A importância da linguagem na formação do ser humano

Oi Gente

Hoje resolvi colocar aqui no Blog um pouco de uma entrevista onde Marco Antonio Coutinho Jorge responde sobre Lacan, de uma forma mais clara.

 

Na psicanálise, após Freud, existiram vários seguidores que trabalharam com os conceitos de Freud e o Jacques Lacan foi um deles.  Como já disse por aqui, entre os pós-freudianos, eu optei por Lacan.

Acredito que suas teorias são as que fazem mais sentido e os resultados aparecem de uma forma libertadora para o sujeito. Além de melhorarem os seus sintomas, os quais muitas vezes aparecem como de origem fisiológica, mas na realidade são de origem emocional, o sujeito elabora suas questões e começa a ter um movimento naquilo que muitas vezes estava paralisado.

Coutinho Jorge é um dos maiores especialistas brasileiros na obra de Jacques Lacan. Ele é psiquiatra e psicanalista e é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e autor de vários livros como Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan –  as bases conceituais que está no volume 1 e  A Clinica da Fantasia, no volume 2. da Editora Zahar. Isso só para citar algumas das obras dele.

Mas a entrevista que li achei muito interessante pois foram abordados temas como as premissas do pensamento lacaniano, por exemplo.

Lacan para quem não sabe era psiquiatra e psicanalista que retomou a noção dos conceitos fundamentais da teoria de Freud.

Para Freud, segundo Coutinho, são duas as dimensões primordiais que a Psicanálise destaca: A linguagem e a sexualidade. Essas dimensões foram nomeadas na teoria freudiana de dois conceitos fundamentais. INCONSCIENTE E A PULSÃO. O inconsciente sendo da ordem da linguagem e a Pulsão da ordem da sexualidade.

O que fez Lacan?

Lacan retomou a noção dos conceitos fundamentais de Freud em um seminário de 1964 e denominou como “Os Fundamentos da Psicanálise” e “nele desenvolveu a noção dos quatro conceitos fundamentais da Psicanálise, que incluem além do inconsciente e da pulsão, conceitos da teoria psicanalítica, a transferência e a repetição, conceitos específicos da clínica psicanalítica”.

Mas Lacan parte da constatação de que o sujeito (a pessoa, o ser humano) é regido pela linguagem. E que linguagem é essa?

É a linguagem do Outro, ou seja de um Outro que te antecede, que já estava aqui no mundo quando você chegou. O bebê nasce e a linguagem é desenvolvida não é mesmo? Por isso em cada país tem a sua linguagem e que linguagem é essa? É a linguagem do Outro que já estava aqui e é isso que estrutura o ser humano.

E que são esses Outros que já estavam aqui? Esse Outro pode ser a mãe, a pessoa que cuida do bebê, o pai, os irmãos os tios, as tias, os primos, as primas, depois os professores, os amigos, a cultura, o país. São todos aqueles que estão próximos a essa criança que está sendo estruturada e que a partir do que ouve e aprende nesse contexto onde está sendo criada é que vai determinar ele (ela) no futuro.

Assim,”O Sujeito é efeito da linguagem e do discurso do Outro”. Olha como Coutinho Jorge explica bem essa parte:

“… Até aquilo que chamamos de nome próprio, que nos designa em nossa particularidade diante do mundo e de nossos semelhantes, é escolhido pelo Outro. O nascimento de um sujeito (do bebê)  é produto do desejo do Outro – mesmo antes de ter sido concebida, a criança já encontra um lugar no discurso dos pais, de desejo e amor. É verdade que às vezes não, o que produz outro tipo de efeitos destrutivos na existência”.

“O nascimento de um bebê é antecedido por uma longa história simbólica de filiação na qual ele inscreverá. Tudo conta no lugar que o novo ser ocupará: seu lugar na prole, o momento (especialmente bom ou mau ) vivido pelos pais e pela família quando ele vem ao mundo, a fantasia dos progenitores sobre sua futura existência – isso sem falarmos na época, no país, na classe social, na família, na língua, etc”.

“Ao nascer a criança cai numa malha de linguagem hipercomplexa, inconsciente em sua quase totalidade, que definirá o lugar que ela ocupará no mundo humano. Lacan postula uma alienação fundamental originária, constitutiva do sujeito, e da qual ele precisará se separar. Não há como não se alienar, mas é preciso depois poder se separar”.

Poder se separar gente para não viver a vida toda no desejo do Outro. É isso que uma análise bem feita e com profissional competente pode te oferecer, ou seja trabalhar questões para que você possa viver de acordo com o seu desejo e não somente subordinado ao desejo do Outro ou dos Outros.

Por hoje é isso, para você pensar um pouco.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.