Passou dos 50? O que querem a próxima geração de idosos no Brasil?

Oi Gente

O objetivo do post de hoje é refletir um pouco sobre essa questão: O que querem a próxima geração de idosos no Brasil? Vale lembrar que nós que já passamos dos 50, seremos essa próxima geração. Saiba um pouco mais por aqui…

O motivo que me fez fazer esse post e dividir com você

Resolvi fazer esse post por aqui hoje e dividir com você, após ter passado nessa última sexta feira, dia 25/08/2017, por um susto, após receber um telefonema na agradável de repente: É cada da filha da …..? Sua mãe sofreu um acidente, ainda está consciente e estamos aguardando chegar o Siate. É ou não de se assustar?

Passado a correria, se tratava sobre o atropelamento de minha mãe, uma idosa de 78 anos. Ela estava caminhando e “fazendo certinho” o que é preciso ser feito enquanto pedestre. Mas, como por aqui se percebe que motoristas apressados ainda não aprenderam a conviver com essa realidade de que o país, hoje, apresenta um grande número de idosos em sua população e que precisam ter o seu direito de ir e vir, sendo respeitados, minha mãe foi uma que teve que passar por mais essa experiência na sua história de vida. 

Após a cena triste de ver sua mãe esticada em um asfalto, com muita gente em volta, siate e sangue espalhado, fomos lá enfrentar a situação. Após aqueles longos momentos que demoram a passar até se obter os resultados de todos os exames, tomografias, rx e tempos de observação, retiramos nossa mãe do hospital  com 10 pontos na cabeça, e pudemos passar esse domingo com nossa mãe idosa de volta ao lar. Lembrando que nem sempre, situações semelhantes, acabam com um final feliz.

Embora as fotos que escolhi,  para ilustrar esse post, não representem a grande realidade de nossos idosos aqui no Brasil. Gostaria que as mesmas pudessem colaborar para que possamos refletir sobre os direitos a uma velhice digna dos nossos idosos brasileiros.

O Brasil, considerado ainda como um país jovem, comparado com os demais países desenvolvidos, vem a cada ano apresentando uma nova realidade.

O tempo passa e passa rápido e observa-se que, ainda, temos que evoluir e aprender muito como conviver com essa mudança de realidade. Nossos pais, infelizmente, vem sendo os “cobaias” nessa experiência vivida em um país que não estava preparado para atender a essa faixa de idade, haja visto o que presenciamos quanto a falta de habilidade e, até mesmo, falta de respeito com relação aos nossos idosos.

Observa-se vários relatos sobre essa questão e, como acompanhantes de nossos idosos, algumas vezes presenciamos cenas no cotidiano que nos geram indignação.

A impressão que se tem é que estamos diante de um incêndio sem as ferramentas próprias para que se possa apagar o fogo. E aí? O que podemos fazer com isso? Como dar o devido respeito e atendimento qualificado ao idoso, que contribuiu com sua força de trabalho na construção desse país?

Algumas estatísticas

  • De acordo com o IBGE em 2055, o número de brasileiros com mais de 60 anos vão superar os de 29 anos;
  • O percentual de brasileiros com idade acima de 60 anos, atualmente, já representam 17% da população; (“A cidade com maior número de cidadão com mais de 61 anos é Coqueiro Baixo, no Rio Grande do Sul. Por lá, 3 em cada 10 residentes têm mais de 60 anos – esse valor chega a ser quase três vezes maior do que a média nacional”);
  • No Estado do Rio Grande do Sul, está a concentração maior de idosos brasileiros – 11,1%, seguido do Estado do Rio – 11,4%.

    Expectativa de vida

    Sobre a expectativa de vida, as estatísticas trazem uma média, porém devemos considerar as diferenças desses números dependendo de cada região brasileira.

    Mas, de acordo com o IBGE a expectativa de vida do brasileiro(a) é de 74,9 anos.  Ouvi de um médico aqui da minha cidade de Londrina, por exemplo, que por aqui é 82 anos. 

    A ONU projeta que em 2050, essa média será de 81,2 anos.

    Devemos lembrar que o aumento de expectativa de vida se deve aos avanços da medicina, da educação, de políticas de saneamento básico e todas essas melhorias que os próprios idosos que estão dentro dessa faixa trabalharam para que isso venha melhorando com o passar do tempo.

