Resumo segundo capítulo livro Eu Primata

Oi gente

Dando sequência as minhas anotações sobre o Livro do Eu primata, segue nesse post a parte II, que e um pequeno resumo do segundo capítulo do livro Eu Primata. Aqui trago para você um fichamento do texto do autor Frans de Wall, que eu achei interessante e divido com você essa minha leitura.

Alguns comportamentos dos Chimpanzés
Geralmente os chimpanzés “só procuram intimidar uns aos outros com demonstrações de agressividade que chamamos de ‘blefes’, porém ocasionalmente o blefe é reforçado com ação”.
 
Como os chimpanzés, “apesar da nossa tendência de mutilar e matar, queremos ouvir que tudo vai ficar bem”.
 
Os “chimpanzés levam sua política [de poder] mortalmente a sério”. Ou seja, ao perderem certa parcela de poder, tramam, lutam e fazem o que for necessário para reavê-la.
 
“As manobras de dois contra um são o que traz tanto refinamento como perigo às lutas de poder entre os chimpanzés. As coalizões são essenciais. Nenhum macho pode dominar sozinho, pelo menos não por muito tempo, pois o grupo como um todo pode derrubar qualquer um. Os chimpanzés são tão hábeis para coligar-se que um líder precisa de aliados a fim de fortalecer sua posição e aumentar a aceitação da comunidade em geral.
 
Manter-se no topo é um exercício de equilíbrio entre expressar veemente a dominância, manter os aliados satisfeitos e evitar a revolta em massa […] a política humana funciona exatamente da mesma forma”.
 
 
O macho alfa é o líder. E para ser um macho alfa é necessário, além de músculos, astúcia. Alguns machos utilizavam-se da astúcia para, junto ao macho alfa, tornar-se braço-direito e conseguir recompensas próprias, as quais nenhum outro macho poderia desfrutar, constituindo assim uma coalizão. Um erro do atual alfa para com o seu braço-direito pode resultar num complô contra ele mesmo, por conseguinte, sua perda de poder e a substituição do macho alfa (dominante) por outro.
 
 Porém, a coalizão (antigo alfa e seu braço-direito), pela falta de poder, pode vir a ressurgir, retomando, assim, o poder de forma violenta. As brigas se tornam necessárias na tomada do poder. Mas as fêmeas podem vir a interromper “coletivamente as alterações entre machos que se descontrolam”, separando, assim, as lutas sangrentas. Além disso, elas podem vir a apoiar certos machos e expressar a sua opinião quanto às brigas, como, por exemplo, no caso de Puist e Nikkie, em uma agressão ao ganhador, por apoiar o antigo alfa.
 
“O poder é o principal motor dos chimpanzés machos. Obsessão constante, traz grandes benefícios quando obtido e imenso desgosto se inatingido”. Assim, para os machos, a disputa pelo poder “é um jogo de tudo ou nada: a posição na hierarquia determina quem plantará muitas sementes e quem não plantará semente alguma”. Isso remete àquela tendência da seleção natural: “a produção de descendentes” e, por isso, “os machos têm estrutura de lutador e tendência a procurar pontos fracos nos rivais, além de certa cegueira para o perigo”.
 
 
“Para um macho de alta posição hierárquica seria conveniente camuflar quaisquer desvantagens, e essa tendência pode ter se arraigado. Entre os chimpanzés, não é raro um líder ferido redobrar a energia que põe em suas demonstrações ritualizadas de agressividade, criando assim a ilusão de estar em plena forma”. Por isso, também, a tendência de o homem procurar um médico com menos
freqüência e esboçar mais dificultosamente as suas emoções.
 
Os homens quando se encontram pela primeira vez, geralmente, fazem de tudo para encontrar o ponto fraco do outro, além de tomarem posições e apresentarem comportamentos intimidadores, desejam “impressionar o interlocutor o suficiente para que o resultado seja favorável a si mesmos”.
 
“O que os chimpanzés fazem com suas demonstrações ritualizadas de agressividade –eriçando os pêlos, batendo em qualquer coisa que amplifique os sons, arrancando pequenas árvores -, o macho humano faz de um modo mais civilizado, deitando por terra os argumentos de outros ou, mais primitivamente, não lhes dando tempo para abrir a boca. Esclarecer a hierarquia é a prioridade. Invariavelmente, o encontro seguinte entre os mesmos homens será mais calmo, indicando que alguma coisa ficou estabelecida, embora seja difícil saber exatamente o quê”.
 
