico) nascido em 1910 na cidade Valinhos e se estabelecendo em São Paulo, no ano de 1932. Somente após tres anos, em 1964 ela foi lançada pelo grupo Demônios da Garoa. “Em setembro de 1964, o disco explodiu nas rádios do Brasil, encantando o público com sua linguagem “errada”e alcunhado de “Samba do Édipo” pelo verso “minha mãe não dorme enquanto eu não chegar”. Maior sucesso de Adoniran, permitiu que comprasse o sítio onde viveu até o fim da vida, em 1982″. p. 81

Essa é outra música que é um ícone do nosso Brasil.  Sou suspeita, pois adoro samba e essa foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar no violão. E escrevendo por aqui, me lembrei do ano de 1981, quando realizava em minha casa, com amigos queridos, as nossas rodas de samba e essa música estava lá sempre presente. Saudades batendo por aqui (kkk).

O que seria desse mundo sem a música, não é mesmo? E como as canções nos remetem a momentos de nossas vidas, muito legal. Obrigada aos nossos queridos artistas, poetas, por nos presentear com suas produções para deixar nossas vidas com mais alegria e, em muitos casos, transmitir através de suas letras, aquilo que nem sempre somos capazes de expressar.

7. Travessia – Milton Nascimento e Fernando Brant

 

Letra da Música

Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não resisto
Muito tenho pra falar
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço
Com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar…

Curiosidades sobre essa música

Que letra mais linda dessa música de Milton Nascimento. Travessia em 1967 “depois de cinco anos ralando como músico da noite paulista e nos bailes da vida, Milton Nascimento (1942) viu a roda da fortuna girar a seu favor, quando a já popularíssima Elis Regina gravou a sua “Canção do sal”e o encorajou a participar, como intérprete, do II Festival Nacional de Música Popular Brasileira, na Tv Excelsior. Milton se classificou em quarto lugar com  “Cidade Vizinha”(…)  e travessia “foi a primeira parceria de Milton com o mineiro Fernando Brant (1946-2015), que até então nunca tinha escrito letras. 

8. Para não dizer que não falei das flores (Caminhando) – Geraldo Vandré

 

 

Letra da Música

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Curiosidades sobre essa música

Uma música com simples acordes, pois é possível tocá-la com apenas dois, era a intenção dessa canção pelo artista. “Ele queria fazer uma canção direta, com poucos acordes, veículo para a mensagem que pretendia passar. E acertou em cheio”. p. 96

Em setembro de 1968, no auge da ditadura em nosso país, a música Para não dizer que não falei das flores foi apresentada nas eliminatórias de na final do III Festival Internacional da Canção Popular, que aconteceu no dia 29 de setembro no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, levou o segundo lugar.

Geraldo Vandré (paraibano, nascido em 1935) com apenas sua voz e o violão foi acompanhado pelo coro da platéia que lotava o Maracanãzinho. A música também conhecida como “Caminhando” foi adotada por uma parcela esquerdista como um hino de resistência. “A parcela mais esquerdista do público adotou a música do cantor e compositor paraibano como um hino de resistência ao regime, com versos “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, “acreditam nas flores, vencendo canhão”e “há soldados armados, amados ou não, quase todos perdidos de armas na mão”. p. 96

Os militares mais radicais solicitaram a cabeça de Geraldo Vandré e, após a decretação do famoso e triste Ato Institucional de número 5, o cantor foi obrigado a sair de cena. “Após a decretação do Ato Institucional n 5, em 13 de dezembro de 1968, o cantor foi obrigado a sumir de cena. Por quase 3 meses ele se escondeu na casa de amigos, até sair clandestinamente do Brasil, em 1969, para um exílio que se prolongou por quatro anos.”

A música foi censurada e voltando somente na voz de Simone no ano de 1979, no ano da Anistia. Geraldo Vandré retornou ao Brasil, somente em 1973 abandonando sua carreira artística. “Desde então foram raras suas aparições públicas e a única nova canção que lançou, “Fabiana”, era uma homenagem à Força Aérea Brasileira.

9. País Tropical –  Jorge Ben Jor

 

Curiosidades dessa música

Essa música é uma declaração de amor ao nosso país, com um ritmo muito gostoso e que retrata um pouco de nossa cultura de uma forma alegre e divertida.

A música “País Tropical foi primeiro gravada em 1969 pelos tropicalistas Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, que adoravam o estilo de Jorge e tinham sua música como referência do movimento, marcando início da sua volta ao sucesso, incorporando influências do Tropicalismo à sua maneira de compor”. p. 101

Wilson Simonal “também popularizou uma versão alternativa da letra, criada por Jorge, em que as palavras eram cantadas sem a última sílaba, e se tornou mais popular que a versão original: “Mó num pá tropi”se tornou ícone sonoro de um tempo”. p. 101

10. Detalhes – Roberto Carlos e Erasmo Carlos

 

Como não colocar essa música entre as 20 desse post. Detalhes de Roberto Carlos, é simplesmente uma música que uma grande maioria dos brasileiros, possivelmente não apenas a conhece como sabe cantá-la inteira, nos seus mínimos detalhes. É uma das músicas mais esperadas em seus shows. 

