ESCÓCIA (I) – Uma brasileira morando lá.

Oi Gente

O post de hoje tem como objetivo contar um pouco sobre a minha experiência, quando morei na Escócia, durante o período em que meu marido fez o seu mestrado por lá. As vezes você tem essa vontade de se aventurar para um outro país e sente aquele medo, que é natural de pessoas responsáveis, mas talvez vendo as experiências e ouvindo histórias daqueles que já foram possa te incentivar e ir, aos poucos, se programando para uma experiência como essa. Não importa o tempo que isso leve, se for do seu desejo mesmo, não desista ok?

Muitas vezes fui questionada sobre a minha experiência de viver um tempo fora do nosso país, e hoje então vou começar a escrever sobre isso: Embora isso tenha acontecido no final de 1994 e 1995, não deixou de ser uma experiência interessante principalmente se levar em conta as limitações da época.


Scotland <3:

Loch Ness The Highlands, Scotland..bucket list:

Vou tentar  colocar aqui, então, para você o máximo de informações e da experiência que foi ter vivido em um país tão diferente do nosso, em uma época tão diferente dessa que estamos vivendo e sem contar que essa experiência foi vivida, com pouco dinheiro, vida de estudante no exterior, casada com três filhos pequenos, 7, 3,e 2 anos de idade e minha mãe.  Hoje, quando me lembro dou muito risada sozinha do que aprontei por lá para poder aproveitar esse tempo.

Como fui parar na Escócia? Meu marido é pesquisador e não conseguia bolsa para estudar no exterior da Capes, era um ano que estava muito difícil as bolsas, coisas de Brasil. Sendo assim, ele apresentou sua proposta de estudo e conseguiu uma bolsa do Conselho Britânico para fazer seu mestrado na Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Hoje você falar e viajar para o exterior, não vou dizer que ainda é fácil para todo mundo, mas já podemos dizer assim que é possível a um grande número de pessoas poder sair do Brasil, para passeios, adquirir conhecimentos ou seja lá por qual objetivo.

King's College Crown - Aberdeen, Aberdeen

Universidade de Aberdeen, fundada em 1495

A Universidade onde meu marido estudou. No ano que estivemos lá ela completou 500 anos. Sabe o que são 500 anos de conhecimento? Vou postar aqui em outra oportunidade, o dia que fiquei cara a cara com a rainha da Inglaterra. (kkk).

Na realidade fiquei apenas 7 meses, pois trabalhava em uma empresa de economia mista, considerada uma boa empresa, a qual não compensava abandonar o emprego naquele momento. Sendo assim, peguei 6 meses de licença sem vencimentos e mais 1 de férias.

Havia pouco tempo que tinha perdido meu pai, e lá fomos nós eu, minha mãe e três crianças, uma de 7, um de 3 e uma de 2 anos.
Devemos lembrar que em 1994 as facilidades das tecnologias,  hoje  disponíveis, ainda não eram acessíveis a toda a população e quando tinha acesso a alguma era simplesmente inviável para os estudantes, por problemas simples chamado falta de dinheiro.
Para não se tornar cansativa a história, resolvi dividir em capitulos:
Hoje gente foi falar um pouco como foi a aventura de chegar lá, em um país tão diferente do nosso, com um inglês quase básico, pois não chegava nem a isso. O meu marido, já estava lá ha uns 4 meses, época que foi muito difícil ficar longe para os dois. Eu com trabalho, casa e três crianças aqui no Brasil e ele, tendo que dar conta com a falta da família, enfrentar uma universidade e povo e cultura bem diferentes da nossa e o pior que era um país avançado e por aqui até o uso de computador ainda era limitada. Mas tudo vale a pena, quando temos objetivos de vida a serem atingidos.
Afinal como diz o ditado popular: “Não tem marmita de graça”, não é mesmo?
Primeiramente em Londres, Aeroporto de Heathrow
index
Para se ter uma idéia do tamanho do Aeroporto em Londres, olha o mapa abaixo:
 Chegamos em Londres em dezembro, essa já foi a primeira realidade que nos deparamos que era o frio e a convivência com a neve. Esse aeroporto, se comparado ao nosso aqui do Brasil, era simplesmente e é gigantesco.
O Aeroporto de Londres, imenso e eu com 3 crianças, minha mãe e um inglês (pobre), vamos dizer assim  básico, de pura sobrevivência. Sobre o país que estava indo o que sabia? Apenas que os homens usavam saias, o frio era imenso e que ali se fabricavam o whisky escocês, considerados os melhores do mundo.Em função da minha decisão de não perder o meu emprego, optamos por dividir o tempo ausente do meu marido e intercalá-lo para superar as saudades e toda a falta que um marido e um pai faz na família, principalmente com crianças pequenas.