 O poder é como uma droga, além de gerar euforia, vicia, e a sua perda gera ira, frustração e agressão. O egoísmo quanto ao poder é exacerbado: os chimpanzés o guardam com ciúmes. Portanto, ser destronado requer medidas drásticas para retomar aquele efeito primeiro – de euforia e bem-estar, regozijando de recompensas. “Derrubar um macho [o alfa] do seu pedestal produz a mesma reação despertada quando se arranca a chupeta ou o cobertorzinho favorito de um bebê”. Quando perde o poder, o chimpanzé perde o alento: “’a política dos chimpanzés’, como a política humana, é um embate de estratégias individuais para ver quem sai vencedor”.
 
 
 
“Entre os chimpanzés, a hierarquia permeia tudo”. Até mesmo a fêmea alfa ocupa uma posição hierárquica e atacando outras fêmeas pode frisar a sua posição, sendo, pois, respeitada. Diferentemente dos machos, as fêmeas chimpanzés não formam coalizões: compartilham do poder, mas a fêmea alfa não necessita de apoio para tal, pois são as suas características que determinam o seu grau de poder; sem a necessidade de disputas não precisam apelar a embates físicos. Sem embargo, os machos utilizam de embates físicos, pois o poder para eles sempre é disputável; e eles mesmos precisam uns dos outros para a ascensão de status, formando, então, coalizões. A formação de coalizões é necessária, pois, de forma política, vencer o rival individualmente abre a possibilidade de ser posteriormente massacrado pelo grupo, daí a necessidade de ser apoiado pelo grupo todo como sendo o soberano. Deste modo, a força física não é a única prioridade ao soberano, mas também o apoio de companheiros – a formação de uma coalizão.
 
Quanto ao timbre de voz, pessoas de status mais baixo tendem a igualar-se àquelas de status mais alto, fazendo-se assim convergir os timbres de voz num mesmo. Pesquisas demonstram que pessoas as quais mantêm o seu timbre de voz constante demonstram segurança, ou seja, uma postura segura.
 
Outra importante forma de linguagem não é senão a corporal, a qual os chimpanzés percebem de forma extraordinária. “Atribuímos tanta importância à comunicação verbal que perdemos a noção do que nosso corpo diz sobre nós”.
 
Logo, dependemos tanto de hierarquia quanto de linguagem corporal: “a harmonia requer estabilidade, e esta depende, em última análise, de uma ordem social reconhecida”.
 
 
 
 
O partido que tiver mais apoio será o vencedor. Deste modo, se o líder tiver mais apoio que a oposição, então terá maior probabilidade de permanecer no poder, enquanto que caso ocorra o contrário, a sua probabilidade de perder o poder será maior. A submissão do antigo alfa demarca a assunção do desafiante a tal status e não apenas uma mera derrota prima, ou seja, enquanto o macho alfa não demonstrar, sinalizar, que está submisso àquele que o derrotou, nada estará decidido de fato. Tal ato assume a face de que o ex-alfa deve assumir a nova posição do desafiante (atual alfa) para uma ressocialização, caso contrário o ex-alfa pode ser deixado sozinho, de lado.
 
As fêmeas de chimpanzés também se unem formando coalizões que, geralmente, atacam machos perversos. Com o uso da solidariedade e da autoridade de uma orquestradora-mor essas fêmeas podem “ministrar surras tão memoráveis que qualquer macho, compreensivelmente, se apressa a sair do caminho”.
 
As fêmeas bonobos também agem em equipe nas florestas, porém tais grupos são maiores, organizados pela alta sociabilidade de sua espécie. Elas “aperfeiçoaram a solidariedade feminina latente em todos os grandes primatas africanos” e criaram vínculos mais poderosos entre si. Desse modo, as fêmeas de bonobos dominam o âmbito coletivo, ao contrário das populações humanas, cuja
dominância é masculina. Nos bonobos, as fêmeas estão associadas à aquisição de alimento e por isso dominam o coletivo, sendo assim, “machos totalmente crescidos reagem com submissão e medo à mera aproximação de uma fêmea de posição hierárquica elevada”.
 
