A difícil decisão de parar de fumar

  1. Oi gente

Hoje vim falar aqui sobre esse assunto, tão falado e debatido em vários sites, campanhas e programas anti-tabagismo. Mas venho falar aqui como ex-fumante, e a difícil relação que um fumante tem com o cigarro. Possivelmente você que nunca fumou não tem ideia do que é essa relação, por isso até te entendo quando critica com tudo os fumantes, porque falar e criticar aquilo que voce nem pode imaginar o que é, se torna hiper fácil.

Mas vamos lá, o nosso desafio nesse mundo é viver e conviver nas diferenças não é mesmo? O título desse post a difícil decisão de parar de fumar foi escolhido, porque para mim parar de fumar é uma difícil decisão, pois uma vez decidido você sofre, mas você consegue.

Sou da época em que fumar, você já deve estar cansado de ouvir essas histórias, era simplesmente estar na moda, ser descolada, era uma pessoa bem vista pela sociedade, ou pelo menos bem recebida.

Eu me lembro que delícia ir para a faculdade e lá a grande maioria fumava, ir para o trabalho e fumava na sua mesa, na sua sala tranquilamente. Na faculdade, a começar pelo professor,  que dava sua aula com o cigarro aceso na maior tranquilidade. Fazer os trabalhos em equipe com um cigarrinho na mão gente só entende o que é isso quem passou pela mesma experiência. E o intervalo então, onde todos os papos rolavam com um cigarro e olha que eu não gosto de café, mas sempre estava ali na roda da cantina com os fumantes.

As propagandas, uma mais linda do que a outra, os artistas que sempre foram os ícones de formação de opinião, estavam lá passando a mensagem: Se quer ser igual a mim, fume esse ou aquele cigarro.

Tudo isso é tão verdade que até tinha uma caixinha cheia de cigarrinhos de chocolate e pior a gente comprava para nossos filhos.

Os inesquecíveis doces dos anos 80 | Loucos por sobremesas: A caixinha que vinha com os cigarrinhos de chocolate

Meus pais fumavam, a maioria dos meus tios e tias fumavam, professores, amigos e no meu meio cresci em volta de fumantes. Por incrível que pareça me casei com meu marido que nunca fumou. Mas naquela época, quando o namorado ainda pedia para namorar, essa foi a primeira condição colocada: Quero namorar com você sim, mas adoro fumar e não abro mão do meu cigarro. É veja bem a relação do cigarro com o fumante.

Me casei fumando e a cada gravidez que foram três, como em um toque de mágica, assim que sabia que estava grávida a primeira coisa que deixava de fazer era parar de fumar. Parava mesmo gente, o que é o amor de mãe. Eu me lembro tão bem desses períodos que parece que era fácil largar do cigarro por esse motivo. Mas entre uma gravidez e outra, lá estava eu retornando ao meu cigarro, uma pitadinha aqui, outra pitadinha lá e logo voltava com o danado.

 

Fumei muito tempo essa marca de cigarro. Olha o nome da marca, charm e com certeza eu achava que era um charm, mas eu não sei porque razão ou se era algum dito da sociedade na época, não fumava de jeito nenhum andando na rua por exemplo, eu achava aquilo muito feio.

Enfim gente, foram alguns anos de relacionamento entre o cigarro e eu, com algumas paradas de 1 ano, de 4 anos de intervalos, de 1 ano outra vez. Eu sei que foram 36 anos nesse vai e vem. A cada parada uns muitos quilinhos a mais.

Não sei se por ter muitas pessoas que eu amo de paixão em minha vida que são fumantes, alguns que já partiram dessa vida, até mesmo meu pai, e tantos outros da minha convivência, sempre achei que as pessoas que fumam parece que tinham um papo mais interessante, sei lá o que é isso, talvez porque não ficasse falando mal do cigarro e, até hoje,  adoro do mesmo jeito quem fuma ou não fuma, isso para mim não diz da pessoa quem ela é, ou a sua essência. Não me cabe julgar.

Mais de alguns anos para cá, quando fomos informados e conscientizados dos malefícios do cigarro, não tem como não pensar nisso. Embora, os fumantes, ou ex-fumantes como eu, sempre tem uma saída para justificar o fato de fumar tais como: “Eu não sinto nada por fumar”,  “A avó da minha amiga viveu mais de 100 anos e sempre fumou”, “é melhor fumar do que ficar estressado” e por ai a fora.

Eu confesso que todos os anos, quando eu ia no cardiologista  e fazia a bateria de exames, inclusive rx do pulmão e descobria que a saúde estava  perfeita, eu ouvia no consultório a orientação do

meu cardiologista  mais ou menos assim: “Olha Mari você está com a sua saúde tão perfeita, tudo certinho, é uma ex-atleta, aproveita e para de fumar”.

