Dica de filme: Frida e uma análise sobre o mesmo

Oi gente

Hoje como dica de filme trouxe essa maravilha FRIDA que retrata bem a vida dessa pintora mexicana, que muito tem a nos ensinar sobre a garra da luta pela vida. É um filme imperdível. Trago também para você uma análise sobre o mesmo, que resolvi dividir por aqui com você.

 

 

Filme Frida Kahlo

 O filme de Frida Kahlo é uma produção estadunidense de 2002, de gênero drama-biografia. Com direção de Julie Taymor, uma cineasta e também diretora de musicas da Broadway como Rei Leão, onde Frida é interpretada pela atriz Salma Hayek, mexicana, a qual foi indicada ao Oscar e Palma de Ouro pela sua atuação. Conta ainda com o ator Alfred Molina no papel do pintor Diego Rivera.

Frida Kahlo, retrata sua vida e obra, é o retrato de uma mulher, que superou todas as dores de sua doença e das sequelas oriundas de um acidente de ônibus em sua juventude, atingindo sua coluna e a deixando estéril pelo fato de um ferro ter atravessado sua vagina durante esse acidente.

Frida passou a ter varias limitações após o acidente, o que fez com que lutasse contra diversos tipos de dores, com muita garra sendo mesmo transgressora dos seus próprios limites.

A história do filme demonstra também a grande paixão da artista pelo seu país o México, sua atuação política, seu casamento com o artista Diego Rivera, 20 anos mais velho do que ela e também de seu caso amoroso com Leon Trotsky e seus relacionamentos com mulheres demonstrando a sua bissexualidade.

A paixão sem limites, suas características físicas fortes como sobrancelhas serradas, sua arte onde pintou em seus quadros a sua própria dor e sentimentos fez de Frida Kahlo um ícone nas artes, reconhecida mundialmente até hoje.

Nascida com a Revolução, Fridda Kahlo tanto reflete       como transcende o envento  central do México no Século XX. Ela o reflete em suas imagens de sofrimentos, destruição, chacina, mutilação, perda, mas também nas imagens de humos e de alegria, que tanto marcaram sua vida penosa. A energia, a criatividade, as piadas ao longo do Diário, mostram a capacidade de sobrevivência que distingue as suas pinturas. No conjunto, essas expressões fazem na fantasticamente, inevitavelmente, perigosamente, simbolicamente – ou é isto sintomático? – pertencer ao México.  (FUENTES, 1996, p. 28)

O filme trata-se de uma epopéia e tragédia segundo Aristóteles, onde observa-se  os seis elementos que constituem a qualidade da tragédia, ou seja; fábula, caracteres, falas, ideias, espetáculo e canto. Sendo a tragédia a imitação das ações, da vida, da felicidade, a imitação de pessoas agindo.

Quanto a duração do filme foi suficiente para confirmar que se trata de uma tragédia, ou seja o tempo necessário para que se passe do infortúnio à felicidade ou da felicidade ao infortúnio.

Segundo Aristóteles “os homens possuem diferentes qualidades de acordo com o caráter, mas são felizes ou infelizes de acordo com as ações que praticam”. As ações e narrativas de Frida demonstraram a finalidade da tragédia e suas telas conseguiam passar os seus sentimentos mais íntimos, suas dores de forma que o espectador pudesse se identificar.

Ao tentar realizar uma análise psicológica do filme Frida, transcrevemos abaixo alguns de seus pensamentos deixados em seu diário, os quais nos mostram um pouco dessa mulher e de seu comportamento atuante, apaixonante, e uma mulher a frente de seu tempo, se comparada a maioria dos comportamentos femininos em sua época.

“Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.

“Não estou doente. Estou partida. Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar”.

“E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo”.

“Pintar completou minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor”.

“E o que mais dói é viver num corpo que é um sepulcro que nos aprisiona (segundo Platão) do mesmo modo como a concha aprisiona a ostra”.

“Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação”.

“Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade”.

“O México, como sempre, está desorganizado e confuso. A única coisa que lhe resta é a grande beleza da terra e dos índios. Todos os dias, a parte feia dos Estados Unidos rouba um pedaço; é uma lástima, mas as pessoas têm que comer e é inevitável que os peixes grandes devorem os pequenos”.

“Eu vou mal e irei pior ainda, mas aprendo pouco a pouco a ser só, e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo”. 

“Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade”. 