 Como os bonobos machos não lutam pelo poder, diminuindo, assim, a sua taxa de mortalidade, eles “têm vida mais longa e saudável do que seus congêneres chimpanzés”. A hierarquia dos machos é feita com apoio às suas respectivas mães, ou seja, o macho alfa é filho da fêmea alfa e na fraqueza desta os seus filhos machos também serão subjugados a uma classe hierárquica inferior. Portanto, os chimpanzés poderiam ser considerados mais politizados que os bonobos. No que se refere à hierarquização das fêmeas, “a idade parece ser pelo menos meio caminho andado para definir a posição de uma mulher entre outras”. De tal forma, as movimentações sociais são bem menos freqüentes nos bonobos que nos chimpanzés. Nos bonobos há uma menor chance de camadas inferiores e ambiciosas ascenderem às camadas mais altas e, além disso, conforme já mencionado, as coalizões dependem de parentesco. Assim, o bonobo macho “tem menos oportunidades de moldar seu futuro do que o chimpanzé macho”, os quais podem criar coalizões com outros machos não aparentados. Tal situação possibilitou que “a evolução [fizesse] dos chimpanzés machos estrategistas oportunistas”. Ou seja, o bonobo macho é jogado numa situação a qual “ele não tem […] controle sobre seu próprio destino”, o que “seus parentes […], os
humanos e os chimpanzés, consideram direito inato”.
 
 
 Grooming – afagar os pêlos de membros do mesmo grupo e/ou espécie.
 
 
 Os chimpanzés escolhem logicamente quem apoiar numa campanha de poder, corroborando a teoria das coalizões de que força é fraqueza. Desse modo, o chimpanzé mais forte terá menos recompensas a oferecer ao braço-direito, pois esse nada acrescentará àquele; já se o braço-direito foi adicionado a um chimpanzé mais fraco, mas que em conjunto poderão derrotar aquele alfa poderoso, o braço-direito será mais recompensado, pois o seu apoiado, que é mais fraco, terá mais “a agradecê-lo” do que o outro. Logo, o princípio correspondente é ilustrado: “fraqueza é força”. Assim, “os contendores menos fortes podem posicionar-se em uma intersecção que oferece grandes vantagens”.
 
Na “política dos macacos”, eles têm “tendência […] a apoiar os vencedores, e isso significa que os indivíduos dominantes raramente encontram resistência. Ao contrário: o grupo oferece-lhes ajuda”. Já os chimpanzés são diferentes: ora apoiam vencedores, ora perdedores. Portanto, as sociedades dos macacos são altamente instáveis, sendo o poder apical mais precário “do que em qualquer grupo de macacos”.
 
Conforme já dito anteriormente, chimpanzés podem expressar as suas opiniões acerca de fatos ocorrentes em seu grupo. Às vezes, as fêmeas se organizam em grupos grandes para formarem “coros” que gritam para a interrupção de alguns ataques que o alfa possa vir a fazer contra outra de seu grupo. A potencialidade desses gritos ao atingir o macho depende muito da quantidade de fêmeas que se unem e este fenômeno depende, por sua vez, da presença da fêmea alfa. Por fim, o macho tende a cessar o ataque caso o grupo de fêmeas que grunhem se torne muito grande e o som dos grunhidos se torne ensurdecedor.
 
 
Ostracismo – punição de um macaco valentão por parte de seu grupo, forçando-o ao exílio do território.
 
“Se os que estão no degrau inferior da escala social estabelecem coletivamente um limite e ameaçam graves conseqüências caso os do degrau superior o transponham, temos o princípio daquilo que, em termos jurídicos, chamamos constituição”.
 
Grande autoconfiança combinada a uma atitude maternal punha Mama no centro absoluto do poder” (os negritos são meus).
 
“seguir ao pé da letra a escala social não nos levará a lugar algum. Sempre existem pessoas em posições elevadas que têm pouca influência, e outras em posição inferior (como a secretária do chefe) cuja amizade precisamos cultivar. É verdade que a estrutura formal [da sociedade] reforça-se em tempos de crise, mas de modo geral nós, humanos, tendemos a estabelecer uma ordem imprecisa de influências entrecruzadas […] [também] encontradas em uma colônia de chimpanzés”.
 
“a dominância social está sempre em nossa mente […] O sorriso humano deriva de um sinal de apaziguamento, e é por isso que geralmente mulheres sorriem mais do que homens”.
 
“o sistema político dos bonobos é bem menos fluído que o dos chimpanzés. Repetindo: isso ocorre porque as coalizões mais cruciais, entre mãe e filhos machos, são inalteráveis”.
 
Assim finaliza mais algumas anotações do segundo capítulo desse livro que achei muito interesse, por observar como o comportamento dos primatas se assemelham aos humanos.
 
Era isso por hoje gente.
Obrigada pela sua  visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.
 
Um Abraço.