Gente, (tomara que ele não leia esse post ) mas juro para você eu saia do cardiologista como se tivesse ganhado uma medalha, feliz: Yess, posso continuar fumando mais um pouco. E pior eu pensava assim: “O cardiologista não pode falar para um fumante que os exames estão todos bem, lógico que daí que ele vai continuar fumando mesmo”. Olha só os pensamentos de sabotagem que um fumante como eu usa para justificar algo que, hoje, até uma criança sabe dos malefícios do cigarro.

Mas tudo isso gente para chegar nesse ano de 2015, exatamente no mês  de março quando tomei a decisão de parar de fumar. Estava com algum problema de saúde? Nenhum. Lógico que em casa sempre teve uma campanha para eu parar de fumar, mas como santo de casa não faz milagre, lógico que escutava mas eu continuava a fumar.

É ridículo gente, mas fumar para quem fuma e tem o vício é simplesmente uma delícia. Agora essa delícia não é somente pelo ato de fumar, é toda uma relação psicológica que você tem com o ato de fumar.

Como consegui largar de fumar? Vou dividir isso aqui com você.

  1. Fui quase um ano antes pensando seriamente que já estava passando da hora de eu parar de fumar, já passei de meio século de idade;
  2. pensava quietinha comigo mesma, sem comentar com ninguém sobre o que estava pretendendo e juro tinha dias que eu mandava esse pensamento ir embora rapidinho;
  3. ai comecei a me sentir uma pessoa incoerente com meus pensamentos: Poxa adoro viver, gosto de curtir a vida, quero ver meus netos, estou vendo tanta gente sofrer devido ao cigarro, me considero uma pessoa esclarecida sobre os benefícios de largar o cigarro e o que me faz não ter essa coragem, enfim fiquei eu e o meu vicio brigando.
  4. quem me conhece bem sabe o quanto eu adoro viajar, isso também me ajudou na decisão, pois principalmente quando é viagem de avião, o trabalho que estava me dando para poder fumar um cigarrinho, nossa era simplesmente de dar muiiita raiva, tudo muito longe, as vezes em uma conexão não dava para fumar o cigarro e essas coisas que fumante entende bem;
  5. saia com os amigos e a grande maioria não fumam mais, e tinha alguns que nunca fumaram e você ali pensando: e agora preciso fumar um cigarrinho, terrível né?;
  6. já ouvi dizer, inclusive, que tem gente que fuma escondido para evitar criticas dos outros, mas na minha idade ter que fumar escondido, a não isso não é para mim;
  7. e assim foi passando o tempo e comecei a pesquisar na internet nesses sites de pessoas que pararam de fumar, e no meu caso acho que nos primeiros dias me ajudaram alguns depoimentos que esses sites oferecem, não me lembro bem o nome, mas acho que é parei de fumar o nome do site;
  8. parei de fumar no dia 15 de março a meia noite, como se fosse um presente de aniversário para o meu marido que faz níver no dia 16, olhei para aquele cigarro e ele olhou pra mim, como se fosse uma despedida doída mesmo, sabe quando você dá tchau para alguém que nunca mais vai poder encontrar, confesso só de escrever esse post a vontade de fumar ainda está presente e olha que já se passaram 8 meses;
  9. posso dizer que sou uma futura ex-fumante, acho que ainda é cedo dizer que sou uma ex fumante, posso dizer sim que estou firme por enquanto na minha decisão. Sabe por que? porque observei que cada vez mais parar de fumar estava ficando mais difícil do que as outras vezes, não sei se são mais drogas que são colocadas no cigarro para criar maior dependência.
  10. Um pouco então dos meus procedimentos para manter a minha decisão:

1 dia sem cigarro:

Você pensa nele o dia inteiro, mas tem uns lances de esquecimento quando você fica atento em alguma tarefa. Procurei não ficar muito sozinha. Nesse dia, tomei muita água, tinha uma sonolência terrível e o que fiz? Fui dormir mais cedo.

2 dia sem cigarro: 

Gente é interessante, parece que já dá uns intervalinhos maiores sem pensar no danado, mas a abstinência ainda não é fácil. Fugi, literalmente essa é a palavra, fugi das pessoas que fumavam ao meu redor e continuei firme no meu proposito.

A noite sempre foi o horário que mais gostava de fumar, adorava em casa pegar um bom livro na mão ou estudar para prova na varanda. Quando me dava aquela vontade louca eu ia no computador e  entrava nesses sites de ajuda a parar de fumar e ia ler alguns depoimentos de pessoas que passaram pela mesma dificuldade;

3 dia sem cigarro:

É interessante como esse dia já é um pouquinho mais tranquilo, a parte da manhã passou como se não existisse o cigarro. Porque tem aqueles horários onde o cigarro é mais importante para você, ou aquele horário que está na sua cabeça como o cigarro mais gostoso do dia e para mim era aquele após o almoço. Olha que loucura, quantas vezes antes de uma sobremesa preferia um cigarro primeiro. Bem, na verdade, cada cigarro que você acende tem alguma cena do porque acende-lo. Então, ai eu  levantava da mesa assim que acabava de almoçar e ia para um lugar diferente do costume.

4 dia sem cigarro:

Juro gente você respira melhor, já não tem mais cheiro de cigarro no seu carro, não tem nada dentro da sua bolsa, parece que a sua pele fica até mais clara e ai você vai observando sim alguns ganhos e maior tempo sem lembrar do cigarro. Mas a cabeça firme no propósito e a hora que vinha a vontade louca é como se você virasse o disco e saia daquele instante de lembrança.

E assim foram se passando os dias, os quais no começo você fica contando as horas e os dias que está ficando sem o cigarro e juro cada dia vai ficando melhor e esquecendo dele, mas pelo menos no meu caso é a convicção de não ceder para ele.

Não ligo que fumem perto de mim, não sou chata de ficar falando contra o cigarro. Até aceito pessoas que nunca fumaram serem críticos do cigarro e até chato com fumantes, mas ex-fumantes, sou da opinião que deviam ter um pouquinho mais de paciência com aqueles que ainda não conseguiram deixar de fumar. Até porque deve saber da dificuldade de largar esse vicio.

Se tenho vontade de fumar ainda?

Essa é a minha questão, as vezes muita vontade. Não sei se é pelo cigarro em si, acredito que não, até porque as vezes o cheiro já me incomoda um pouco, mas o que me pega é a relação com o cigarro, os hábitos, os  costumes, o ascender o cigarro, o ritual de cada cigarro, o  local onde você se senta para fumar um cigarro, as pessoas com quem você gostava de estar juntos quando estavam com um cigarrinho aceso, o cigarro após o almoço que sempre foi o meu preferido. Saudades gente, saudades não sei se do cigarro ou de todas as histórias da minha vida que sempre o cigarro esteve ali comigo e com as pessoas fumantes que eu amo.

A única coisa não muito legal dessa história é que engordei 7 quilos, sabe por que? Porque a alimentação fica muito boa, uma delícia, o cheiro, o sabor e tudo o mais.

Mas como não quero me sabotar mais e voltar a fumar, resolvi e decidi me dar um tempo com essa gordura a mais, voltei na academia e na medida do possível espero sim perder alguns quilos. Até porque gente tudo também não dá não é mesmo?

Quanto aos métodos para parar de fumar, existem muitos no mercado hoje, adesivos, tratamentos. Para mim o método mais importante é a conscientização, é se olhar de verdade e fazer isso por você, pelos seus filhos, pelas pessoas que querem que você viva mais e melhor para curtir os momentos possíveis de satisfação dessa vida.

Agora como ex-fumante, gostaria de pedir paciência com os fumantes, cada um terá o seu momento para resolver e decidir parar.  Não queiram jogar todos os aborrecimentos da sociedade nas costas dos fumantes, vamos olhar também para tantos outros problemas mais sérios que temos que olhar de frente. E aos fumantes que sempre terei o maior respeito, que decidam o melhor momento para parar de fumar e enquanto essa decisão não chegar siga as regras de respeitar os não fumantes, pois eles também já sofreram muito com nós quando não existiam as regras atuais. Dá para conviver fumantes e não fumantes numa boa, quando há algo acima de tudo isso  que é o amor e o respeito ao seu semelhante.

Termino esse post com a resposta do meu marido, que odeia cigarro, quando lhes perguntavam como que ele conseguia aceitar que eu fumasse. E tem gente que perguntava isso na cara dura, comigo junto. E ele, olha que lindo respondia assim:

“Eu odeio o cigarro, mas eu amo a Mari”.  Yess eu adorava essa resposta dele. Obrigada Mi.

Gente, quis dividir isso aqui com você pois talvez possa servir de incentivo ou não para você parar de fumar. Espero não ter mais recaída, mas se caso isso acontecer venho também contar para você. Como já disse em outro post não gosto da palavra nunca farei, nunca voltarei, nem promessas. Afinal sou humana, e humanos podem sim vacilar.

Obrigada pela visita.

Um abraço.