Já fiz um post aqui sobre um show que tive a oportunidade de ir.  Cenas de um Show do Roberto Carlos em Maringá  Aí você me pergunta se eu iria mais uma vez em um show do Roberto? Com certeza iria. Confesso que não sou bairrista quando a questão é música, sou bem eclética, independente do gênero, se a letra e o som me agrada curto mesmo.

 

Letra da Música

Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito, muito tempo em sua vida
Eu vou viver.
Detalhes tão pequenos de nós dois
São coisas muito grandes pra esquecer
E a toda hora vão estar presentes
Você vai ver
Se um outro cabeludo aparecer
Na sua rua
E isto lhe trouxer saudades minhas
A culpa é sua
O ronco barulhento do seu carro
A velha calça, desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim
Eu sei que um outro deve estar falando
Ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei
Mas eu duvido
Duvido que ele tenha tanto amor
E até o erros do meu português ruim
E nessa hora você vai, lembrar de mim
E à noite, envolvida no silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura o meu retrato
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você

Curiosidades sobre essa música

No disco lançado por Roberto Carlos (cantor que recebe o apelido de “rei Roberto Carlos”, por sua popularidade no país) no ano de 1971, a música Detalhes foi um marco na carreira do cantor.

“Aos 30 anos, ele começava a deixar para trás o ídolo da Jovem Guarda para se transformar no maior cantor romântico brasileiro. Sucesso popular imediato e até hoje uma das mais amadas pelo seu público, a canção também ganhou aplausos unânimes da crítica, que na época ainda costumava desmerecer e subavaliar a obra de Roberto e Erasmo.” p.108

“Roberto começou a compor “Detalhes”sozinho, numa noite em março de 1971, em São Paulo, onde vivia na época. No dia seguinte, ao ouvir o rascunho que gravara, percebeu que estava diante de algo maior. Animado e ansioso, sem querer perder tempo e o momento da inspiração, ligou para Erasmo Carlos no Rio, que pegou o primeiro voo e naquela mesma tarde terminaram a canção.”p. 108

A canção, valorizada por um “arranjo do maestro americano Jimmy Wisner, e a levada rítmica e a estrutura harmônica de “Detalhes”lançaram um modelo de canção que depois foi infinitamente imitado e explorado no Brasil”. p. 108

11. Metamorfose Ambulante – Raul Seixas

Letra da música

Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator
É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Hoje eu…

Curiosidades sobre essa música

Raul Seixas, cantor baiano, nascido em Salvador em 1945 é considerado um dos maiores representantes do rock and roll brasileiro. Cantor, músico e compositor foi o fundador do primeiro fã clube de Elvis Presley no Brasil. 

“Metamorfose Ambulante é o autorretrato de um artista em eterna revolução interna. É uma carta de intenções anunciando os seus planos de voo livre, apostando nas contradições como uma das chaves para lidar com um mundo também sempre em movimento”.

Essa música de Raul, segundo Nelson Motta, foi a que expressou a Natureza, a atitude e o estilo de Raul, com sua letra confessional, analítica e didática”. p. 125

Fiz um post de uma outra música dele aqui Quando os filhos precisam crescer e amadurecer, onde a sua música “sapato 36” fala da relação de filho e pai.

12. As rosas não falam  – Cartola 

Letra da Música

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim

Curiosidades sobre essa música

“As rosas não falam, um samba lento em clima de choro, lançado em disco por Beth Carvalho, em julho de 1976 e logo em seguida também gravado pelo compositor, é fruto dessa volta por cima do sambista da Mangueira”. A famosa escola de samba de nosso país e a minha preferida Querida Mangueira. p. 133

Cartola nos anos de 1930 e 1940 iniciava sua carreira que tinha tudo para ser promissora. Mas na década seguinte, segundo Nelson Motta, Cartola sumiu durante mais de uma década, tendo sido considerado inclusive como morto.

No ano de 1956, Cartola foi encontrado lavando carros, no bairro Botafogo do Rio de Janeiro, pelo jornalista Sergio Porto que o ajudou levando suas músicas para cantores e produtores.  Com a gravação de Nara Leão, com a música O sol nascerá, Cartola retorna ao sucesso.