Sendo assim, quando cheguei na Escócia já havia se passado 4 longos e sofridos  meses de distância, pois o mesmo havia iniciado o mestrado e nesse momento nos aguardava, na cidade de Aberdeen, na Escócia. As saudades eram muito grandes, o que ajudou a  eu superar todos os medos possíveis  e a encarar essa aventura em nossas vidas.  E, talvez por fazer parte da minha personalidade gostar de novidades, viajar, encarar desafios e, aquilo estava sendo tudo de bom. Eu estava nessa época com 33 anos.

Vocês podem imaginar como foi controlar 3 crianças em todo o percurso da viagem? … “Só por Deus” e muito pique ….. Com pouco dinheiro, não teve como o meu marido vir até Londres me esperar, o negócio foi enfrentar o desafio.
De Londres, pegamos um novo avião com destino a Aberdeen. Saímos do verão de dezembro no Brasil e enfrentamos um frio imenso.
Enfim, lá estava meu marido, com roupas especiais para todos nós nos esperando e alguns amigos brasileiros para nos dar as boas vindas… Sabe essas coisas de filme e novela? Realmente o nosso reencontro foi muito emocionante, choro mesmo de alegria. Criançada pulando encima do pai e tudo festa.
… kkk…  foi muito lindo esse momento mágico de reencontro da família.   Aquela sensação de estarmos juntos novamente, e de que tudo sempre vai dar certo e vale muito a pena. Os  amigos brasileiros, estudantes de mestrado e doutorado, onde nesse período fizeram parte da nossa convivência, como uma família mesmo no exterior, estavam lá presenciando essa chegada.
Aberdeen se localiza bem ao norte da Escócia. Uma cidade com um mar imenso, porém geladíssimo que, na realidade, eu mesma só consegui passear por lá. Entrar no mar? Cadê a coragem, muito friooo…
 Chegamos em um dia de muito muito frio e neve. Meu marido estava em um apto de estudante, pois a bolsa Inglesa era apenas para uma pessoa. As nossas economias e a venda de dois carros na época, nos custearam por lá as nossas aventuras.
Precisávamos então arrumar um lugar para colocar toda a família. Na Escócia, os estudantes que vão com família, tem um projeto da prefeitura, que conseguem um tipo de apartamento onde geralmente eles oferecem para desempregados e se você solicitar e conseguir, como foi o nosso caso foi tudo de bom.
Mas para conseguir esse tal apto era preciso que toda a família se apresentasse no local, tipo para comprovar que estavam por ali mesmo. Sendo assim, o Ademir, conseguiu 2 pequenas casas de caridade, uma graça por sinal, através de um pastor que dá assistência as pessoas idosas.
Era um lugar que era uma graça, onde só moravam pessoas de idade, sozinhas, cada um em sua pequena casa (parecida casinha de boneca gente).
Você imagina chegar em um lugar desse, quietinho as escocesas (idosas) ali tranquilas, uma família bem tagarela como a nossa, com três crianças. As vovozinhas do local ficaram loucas. Sempre queriam dar alguma coisa (presentinhos) para as crianças. A verdade é que agitamos aquele local (kkk) e acredito que foi legal para elas também que sempre estavam com um sorriso nos lábios, quando a gente se cruzava.
  aberdeen primeira moradaPortão de entrada na casa onde ficamos logo na chegada.
Chegamos alguns dias antes do Natal. Para você ter uma ideia, dá uma olhada no nosso carro que era um mazda azul marinho, (o lado bom do exterior – compra-se carro muito barato)todo dia de manhã tinha que retirar todo esse gelo ai para poder sair com ele.
Olha a filmadora pendurada no meu pescoço,  era tudo de bom na época esse tamanho ai. Uma coisa já aprendi na chegada. Neve é linda e maravilhosa, mas em cartão postal, paisagens e para quem pode ficar de boa, porque para quem tem que enfrentá-la no dia a dia, não é bem assim não.
Tem muita história para contar desse período na Escócia e vou postando aos poucos.  Mas para você que tem um sonho de morar fora e ter uma experiência dessas, enfrenta, encara, vai aos poucos fazendo o que é preciso, pois não tem preço. Uma coisa é você ir para outros países como turista, visitar alguns pontos turísticos e com pacote tudo certinho gente,  outra coisa é você se aventurar e literalmente deixar a vida te levar, é muiiiiito bom. Cada dia um novo dia, cada dia uma experiência nova de lugares, de gente que você vai cruzando, de desafios a serem vencidos. A vida tem vida e mais sentido. Por isso, se você sente dentro do seu coração essa vontade, não deixe que ninguém te convença do contrário.
Era isso por hoje gente.
Obrigada pela visita.Você é sempre bem vindo(a) por aqui.
Um abraço.