A alienação do sujeito na contemporaneidade

Oi Gente

O objetivo do post de hoje é trazer um pouco sobre essa questão da alienação do sujeito na contemporaneidade, e um convite para que se possa refletir a respeito.

 

Na contemporaneidade, a solicitação que o sistema capitalista faz para o indivíduo, na exploração de sua força de trabalho, nas relações de produção, requer constantes adaptações, para citar algumas:  constante aprendizagem, agilidade, disponibilidade e ainda, requer um sujeito que se ordene segundo os princípios do capital para que se possa estar alienado ao Sistema no sentido de não poder questionar e sim ser um indivíduo dócil para responder as solicitações dessa Sociedade Capitalista, onde o capital e o lucro são os seus maiores objetivos para a sua manutenção.

O aumento das populações de baixa renda, as migrações entre os países em busca de emprego na atualidade, acabam trazendo dificuldades para a ordem social, bem como todos os problemas gerados pela competitividade e pela falta de oportunidade para um número cada vez maior de indivíduos o que, possivelmente, vai acarretar, do ponto de vista subjetivo, o aparecimento de quadros psicossomáticos, depressivos, gerando a sociedade gastos sociais altíssimos. Mendes (2012) vê a psicanálise como forma de intervir nessa situação, abrindo à psicanálise “em extensão e alargando seu domínio de ação, dando espaço para a palavra, nas suas dimensões éticas e política”.

 

A Cultura possui um sistema simbólico

“Se o sistema simbólico não funciona senão ao simbolizar, então requer a força da simbolização para funcionar. Para funcionar, efetivamente, o sistema deve usar a força da simbolização, enunciação e renúncia do sujeito.  Consequentemente, essa força tem um valor de uso, uma utilidade como força de trabalho para o sistema que a usa e que necessita usá-la para trabalhar. O Sistema Simbólico da cultura não poderá executar seu trabalho, o trabalho da linguagem e do inconsciente, sem usar a força de trabalho do sujeito falante (…) o sistema simbólico paga a própria vida do sujeito falante de acordo com seu valor de troca para obter seu valor de uso como força de trabalho do sistema.” (CUÉLLAR, 2010, P.54).

Assim, como em Marx, o sujeito falante vende sua força vital como uma mercadoria, como uma troca que vai lhe assegurar a sua subsistência. De uma perspectiva lacaniana, esse valor de troca é o valor simbólico de um significante que o sujeito vai receber do sistema, podendo ser materializado no dinheiro, como também de outros valores simbólicos disponíveis através de muitos outros significantes, tais como: o prestígio, a beleza, nacionalidade, nível acadêmico e demais valores que garantam a subsistência ao sistema. 

Um exemplo para ficar mais claro

Cuéllar (2010) cita o exemplo do professor que, em troca dessa identidade simbólica que ele recebe do sistema e que o representa no discurso transindividual, ele cede ao sistema o valor de uso da sua força vital, força de trabalho, requer também a vida do professor onde administra aula, escreve artigos, corrige provas e assim, o professor vai respondendo ao Sistema, em troca do valor simbólico do significante professor. Ele se aliena, perde-se a vida, o gozo real da vida.

Assim, para manter a cultura é necessário que se produza e consuma aquilo que foi produzido e, para isso, se requer trabalho, e se requer consumo de produtos que são artigos, puramente simbólicos, que a própria cultura fornece. Esse consumo será sempre insatisfatório para que se possa manter  aceso o desejo de consumir e de produzir. Aqui pode-se pensar: um carro melhor, uma casa maior, um novo celular, etc…

Os artigos que vão sendo consumidos não compensarão o gozo perdido. Faz-se necessário que haja o mal-estar nessa cultura para que garanta a sua sobrevivência e segundo Lacan (apud Cuéllar 1958/1959) “não há outro mal-estar na cultura que o mal-estar do desejo”. Assim, de acordo com o autor: “quando a cultura explora nosso mal-estar como força de trabalho, o que está explorando é o nosso desejo”. p. 60

A busca da singularidade, segundo Bauman

A contemporaneidade utiliza-se ainda dessa busca da singularidade para tornar o sujeito alienado ao Sistema. Segundo Bauman (2009), em seu capítulo O indivíduo sitiado cita que:

“A luta pela singularidade agora se tornou o principal motor da produção e do consumo de massa. Mas, para colocar o anseio por singularidade a serviço do mercado de consumo de massa (e vice versa), uma economia de consumo também deve ser uma economia de objetos de envelhecimento rápido, de obsolescência quase instantânea e veloz rotatividade. A singularidade é agora marcada e medida pela diferença em ter o novo e o ultrapassado, ou entre as mercadorias de hoje e as de ontem, que ainda são novas e, portanto, estão nas prateleiras das lojas. “(p.36).

Ao indivíduo cabe a tarefa de garantir a sua sobrevivência, que se adapte a essa sociedade que um dia, em nome da civilização, lhe prometeu através de alguns contratos que a mesma lhe proporcionaria o prazer tão buscado pelo ser humano.  Mas, nem todos farão parte dessa sociedade de consumo, mantendo-se assim os excluídos e como excluídos, também, se tornam obsoletos e descartáveis.

O Sistema Capitalista, ao se utilizar do discurso da singularidade, aumentou a necessidade dos indivíduos em consumir cada vez mais novos produtos e se manter atualizados e assim, através desses produtos, poder se diferenciar dos demais, banindo aqueles que não têm acesso aquilo determinado pela cultura, e não atendendo a solicitação do social poderão vir a se tornarem não só os excluídos, como na tentativa de não conseguirem responder a essa demanda poderão se tornar violentos, “drogadictos” e apresentar o maior número de doenças.

Enfim gente, o objetivo do post foi tentar refletir um pouco sobre as colocações de alguns autores e, se pensarmos bem, é o que presenciamos na atualidade. Se nos tornamos alienados pelos símbolos criados na sociedade, penso que poder  saber um pouco sobre essa realidade, podemos pensar como tentar, pelo menos, fazer alguma coisa para que essa alienação não seja tão prejudicial a nossas vidas. 

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

 

 

Referências:

BAUMAN, Z. O mal-estar da pós-modernidade.Ed. Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 1998

CUÉLLAR, D. P. – Trabalho do Inconsciente e mal-estar na cultura. Ver. A Peste, v. 2, n.1, p. 45-61 – São Paulo – jan/jun 2010