13. Romaria – Renato Teixeira

Letra da Música

É de sonho e de pó, o destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó, de gibeira o jiló
Dessa vida cumprida a sol

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

O meu pai foi peão, minha mãe, solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
Em busca de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte eu não sei, nunca vi

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Me disseram, porém, que eu viesse aqui
Pra pedir em romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar, só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Sou caipira, Pirapora nossa
Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Curiosidades sobre essa música

Segundo Nelson Motta, “Nos anos 1970, a música sertaneja vivia em um mundo à parte, era chamada de caipira e restrita ao interior de São Paulo, Minas e Goiás. Longe demais, portanto, do eixo Rio-São Paulo, no qual estavam os principais estúdios e emissoras de rádio e TV e vivia a constelação de astros da canção. Caso de Elis Regina, em 1977, ao lançar essa toada no álbum Elis.”p. 142

Renato Teixeira de Oliveira (nascido em 1945) ganhava a vida como compositor de jingles em São Paulo e, quando conheceu Elis Regina e seu marido César Camargo Mariano, “através de seu irmão Roberto de Oliveira, na época produtor musical de Elis, os dois perceberam de imediato o potencial daquela poderosa canção-prece, ao mesmo tempo de construção refinada e popular, com cheiro de terra e de mato, cantada por um sertanejo em sua jornada de fé a caminho de Aparecida do Norte”.p. 142

A música foi incluída em um disco da MPB (Musica Popular Brasileira), onde só estavam os pesos-pesados da época, como Milton Nascimento, João Bosco, para citar apenas dois. Mas foi a música Romaria que roubou a cena tocando por todo o Brasil.

Uma música como essa, onde retrata a fé do povo brasileiro a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país onde a sua maioria da religião católica, falando da natureza e trazendo a vida rural em uma música, só podia dar nisso. Um sucesso, o que trouxe Renato Teixeira como presente para a nossa música brasileira. Nelson Motta comenta que Romaria “tocou maciçamente em todo o Brasil, antecipando em quase duas décadas a febre sertaneja que se instalou nos anos de 1990 e continua imperando no Brasil do século XXI”.

14. O bêbado e a equilibrista – João Bosco e Aldir Blanc

 

 

Letra da Música

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar

Curiosidades sobre essa música

“No início de 1978, ainda abalado com a morte de Charlie Chaplin no Natal anterior, Bosco mostrou ao parceiro a composição em que vinha trabalhando. Aldir sugeriu que a letra avançasse além da homenagem ao artista e ampliasse o tema para o Brasil. Partindo dos sambas-enredo, trocaram o habitual tom épico pelo lírico, com grande apelo emocional e fortes imagens poéticas, eternizando um momento de transição na vida brasileira”. p. 159

“Com a volta dos exilados, “O Bêbado e a equilibrista” se tornou um hit no aeroporto do Galeão, todos os dias cantada aos gritos enquanto os amigos carregavam nos ombros os que retornavam”. p. 159

15. Deixa a vida me levar – Serginho Meriti e Eri do Cais

Letra da Música

Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez
E deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu
Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz…

Curiosidades sobre essa música

Segundo Nelson Motta, “Em 2002, com o país crescendo em democracia e liberdade e vivendo um grande clima de otimismo nacional, Zeca transformou um estrondoso sucesso “Deixa a vida me levar”, de Serginho Meriti e Eri do Cais. Com sua letra que retratava a luta e a esperança cotidiana do povo e um refrão que tomou conta do país, o samba entrou para a história como o hino do pentacampeonato da Seleção brasileira no Japão”. pg. 209

 

Enfim, o objetivo do post foi trazer aqui para você essas 15 canções que eu selecionei, com a maior dificuldade, entre as 101 que estão no livro do Nelson Motta – 101 canções que tocaram o Brasil da ed. Estação Brasil, 2016. 

Adorei o livro e a seleção das 101.  Entretanto, quando se fala em música brasileira, com a imensa quantidade de todos os gêneros produzidos por aqui, trazer apenas 15 delas é pensar que se trata de um simples  e delicioso “aperitivo”.

Não tem como, em uma hora que resolvemos fazer uma seleção, ficar imparcial. Então, entre as 101 do livro, foram essas as escolhidas que gosto muito, e fazem parte do meu repertório de músicas mais ouvidas e as considero realmente atemporais.

Nietzsche já dizia:  “Sem música a vida não teria sentido”.  Talvez ele tenha até exagerado um pouco, mas imaginar um mundo sem a música penso que poderia criar aqui um outro pensamento: “Sem música a vida seria um tédio e menos divertida”. (Mari Calegari).

Fazendo esse post, em um cenário crítico de nosso país, me possibilitou olhar para as riquezas das nossas músicas brasileiras e pensar na beleza, grandeza e diversidade do nosso país, da nossa cultura, do nosso povo e acreditar que possamos atravessar mais essa fase, lembrando que já superamos tantos desafios em outros tempos.

Um país, ainda jovem como o nosso, faz-se necessário que possamos amadurecer, aprender e conhecer mais aqueles à quem nós escolhemos para administrá-lo. O nosso querido Brasil é nosso, do povo brasileiro e não daqueles que pensam e agem como se fosse sua propriedade privada.

Era isso por hoje.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço

 

 

 

 

 

Referências:

https://www.letras.mus.br

Videos do Youtube.com.br

Nelson Motta, 101 Canções que tocaram o Brasil, Ed. Estação Brasil, 2016