Como e onde estão os nossos idosos?

“Um estudo inédito do Mosaix Brasil, da Serasa Experian, (…) metade dos idosos que residem no Brasil faz parte da classe média e usufrui de boas condições de vida. Outros levantamentos compilados por EXAME.com revelam que mais idosos estão aproveitando a velhice para voltar a estudar, investir em lazer ou voltar para o mercado de trabalho.”

Por essa informação, pode-se confirmar o que já sabemos que a qualidade de vida está diretamente ligada a expectativa de vida. Ou seja, está diretamente ligada ao fator econômico. Ai eu pergunto: E como fica a expectativa de vida dos nossos queridos idosos, menos favorecidos? Devemos nos conformar que a morte tem hora marcada, de acordo com a classe social?

Dos 17% da população idosa do Brasil, apenas 4,6 possuem um alto padrão de vida. “De acordo com o estudo da Serasa Experian, o grupo dos idosos que possui elevada escolaridade, vive em áreas nobres e desfruta de carros de luxo, entre outros pontos, e representam 1 milhão de pessoas. O percentual que reside em regiões pobres chega mais que dobrar, – 10,8% desse nicho possui baixa renda e vive em condições precárias.

Qual a maior preocupação dos idosos?

De acordo com a pesquisa da QualiBest a pedido da Pfizer, citado na revista Exame, 77% dos entrevistados brasileiros responderam que o maior temor com a velhice é relativo aos problemas de saúde, seguido da preocupação financeira citada como a pior parte do processo de envelhecimento. Estão em seguida a aparência física, responsabilidade e energia.

Em que lugar se encontra o Brasil no quesito qualidade de vida dos idosos?

“No relatório de qualidade de vida para idosos do Global Age Watch 2014, o Brasil ocupa o 58 em um ranking de 96 países. Para chegar nesse resultado, a pesquisa levou em consideração fatores como expectativa de vida, bem-estar psicológico, renda, transporte e segurança. Porém, em matéria de segurança de renda, o país aparece em 14 lugar. A cobertura de aposentadorias é um dos principais motivos para isso – cerca de 86,3 % da população acima dos 60 anos tem uma renda fixa”.

Vamos então tentar responder a questão lançada como título desse post: O que querem a próxima geração de idosos no Brasil? 

Fiquem a vontade para completar a lista abaixo, caso você faça parte da próxima geração de idosos, assim como eu. Ok?