“Espero a partida com alegria… e espero nunca mais voltar…Frida”

Nas últimas páginas de seu diário, Kahlo escreve sobre a amputação de sua perna e fala do desejo de suicidar-se, diz:

11 de fevereiro de 1954 – Há seis meses amputaram-me a perna. Torturaram-me durante séculos e em alguns momentos quase enlouqueci.Continuo a sentir vontade de me suicidar. Diego é quem me impede despertando em mim a vaidade de pensar que posso fazer falta. Ele disse, e eu creio nele. Mas nunca sofri tanto na vida. Esperarei algum tempo. (KAHLO, 1995, p.144).

“A pintura salvou a minha Vida”.

Tudo indica na vida de Frida Kahlo que ela usou da sublimação para poder continuar atuando em sua vida, depois de tantas tragédias.

Freud usa a sublimação para designar a mudança de um estado psíquico para outro através de uma transformação de uma certa pulsão, a pulsão sexual. A sublimação é algo simbólico de “quando se consegue intensificar suficientemente a produção de prazer a partir dos trabalhos psíquico e intelectual”.  E diz ainda “ A sublimação do instinto constitui um aspecto particularmente evidente do desenvolvimento cultural; é ela que torna possível as atividades psíquicas superiores, científicas, artísticas e ideológicas, o desempenho de um papel tão importante na vida civilizada. Essas pessoas se tornam independentes da aquiescência de seu objeto, desviando-se de seus objetivos sexuais e transformando o instinto num impulso com uma finalidade inibida” .

Frida Kahlo colocou em suas telas todos os excessos, excesso de cor, de dor, de alegria e toda sua angústia, angústia própria do feminino.Toda sua pulsão de morte é canalizada para suas telas, tentando preencher esse vazio comum entre os seres humanos e quando em sofrimento como os dela mas difícil de suportar.

Ocorre aqui como se o desejo de destruição absoluta fosse substituído ou encontrou-se uma saída para o belo e esse belo com seu brilho e esplendor, acaba-se evitando o mal que é do campo do desejo, da destruição, da pulsão de morte. E nessa fantasia com toda a tragédia do artista, é que o sujeito que ali se encontra pode se sustentar em seu desejo.

Considerada uma louca por muitos, foi o maior exemplo de seu país, de liberdade e expressão apesar de todas as perseguições existentes com a liberdade de expressão o que ela tentou não só nos seus relacionamentos, como no seu modo de viver e de se posicionar diante dos fatos. A sua arte, suas telas foi o canal onde pode direcionar todo o sentimento, sofrimento, obsessões, foi o canal que Frida encontrou para poder continuar a sua caminhada. Uma mulher forte, que possua uma paixão forte por tudo aquilo que cria e possuía, assim foi na política, nos seus amores e desejos, e ao seu país, pelo qual soube retratar em todas as oportunidades que podia se expor, seja nos seus argumentos, danças e principalmente em suas telas, no colorido de suas telas. Nunca aceitou ser chamada de surrealista, pois em seus quadros pintava seus sonhos e a realidade de sua vida.

Sendo assim, Frida morre aos 47 anos de idade, deixando sua história e até hoje ainda é reconhecida como um ícone da arte mexicana, sendo reconhecida internacionalmente.

 

Era isso por hoje gente.

Super recomendo conhecer um pouco mais sobre Frida. Se puderem assista o filme, tenho certeza que irá gostar.

Obrigada pela visita. Te vejo por aqui.

Um abraço.

 

 

Bibliografia:

Frida. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frida  Acesso em: 08/04/2012.

BASTOS, Marli M. – A sublimação, o trauma e o corpo: Frida Kahlo/ 182 f.     Dissertação de mestrado – Universidade Veiga de Almeida, Campus Tijuca,  Rio de Janeiro, 2008.

O Diário de Frida Kahlo. In: Blog. Disponível em: http://uminha.tripod.com/diafri.html Acesso em: 08/04/2012.

FUENTES, Carlos. “Introdução”. In: KAHLO, Frida. O diário de Frida Kahlo: um autoretrato íntimo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996. A Criação Artística na

MUHANA, Aydil Fadul – Superação da Dor e da Melancolia A análise das categorias de dor, melancolia, no enfoque da angústia do existir,em Duras,  Kahlo e Kierkegaard- Pesquisa sobre a melancolia sob a coordenação do Prof. Do Departamento de Filosofia da Universidade Federal da Bahia José Lourenço A. Leite,  http://www.elba-br.org/