A importância da cerâmica para a história da civilização

Oi Gente

O objetivo do post de hoje é trazer para você um pouco sobre a história da cerâmica, que teve um papel fundamental na história das civilizações. Saiba um pouco sobre isso por aqui….

 

A  cerâmica é um importante material para a disciplina científica conhecida como arqueologia (disciplina que estuda os modos de vida e as culturas de um povo, através dos vestígios materiais).

Os arqueólogos tem a cerâmica como uma grande aliada nesse sentido, até porque ela faz parte de alguns materiais que resistiram ao tempo e seus achados colaboram, até hoje, para transmitir o modo de vida dos nossos antepassados.

Flávia Almeida, em seu artigo sobre a história da cerâmica, cita o antropólogo Lévi-Strauss, ao comentar sobre uma das diversas  origens mitológicas da argila na terra e a ligação da mesma com as mulheres, através de um mito Jivaro (uma tribo que fica localizada na fronteira entre Equador e o Peru). Argila para esse povo se apresenta na palavra NUI e eles tinham, no mito da cerâmica, uma relação com a criação do mundo.

“[…] a abóboda celeste é uma grande tigela azul de cerâmica. Foi com barro que o Criador fez Nantu, a Lua, que irá se casar com Sol, e é com argila que ela modela um filho, em seguida destruído pelo Engolevento. Esse filho recebe o nome de Nuhi (cf. nui, “argila”) e após sua morte, seu corpo transformou-se na terra em que hoje vivemos. O autor continua a descrição deste mesmo mito, afirmando que Sol e Lua tiveram como descendentes o Preguiça, o Boto, o Caititu e a Mandioca, uma filha e depois disso ficaram estéreis. A mãe de ambos lhes entregou dois ovos: um se perdeu e do outro nasceu Mika, uma menina. Mais tarde Mika se casaria com Unushi, seu irmão Preguiça. Mika além de ser a padroeira da cerâmica, é também o nome ritualístico dos grandes vasos cerâmicos em que se coloca a chicha* a ser consumida nas cerimônias. Lévi-Strauss cita que o antropólogo Karsten destacou a proximidade fonética das palavras mulher “nua” e cerâmica “nui”. “Já apontei alhures” – diz ele – “para a interessante conexão entre a mulher, de quem a cerâmica é uma das atribuições, e a terra ou argila que ela utiliza. No pensamento dos índios, o vaso de argila é uma mulher.”

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Indio Jivaro

*Chicha. S.f.1. bebida alcoólica, geralmente feita com mandioca, mel e água, mas também com milho ou frutas fermentados.[…] ‘espécie de cerveja da América do Sul e da América Central feita principalmente de milho fermentado’, em muitos países da América Latina; no México, ‘aguardente de cana’, prov. de chichah (co-pah) […] (Cf. Houaiss, 2001. p.699).

Cerâmica no Período Neolítico

No período Neolítico, o último período da Pré-História e também conhecido como a Idade da Pedra Polida, nome adotado devido a técnica utilizada para construir armas e instrumentos utilizando-se das pedras polidas mediante atrito e, também,  período que se deu o início da agricultura e da domesticação dos animais, a cerâmica passa a ser produzida não somente como peças utilitárias, mas também, através do artista do Neolítico,  inicia-se uma preocupação com a beleza da cerâmica.

Outras técnicas  foram sendo criadas nesse período, entre elas estavam as esculturas de metal. Mas para que elas fossem produzidas, primeiramente, utilizava-se de um modelo feito de cerâmica, como se fosse uma forma de barro. Dentro dessa forma, era despejado o metal já derretido nos fornos e, quando o ferro fundido, dentro da forma de cerâmica, estivesse bem frio, era então quebrada a forma e ali surgia  a escultura desejada pelo artista.

Uma das histórias sobre o início da cerâmica, se diz que os homens ao pisarem na terra molhada observou que ali ficavam as marcas de seus pés e, quando essa terra secava, ali ficavam conservadas as suas marcas e também o formato dos pés.  “A argila úmida é macia e maleável. Talvez tenham imaginado que esse material poderia ser apropriado para fazer objetos.”  Mas havia um problema, como tornar esse produto um pouco mais resistente?