  1. Em primeiro lugar os idosos querem continuar inseridos na sociedade que ajudaram a construir;
  2. calçadas sem buracos, para evitar quedas (das quais geram até mesmo algumas mortes);
  3. quebrar o tabu de achar que idoso não precisa de mais nada e que não podem pensar por si próprios;
  4. querem o direito de ir e vir, apesar de suas dificuldades motoras, em alguns casos;
  5. querem o respeito dos mais novos sobre suas limitações;
  6. querem o bom atendimento e paciência nas instituições quando há necessidade de uso de tecnologias, aos quais, alguns, sentem dificuldades; que as empresas preparem adequadamente funcionários para atender com respeito e paciência o cliente idoso;
  7. querem que respeitem os seus lugares, estipulados por lei, para estacionar;
  8. querem que as empresas criem produtos adequados para suas idades; desde vestuário, meios de transportes, sinalização e respeito no transito;
  9. querem que não o discriminem achando que cabelos brancos significam saber menos que os outros; que respeitem a sua sabedoria e experiência de vida;
  10. querem ganhar presentes que não sejam somente pijamas e chinelos; perguntem a eles o que querem e respeitem a suas escolhas, mesmo que para você seja algo que deteste;
  11. querem que os filhos os levem passear; para ver vida a sua frente e não somente levá-los a velórios para as despedidas dos entes queridos;
  12. querem a visita dos netos, que eles aprenderam a amar e, muitos, ajudaram na primeira infância;
  13. querem que os mais “espertos” não os escolham para dar golpes, muitas vezes oferecendo empréstimos e/ou produtos que não os favoreçam;
  14. querem um lugar a mesa, um lugar no ônibus, no metro, que o ajudem com um pacote pesado, uma mala, que fiquem o menos tempo na fila (já abriram mão, quando mais novos, desses privilégios;
  15. querem paciência com eles, lembrando que todos chegarão nessa etapa da vida;
  16. querem oportunidade de trabalho, o direito de colaborar, quando se sabe que é preciso preencher esse tempo com aquilo que sabem fazer e que isso poderão prolongar mais sua existência;
  17. querem que as farmácias os tratem com respeito, sem ficar empurrando remédios sem necessidade;
  18. querem que os motoristas, motoqueiros, bicicletas, quando avistarem um idoso, dirijam mais devagar e os respeitem, pois já não tem mais a agilidade, os reflexos e a visão dos mais novos;
  19. querem um lugar para dizer que é seu, mantendo respeito a sua privacidade;
  20. querem que os ouça, mesmo que a história seja repetitiva e que os insira dentro das relações sociais; querem ver e participar da formatura de um neto, de um casamento, de um aniversário, etc…
  21. querem locais em suas cidades, onde possam se distrair e fazer encontros com pessoas de suas idades, como forma de continuarem sendo produtivos, liberando os filhos para que possam realizar e construir o seu percurso de vida; 
  22. querem que se lembrem que são apenas idosos, porém estão vivos e tem direito a viver da melhor forma que escolherem;
  23. embora o idoso tenha que lidar com muitas perdas, durante os longos anos de seu envelhecimento, como a perda de familiares, de empregos, de amigos, da saúde, de vitalidade e tudo o mais que o tempo vai trazendo para cada um, é preciso lembrar que estão vivos e que precisam ver a sua frente vida e não apenas a finitude de sua vida a sua frente;
  24. querem viajar com alguém que tenha a devida paciência para respeitar as suas demoras e limitações. Se  não puderem todos juntos em família,  que algum dos filhos lhes proporcione, de vez em quando, um passeio a dois priorizando os desejos do idoso, mesmo que seja visitar um cemitério, uma igreja, e/ou visitar um compadre e amigo de sua época;

 

Já que sabemos que nem todos os nossos idosos tem o privilégio de ter a tão sonhada qualidade de vida, até porque quem disse que esse mundo é justo contou uma mentira para você, o mínimo que se pode fazer é aprender a respeitá-los e tratá-los com a dignidade que merecem.

Faz-se necessário ensinar as crianças de hoje a respeitar os idosos, as quais viverão com um grande número de deles em sua juventude e maturidade, para que essa relação, entre jovens e idosos,  possa ser vivida e compartilhada no mesmo espaço, principalmente o público, de uma forma mais harmoniosa, buscando respeitar as diferenças de cada um.

A experiência e sabedoria do idoso com a agilidade e conhecimentos dos jovens, poderá ser a melhor dupla para a realização de grandes projetos. Lembrando, também, que as novas gerações de idosos estão aí muito mais conscientes de sua realidade, mais ativos, mais participantes da sociedade e que estão dispostos a exigir, acima de tudo, 

Um dos maiores objetivos de nossa existência é viver o mais tempo possível, e sobrevivem mais, geralmente, os mais preparados. Lembrando, ainda, que é melhor ser idoso do que morrer jovem.

Enfim gente, a lista seria interminável quando pensamos no quanto, ainda, nós brasileiros precisamos caminhar e aprender para se adequar a essa nova realidade no país da convivência com o aumento da população de idoso. E, quanto a nós, que faremos parte dessa próxima geração, precisamos refletir, observar e colaborar para que nossa sociedade aprenda a se relacionar melhor com essa nova realidade. 

A maioria de  nossas empresas e instituições são administradas por profissionais, em média, com idades acima dos 45 anos e que farão parte das próximas gerações de idosos. É o momento sim de se pensar em como preparar o nosso país, para recepcionar essas próximas gerações de idosos,  que não tem nada mais a ver com a geração de nossos pais. Os cinquentões e/ou mais, estão aí a todo vapor, produtivos, inseridos ainda no mercado de trabalho e acreditem, queira ou não, saberão sim exigir os seus direitos como cidadão de receber da sociedade o mínimo de respeito que a geração “cobaia” de nossos pais, infelizmente, na sua grande maioria, não tem recebido.

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço

 

 

 

Referências: