Resumo do primeiro capítulo Livro Eu Primata

Oi Gente

 

Uma das matérias do curso de psicologia que curti muito foi a Etologia que é o estudo dos comportamentos dos animais. Como indicação de leitura, o professor nos sugeriu na época ler esse livro o Eu Primata  e como havia feito algumas anotações interessantes sobre o mesmo, resolvi dividir isso aqui no meu Blog com você.

É incrível como o comportamento dos seres humanos são tão próximos dos macacos, principalmente dos bonobos (os mais próximos da nossa espécie). Sempre quando estudo ou leio algo interessante, tenho o hábito de escrever e anotar separadamente aquilo que me chamou a atenção na leitura, seja de um livro ou de um texto.

Resolvi tomar nota de algumas frases que me fizeram pensar a respeito da Teoria da Evolução e, confesso, foi uma leitura gratificante e até mesmo divertida, por observar quanta semelhança entre os nossos comportamentos.

Aqui vão então algumas dessas anotações, são todas de autoria do autor, Frans de Waal. Para facilitar, resolvi postar em capítulos para que não seja cansativa a leitura do post.


ANTROPÓIDE

“Nascemos com impulsos que nos levam a sentir interesse pelos outros e mais tarde a nos preocupar com eles”.
 
“O bonobo nos é tão geneticamente semelhante quanto o chimpanzé.”
 
“A empatia depende da capacidade de (o organismo) imaginar as circunstâncias do outro.  É “imaginar-se no lugar do sofredor”.
 
“A empatia nos é uma herança primata.”
 
“A  questão da humanidade em não-humanos: a empatia e a compaixão.’
 
“Os dois pólos de parentesco primata ao humano: o bonobo e o chimpanzé. Os primeiros são igualitaristas, “boas-praças” e sexualmente alentados; já os segundos, hierárquicos e violentos.”
 
“Tanto a simpatia como a crueldade dependem da capacidade de imaginar como nosso comportamento afeta os outros”. Logo, possuir a capacidade de imaginar o que os outros sentem possibilita tanto a crueldade (do lado “chimpanzeano”) quanto a simpatia (do lado “bonobiano”). A capacidade de imaginar é bipolar.”
 
Desse modo, o nosso lado “chimpanzeano” é supremamente representado pela crueldade, mas, além de sermos cruéis, somos seres sociais que dependem uns dos outros para levar uma vida sadia. Corpo “e mente não são estruturados para viver em isolamento”. Como diria Heidegger, “toda existência é coexistência”. O ser humano só existe em um mundo compartilhado (Mitwelt).
 
No aspecto herdado filogeneticamente, o qual está relacionado com a sobrevivência da espécie, as mães que são mais próximas da prole têm maior chance de sobreviverem elas mesmas e suas proles. E assim foi traçado o caminho evolutivo.
 
A empatia desde cedo é mais demonstrada entre humanos do sexo feminino do que masculino e isso se prolonga por todo o período de desenvolvimento humano. Os homens procuram relacionar-se (intimamente) mais com mulheres do que com próprios homens, por poderem, em um relacionamento de longo prazo, acrescentar anos às suas vidas. Porém essa diferença entre os sexos resulta em uma patologia da empatia: o autismo – necessariamente, predominante entre os homens.
 
Os bonobos são seres altamente sociais e empáticos e, portanto, têm grande capacidade de aprendizagem e mesmo de ensino para com outros de sua espécie. Esses animais são capazes de discernir se os comandos lhes são direcionados ou se o são para outrem, além de ensinarem outros de sua espécie sem o direcionamento de ordens, pela sua empatia.
 
A maior diferença entre chimpanzés e bonobos são as suas proporções corporais.  “Os chimpanzés têm cabeça grande, pescoço grosso e ombros largos, como quem malha muitas horas na academia. Já os bonobos têm porte de intelectual, com tronco esguio, ombros estreitos e pescoço fino”.
“O bonobo [quando está de pé ou ereto] parece aprumar mais as costas do que o chimpanzé, e nessas ocasiões sua postura lembra extraordinariamente a humana”.
 