Foi então que resolveram fazer a queima da argila, ou seja, se ao secar a terra a forma já aparecia, quem sabe se a sua secagem fosse mais forte, com fogo, poderia ter mais resistência. Percebe-se então que o fogo é fundamental para que a argila tivesse uma consistência mais endurecida e assim aos poucos foram trabalhando com mais produtos de utilidades domésticas, bem como desenvolvendo produtos criativos com a argila, agora pensando em sua beleza.

A arte da cerâmica foi sendo desenvolvida em diversos lugares do mundo ao mesmo tempo. Tantos nos países ocidentais como orientais. “Na China e no Egito, por exemplo, a utilização da cerâmica remonta a mais de cinco mil anos. Nas tumbas dos faraós do Antigo Egito, vários vasos de cerâmica continham vinho, óleos e perfumes para fins religiosos.”

EGITO

No Egito a religião é um dos aspectos mais importantes de sua cultura. Ela  “invadiu toda a vida egípcia, interpretando o universo, justificando sua organização social e política, determinando o papel de cada classe social e, consequentemente, orientando toda a produção artística desse povo”.

 

Vasos colocados nos túmulos egípcios

Como os egípcios acreditavam em uma vida após a morte e que essa vida é a mais importante do que as que vivem no presente, muito de suas artes eram voltadas para esse momento da morte, dessa passagem. Assim, “a arte egípcia concretizou-se, desde o início nos túmulos, nas estatuetas e nos vasos deixados junto aos mortos”.(PROENÇA, G.  p. 17).

Vasos Canópicos

O que são os vasos canópicos?

No Antigo Egito, durante o processo de mumificação, eram retirados os órgãos internos e colocados nesse tipo de vaso. A crença egípcia se baseava no fato de que a preservação desses órgãos era muito importante para garantir a vida dos mortos no além.

“Canopo era nome de uma cidade costeira egípcia localizada na região do Delta do Nilo, perto da atual cidade de Alexandria. Era também o nome de um piloto de Menelau, que teria sido enterrado nesta cidade, onde foi adorado como divindade representada como um vaso com cabeça humana. Quando os primeiros egiptólogos começaram a desenvolveram o seu trabalho eles denominavam qualquer vaso que tivesse uma forma humana como “canopo”. Cada um dos vasos era identificado com uma divindade, conhecidas como Filhos de Hórus: Imseti, Hapi, Duamutef e Kebehsenuef. Acreditava-se que cada um destes filhos de Hórus protegia um órgão, que eram respectivamente o fígado, os pulmões, o estômago e os intestinos. Os vasos eram colocados nos túmulos orientados para cada um dos pontos cardeais, sendo cada um deles associados a uma deusa tutelar: Ísis, Néftis, Neit e Serket.” http://profeloarte.blogspot.com.br/2015/05/arte-egipcia-6-ano.html

GRÉCIA

Na Grécia, país dedicado a beleza e estética, as pinturas aparem como elemento de decoração. Painéis, paredes das construções, templos eram pintados como forma de beleza e também de transmissão da cultura.  A pintura grega também se manifestou através da arte da cerâmica. “Os vasos gregos são conhecidos não só pelo equilíbrio da forma, mas também pela harmonia entre os desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação”. (PROENÇA, G. p. 32).

Os vasos pintados serviam para rituais religiosos, bem como eram utilizados como recipientes para guardar água, azeite, vinho e demais tipos de mantimentos. Mas com o desenvolvimento da produção dos mesmos e da criatividade, eles passaram a ter o seu valor artístico.

 

Inicialmente os vasos tinham como fundo a cor natural da cerâmica, onde se faziam as pinturas representando geralmente cenas das vidas diárias da cultura grega, bem como de sua mitologia. “Inicialmente o artista pintava, em negro, a silhueta das figuras. A seguir, gravava o contorno e as marcas dos interiores dos corpos com um instrumento pontiagudo, que retirava a tinta preta, deixando linhas nítidas”. (PROENÇA, G. p. 32).

“Por volta de 530 a.C., um discípulo de Exéquias realizou uma grande modificação na arte de pintar vasos. Ele inverteu o esquema das cores: deixou as figuras na cor natural do barro cozido e pintou o fundo de negro, dando início à série de figuras vermelhas. O efeito conseguido com essa inversão cromática foi, sobretudo, dar maior vivacidade às figuras”.  (PROENÇA,G, P. 33).

 

 

China

Quando se trata desse assunto cerâmica, porcelanas, a China  é referência no assunto desde o início e até os dias de hoje. “A história da cerâmica chinesa é uma contínua experimentação de materiais, técnicas de cozedura e processos de decoração, encaminhada para uma produção cada vez mais bonita, variada e perfeita”. 

Assim, como em outras regiões, no período Neolítico a China produzia peças de cerâmica utilitárias, algumas sem ornamentação e outras decoradas “através da aplicação de pigmentos naturais em vermelho e preto que podiam reproduzir motivos esquemáticos, abstratos e de animais. A produção da cerâmica doméstica manteve-se durante a idade do Bronze e já na época Qin e, sobretudo na Han, as técnicas da olaria foram utilizadas para criar formas muito variadas, figuras humanas, maquetes arquitetônicas, que faziam parte dos mobiliários funerários”.

Peça da Dinastia Hun (2016 a. C. a 200 d.C.)

No período da Dinastia Han  várias inovações aconteceram na China, a cerâmica chinesa passou por diversas transformações” a mais interessante foi a utilização do vidrado, um verniz à base de óxido de chumbo que, aplicado sobre a superfície da peça e cozido, criava sobre o objeto uma camada brilhante, impermeável e protetora. Este verniz, assim como outro criado posteriormente de tipo alcalino (à base de óxido de potássio e sódio), misturava-se com outras substâncias; óxido de cobre ou de ferro, por exemplo, dando às peças distintas tonalidades que potencializavam o seu valor estético”.

A história é mesmo linda, enquanto alguns arqueólogos e pesquisadores no assunto dizem que a cerâmica surgiu aproximadamente no período Neolítico, pesquisando por aqui vejo uma reportagem que me chamou a atenção sobre achados de cerâmicas.

Na caverna de Xianrengon em Jiangxi, no sul da China, foram encontrados fragmentos de cerâmica, como esses da foto acima, classificados como sendo de 20 mil anos.  “Os antropólogos compararam a descoberta com outros exemplares de 15 mil anos atrás, portando argumentam que com esta nova evidência é negada a teoria de que a cerâmica foi inventada há cerca de 10 mil anos, período quando os seres humanos passaram de caçadores e agricultores“.

Se quiser se aprofundar nessa reportagem, está no site abaixo:

http://www.epochtimes.com.br/ceramica-20000-anos-china-muda-historia-antiga-mundo/#.WJZNH7YrJ0

Arqueólogos, em 1974, descobrem preciosidades em objetos cerâmicos na China

Para se ter uma ideia da arte da cerâmica na China, em 1974, arqueólogos encontraram em Qin Ling, a 30 km a leste de Xi an, 22 séculos após serem construídos, os guerreiros de Xian. “Nesse ano de 74, um camponês que furava um poço encontrou um pedaço de cerâmica. Com receio de ter feito algo errado, preferiu chamar as autoridades. Em seguida, chegaram os arqueólogos, sem muitas pretensões. Mas quando ampliaram suas buscas, eles ficaram atônitos: guerreiros e cavalos passaram a brotar da terra dia após dia. Se não fosse o poço do camponês, esses tesouros poderiam ainda estar embaixo da terra.”. 

