Dica de documentário: Alice a pianista do número 6

Oi Gente

O objetivo do post de hoje é dividir aqui com você uma dica sobre esse documentário: Alice a pianista do número 6. Como gosto muito de piano, o título me chamou a atenção, pois não o conhecia. Assisti e por ter gostado muito resolvi trazer aqui para você, caso ainda não conheça ou não tenha assistido.

Trata-se de uma sobrevivente do Holocausto que conta um pouco da sua trajetória com a música e a sua vida. No documentário ela estava com 109 anos e infelizmente no ano seguinte, com 110 anos, ela veio a falecer em Londres. Foi considerada a mais velha sobrevivente do Holocausto. Saiba um pouco por aqui sobre a sua história…

Alice Herz Sommer, nascida em Praga, em 26 de novembro de 2003, judia, teve sua vida cercada pela música. Teve como amigo de seus pais Gustav Mahler, considerado um dos maiores compositores do período romântico e  Franz Kafka, considerado como um dos escritores mais influentes do século XX. Alice comenta que costumava passear com ele e junto a sua irmã gêmea, quando eles vinham em visita a casa de seus pais.

Antes de seus quatro anos sua mãe a leva em um concerto, em Viena, onde despertaria o seu gosto pela música. Segundo suas palavras “O que se aprende na escola é importante mas, o mais importante, é o que se aprende dentro de casa com os pais”.

Foi filha de um comerciante bem sucedido e de uma mãe de culta onde circulava junto a grandes artistas e escritores renomados em sua época e Alice decide a seguir sua trajetória através do mundo da música se tornando uma concertista e também professora de música.

Durante a sua juventude entre ensaios e concertos conhece um violinista amador inteligente, extraordinário, o qual falava várias línguas e se apaixonou por ele. O seu nome Leopold Sommer e no ano de 1931 se casa com o seu amado noivo.

Com ele teve um filho de nome Rafhael e conta que aos três anos de idade, ao ouvir uma música no gramofone, chorou dizendo que a música era linda demais. Mais tarde seu filho também se dedicou a música. 

Segundo Alice “A música é a primeira das artes, é um sonho, que transporta para paz e harmonia“.

A triste ocasião em que foram levados pelos alemães

No documentário, outras duas amigas de Alice, também sobreviventes do holocausto, que a visitava todos os domingos descrevem o horror daqueles tempos.

Uma de suas amigas descreve o dia 15/03/1939, quando os seus pais chamaram os três filhos e ao fundo como se fosse um terremoto escutavam a entrada dos alemães em sua cidade com os barulhos das motos. Os rádios foram confiscados, os animais foram confiscados e os judeus de Praga eram humilhados.

Todos os judeus de Praga foram levados pelos alemães e sua amiga se lembra que seu pai dizia”Fiquem calmos, pois a nossa calma será a nossa força”.

Assim, seus pais e toda a sua família foram levados, um a um. Alice perde seus pais, irmãos e seu marido. A música fez com que Alice e seu filho não fossem levados a morte, pois os alemães precisavam mostrar ao mundo através deles como eram bem tratados na Alemanhã. Alice tocava tanto para os prisioneiros quanto para os alemães e seu filho cantava em um coral de crianças.

Alice tocava todas as peças de Chopin de cor. Ela compara a música a uma religião, comparada com Deus, o que lhe deu a esperança nos momentos mais difíceis. Diante de tanta atrocidade ela procurava ver a beleza, pois ela ainda sorria naquela situação difícil por ter o privilegio de estar próxima do filho e assim comenta: “Até o ruim é belo quando você decide procurar a beleza”.

Alice ao tocar para os prisioneiros e também para os alemães que a agradeciam pelas músicas, ela pensava: “A música pode te transportar para outro mundo,  mesmo estando no pior lugar desse mundo”.

Uma de suas amigas, todas eram músicas, comenta:   “a sobrevivência dependia de cada atitude de quem estava por lá. Eu nunca pensei e me senti como vítima. A sobrevivência é muito complexa, é algo que você aprende. O importante é estar viva e as suas relações humanas. (…) Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Devemos ser gratos por pessoas que dividiram seu tempo com você”.

Alice e seu filho, após o final da guerra, seguiram para Israel e lá Alice perde seu filho aos 64 anos. Sobre essa morte ela comenta: “ele morreu com 64 anos, embora não soubesse que iria morrer naquele dia. Ele não sabia o que era ser velho, aos 64 anos você ainda não sabe o que é ser velho.”  Acredita que o filho não sofreu com a questão de sua morte, por não saber no dia anterior que morreria no dia seguinte.

Após ter passado e sobrevivido ao holocausto, elas acreditam que tiveram uma nova chance e oportunidade de viver e, por isso, decidiram não ter tempo para qualquer vício ou depressão, segundo suas palavras.

Alice comenta que os jornalistas alemães quando a procuram para alguma entrevista, fazem a pergunta se ela não odeia os alemães. E ela diz que não.

Por que Alice a pianista do número 6?

Alice mudou-se de Israel para um bairro no norte de Londres, onde residia em um apartamento de número 6 e nos últimos anos de sua vida, sentava-se ao piano as 10h00 todos os dias e tocava em torno de três horas por dia, fazendo com que muitos parassem para escutá-la. Assim ficou conhecida como a pianista do número 6.

No documentário, com 109 anos, lúcida e bem humorada com uma visão otimista da vida, essa sobrevivente do Holocausto nos deixou além da sua música muita sabedoria em suas palavras. Existe um livro completo sobre sua trajetória com o nome de “Um século de Sabedoria”, caso tenham interesse em ler mais a respeito.

Infelizmente, como já disse acima, Alice faleceu no ano seguinte com 110 anos, nos deixando alguns relatos de sua trajetória de vida.

Segundo Alice, Bach, Schubert, Betthoven, Chopin, todos de uma beleza beleza incrível, lhe deram a beleza da vida, o que a pode fazê-la feliz.

Enfim gente, fica aqui a dica sobre esse documentário e no youtube você também poderá encontrar alguns vídeos sobre essa linda história de vida e de otimismo perante os desafios da vida. Encontrei esse na versão em Inglês.

 

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.