Os bonobos machos são quem saem para pegar comida em áreas abertas. Após a chegada das fêmeas, a sua entrada é acompanhada de muito sexo entre todos e da inevitável apropriação do melhor alimento pelas matriarcas mais velhas. Ou seja, as fêmeas mais velhas dominam as colônias de bonobos, mesmo sendo 85% menores em proporção aos machos e não tendo dentes caninos presentes nestes; isto através da solidariedade. Deste modo, as fêmeas dominam também as refeições, restando ao macho pedir, literalmente, de mão estendida à fêmea pela refeição.
 
São quatro espécies de grandes primatas não humanos: Bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. Todos eles não possuem caudas e fazem parte de outro conjunto o qual também
fazemos parte: os primatas, sendo os parentes mais próximos o chimpanzé e os bonobos.
 
Bonobos: pacíficos, eróticos e dominados pelas fêmeas. São, também, adaptados à vida arborícola (mais do que os próprios chimpanzés e com certos talentos acrobáticos exuberantes) e podem ser classificados como quadrúmanos, ou seja, ao invés de serem classificados como quadrúpedes (quatro patas) ganham o caráter de quadrúmanos (quatro mãos) devido à sua especialidade em agarrar-se aos galhos das árvores com as mãos e pés (que mais lembram mãos).
 
Na árvore evolutiva, os chimpanzés e os bonobos formam um único gênero: o pan. “A linhagem humana divergiu do ancestral Pan há cerca de 5,5 milhões de anos. Alguns cientistas julgam que humanos, chimpanzés e bonobos são suficientemente aparentados para formar um único gênero: Homo”. Os chimpanzés e bonobos divergiram entre si após terem se divergido de nós, humanos.
 
A perversidade, ou melhor, o egoísmo, foi benéfico para o mundo no que diz respeito à evolução das espécies: as características bem-sucedidas do gene disseminam-se pela população, promovendo a si mesmos.
 
Chimpanzés são seres violentos, além de carnívoros e assassinos, canibais. Assim, afirmações científicas com base nessa ancestralidade brutal afirmaram que “a violência dos grandes primatas decerto significava que somos programados para ser impiedosos. Somou-se a isso a afirmação dos biólogos evolucionistas de que somos geneticamente egoístas”.
 
Os chimpanzés, embora seres violentíssimos e poderosíssimos (no quesito força), também se erguem por outrem, como é o caso dos dois machos que defenderam a recém-nascida e aquela outra chimpanzé, a qual cuidava da recém-nascida, dos ataques violentos do líder, que provavelmente pretendia um infanticídio, fazendo-o fugir.
 
“Muitos pensam que a sobrevivência dos mais aptos significa a aniquilação dos inaptos. Mas também se pode vencer a corrida evolutiva tendo um sistema imunológico superior ou sendo mais habilidoso para encontrar alimento. O combate direto raramente é o modo como uma espécie substitui outra. Portanto, em vez de exterminar os homens de Neandertal, talvez tenhamos simplesmente sido mais resistentes ao frio ou melhores caçadores”.[1]
 
Contudo, com a descoberta de um novo primo primata, o bonobo, as coisas mudaram um pouco, ou seja, as hipóteses do primata assassino perderam seu efeito com a aparição das características “angelicais”, isto é, ditas boas ou contrárias àquelas assassinas, num outro grande primata próximo ao ser humano.
 
Outra descoberta, além da existência do bonobo, para a demonstração da ancestralidade da moralidade, foi a das neurociências, que concluiu o seguinte: “a tomada de  decisões morais parece ter por base milhões de anos de evolução social”, pois, sabendo que o cérebro mais profundo é o mais antigo e, consequentemente, herdado de ancestrais mais antigos, alguns testes morais ativaram “centros emocionais antigos, profundamente embutidos no cérebro”.
 
O objetivo do autor é “mostrar que não existe uma única tendência que não tenhamos em comum com esses sujeitos peludos [os primatas] que adoramos ridicularizar”.

Essa foi a resposta do autor àquelas hipóteses que fizeram os cientistas, apoiados num ideal hobbesiano, de que o homem seria como os chimpanzés, violento, e que teria, na sua saída da África, extinguido os primatas que se diferissem dele e pudesse ter encontrado pela frente – principalmente o Neanderthal.

Continuamos nos próximos posts.

Era isso por hoje gente.

Obrigada pela sua visita.Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.