Caso se interesse por essa história ver reportagem: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/viajologia/noticia/2015/03/bos-guerreiros-de-terracota-de-xib-foram-descobertos-por-mero-acaso.html

Cerâmica no Brasil

Urna funerária Marajoara

Antes da chegada dos portugueses aqui no Brasil, a cerâmica já fazia parte dos povos que por aqui habitavam,  os nossos índios brasileiros. “Há mais de 1500 anos, os povos que habitavam a ilha de Marajó trabalhavam a cerâmica; eram pintadas em preto, branco e vermelho e decoradas com desenhos geométricos. Hoje esse tipo de cerâmica, chamada marajoara, está muito difundida no Brasil e é fabricada em oficinas de artesanato da região amazonense”.

Leia mais: http://pointdaarte.webnode.com.br/news/historia%20da%20cer%C3%A2mica/

A Ilha de Marajó é a maior ilha do Brasil, situada no Estado do Pará, localizada na Foz do Rio Amazonas, no arquipélogo de Marajó.

Ela se encontra no Norte do Pará, a 90 km da capital Belém. “Com cerca de três mil ilhas e ilhotas, o Marajó é o maior arquipélago flúvio-marítimo do mundo e uma Área de Proteção Ambiental (APA).”

“Somente na metade do século XIX é que a riqueza arqueológica oriunda dos povos indígenas da região começou a ser descoberta. Estima-se que os primeiros habitantes da ilha tenham vivido há 5.000 anos, mas a maior parte de seus restos habitacionais foi destruída. Os vasos e objetos de cerâmica encontrados na região, tão belos e valorizados, são considerados um símbolo do estado do Pará, por representarem a cultura nativa da região. Alguns desses objetos datam de 400 a 1350 de nossa era. Infelizmente boa parte das preciosas cerâmicas marajoaras encontra-se hoje em coleções particulares e museus da Europa, Estados Unidos e Brasil. O maior acervo brasileiro de peças de cerâmica marajoara está no Museu Paraense Emílio Goeldi e no Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari”. http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=1044:ilha-de-marajo

Se quiserem conhecer um pouco sobre os indios do Pará, esse blog do Professor Ademir Rocha pode te passar muita informação: http://ademirhelenorocha.blogspot.com.br/2011/08/indios-do-para-2.html

 

 

Escavações no Brasil

Preciosidades encontradas por aqui

A produção da cerâmica pelos índios estava nas mãos das mulheres das tribos, responsáveis por todo o processo da fabricação das peças de cerâmicas, desde a coleta da argila, da modelagem, da queima e da pintura final. Havia uma grande variedade de produtos, tais como as urnas funerárias, brinquedos, apitos, utensílios domésticos, cachimbos, etc.

Abaixo algumas fotos dessas maravilhosas cerâmicas marajoaras.

 

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Enfim gente, como disse no início do post, o objetivo era trazer um pouco sobre a importância da cerâmica para a história das civilizações o que acredito que já dá para se ter uma ideia. 

A história sobre a cerâmica é apaixonante, pois de certo modo, ela está diretamente ligada a história da civilização, o modo de viver de tantos povos diferentes e conforme a gente vai pesquisando a respeito, se deixar o assunto não tem fim. Adoro tudo isso.

Enquanto estou escrevendo esse post, aproveito e escuto a minha cantora brasileira favorita Maria Bethania, cada música maravilhosa. Que voz que ela tem, ainda farei um post sobre o percurso dela por aqui e de suas maravilhosas músicas.

As vezes, temos que cuidar de focar os nossos olhos somente para os problemas do nosso país e, com isso,  esquecemos de ver a riqueza que temos em todas as áreas desse imenso Brasil. Ainda acredito que nós brasileiros podemos melhorar a administração desse país para que todos possamos usufruir das maravilhas que ele tem a nos oferecer.

Era isso por hoje.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

 

 

 

 

Referências:

http://books.scielo.org/id/mqk8h/pdf/almeida-9788579831188-04.pdf

Leia mais: http://pointdaarte.webnode.com.br/news/historia%20da%20cer%C3%A2mica/

O uso da cerâmica

PROENÇA, G. – A História da Arte. Ed. Atica. São Paulo.

http://historiadomundo.uol.com.br/chinesa/arte-arquitetura-china.htm

As imagens desse post são do pinterest, bem como disponível na web.