Setembro amarelo – É preciso falar sobre a prevenção do suicídio

Oi Gente

O post de hoje se refere a campanha brasileira contra o suicídio. Há a necessidade de pensar a respeito desse assunto que é muito sério, não só em nosso país, como nos demais países pelo mundo afora, principalmente nesse ano atípico em que estamos passando por desafios nunca vividos, durante essa pandemia de coronavírus mundial.

Setembro Amarelo – Mês de Prevenção ao Suicídio

É preciso pensar e falar sobre o suicídio. As vezes, pelo fato de ser tão triste, como um mecanismo de defesa tenta-se negar essa triste realidade.

Porém, quando lidamos com a verdade dos fatos, é uma possibilidade de poder fazer algo a respeito sobre essa situação, principalmente nesses tempos de tanta desorganização social.

Como iniciou o setembro amarelo no Brasil

O setembro amarelo, no Brasil, foi criado em em 2015 no por 3 instituições que trabalham na prevenção do aumento da taxa de suicídios. O CVV (Centro de Valorização à Vida), o CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Esse mês foi escolhido devido ao fato que no dia 10 de setembro é o dia mundial da prevenção do Suicídio.

Tema da Campanha Mundial para os anos de 2019 e 2020

Para os anos de 2019 e 2020, foi escolhido um tema para o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: “Trabalhando juntos para prevenir o suicídio”, como forma de pensar que juntos podemos sim se envolver, uns com os outros, para falar sobre o assunto, difundir e conscientizar sobre sua prevenção.

Os números sobre suicídio

Embora se tenha dados e levantamentos sobre os números de suicídio, esses dados nem sempre refletem a situação verdadeira, pois ainda há um tabu falar a respeito e, provavelmente, há muitas mortes por suicídio que nem sempre são reveladas. Pelo contrário, são omitidas.

Os dados oficiais sempre nos faz questionar a respeito. “Todos os anos, o suicídio aparece entre as 20 principais causas de morte no mundo, para pessoas de todas as idades. Só ele é responsável por mais de 800.0000 mortes – o que equivale a um suicídio a cada 40 segundos”. http://bvs.saude.gov.br/ultimas-noticias/3031-10-9-dia-mundial-de-prevencao-do-suicidio

Nos países de baixa renda estão, aproximadamente, 75% dos casos. Para se ter uma ideia, o suicídio é a segunda causa morte global de pessoas entre 15 e 29 anos, sendo um grande problema e desafio para a saúde pública atual.

A Organização Mundial da Saúde está divulgando a quarta onda da coronavírus e o impacto disso na saúde mental, principalmente nos adolescentes.

Vale a pena dar uma olhadinha nesse vídeo, apresentado agora no último dia 24 de agosto de 2020 sobre o X simpósio Internacional da Prevenção do Suicídio – Os Jovens e Adolescentes em sua primeira crise global.

A questão dos adolescentes é preocupante nesses tempos de Pandemia e devemos estar atentos a isso:

Durkeim, em seu livro O suicídio, afirmou em 1897 que “o número de mortes voluntárias variava conforme o grau de integração e regulação dos indivíduos em sociedade. Ao comparar católicos, protestantes e judeus, Durkheim concluiu que o enfraquecimento dos vínculos tradicionais (visíveis no âmbito da família, da sociedade política, da religião) era um indicador de individuação excessiva, de perda de coesão, levando ao aumento de mortes voluntárias. (…) Durkeim apontou ainda que as taxas de suicídio cresciam em períodos de crises industriais ou econômico-financeiras”.

Nesses tempos em que estamos passando, com tantas mudanças, desorganização, informações desencontradas, ou sejam uma perturbação da ordem coletiva, “a sociedade deixa as paixões individuais sem freio”.

Segundo Durkeim: “Toda ruptura de equilíbrio, mesmo que resulte em maior abastança e aumento da vitalidade geral, impele à morte voluntária. Todas as vezes que se produzem graves rearranjos no corpo social, sejam eles devido a um súbito movimento de crescimento ou a um cataclismo inesperado, o homem se mata mais facilmente”. Durkeim, E. p. 311

Nesses tempos de colapso que estamos enfrentando, onde todos de uma certa forma estão tendo que lidar com perdas, de todos os aspectos, bem como isolamento e inseguranças, é preciso que nos unamos nesse sentido para que possamos ouvir e observar, principalmente os adolescentes e crianças. Afinal, o mundo onde os adolescentes conheciam não está existindo mais.

Os profissionais de saúde, também estão precisando se reinventar para que possam dar o suporte necessário para esse momento, apresentando sintomas de todas as ordens, diante da complexidade do momento em que estão vivenciando. De certa forma sofrem pressões enormes quanto a resultados e respostas que, ainda, nem sempre são possíveis.

Vivenciar uma demanda enorme, com pouca estrutura e sem as respostas é ter que lidar com um vazio que, nem sempre, todos são capazes de administrar.

Estamos todos no mesmo barco e juntos temos que buscar alternativas para lidar com o que se apresenta, de forma que possamos aguentar esse período de tantos desafios.

Os pais dos adolescentes possivelmente estão enfrentando desafios maiores nesse momento. Afinal a vida que estava sendo apresentada para eles, nesse momento, está tomando um outro rumo.

É preciso falar e principalmente ouvir as angústias do mesmo nesse momento.

Abaixo, uma dica para os pais, educadores e profissionais da área da saúde mental. Acesse o site abaixo onde você poderá acessar vários materiais sobre esse assunto no site da UNICEF abaixo:

https://www.unicef.org/brazil/relatorios/saude-mental-durante-pandemia-de-covid-19

Enfim gente, amar é fazer o que é preciso e o que é possível, priorizando sempre as demandas que possam chegar nesse momento.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

Referências:

http://bvs.saude.gov.br/ultimas-noticias/3031-10-9-dia-mundial-de-prevencao-do-suicidio

DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Edipro, 2014 [1897]. [ Links ]

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922018000200565