História da Moda 1960 a 1970

Oi Gente

O post de hoje tem como objetivo trazer aqui para você um pouco sobre esse período da História da Moda entre os anos de 1960 a 1970. Acredito que a partir de 1960, considerado como os revolucionários anos 60, a moda acompanha essa virada na História, contribuindo assim para, com a forma de se vestir, mandar o recado para a sociedade de que era necessário mais liberdade, em todos os aspectos.

Para você que já passou dos 50, pode-se pensar que já nascemos na época da rebeldia (kkk). Saiba um pouco sobre isso por aqui…

Os revolucionários anos 60

Até o início dos anos 60, os jovens se vestiam praticamente como seus pais: “roupas estruturadas, acessórios coordenados, respeitáveis ternos com gravata”.

As grandes mudanças ocorridas a partir daí, tais como: A arte pop, as viagens espaciais, o movimento hippie, novos escritores com seus novos estilos literários, novos músicos apresentando ao mundo também um novo tipo de música e demais avanços em outras áreas do conhecimento, faziam com que os anos 60 fosse um momento em que a sociedade gritava por algo novo. 

Mas vale lembrar que o grande acontecimento, nesse início dos anos 60, foi a divulgação, no dia 18 de agosto de 1960, do lançamento no mercado da primeira pílula anticoncepcional, nos Estados Unidos, com o nome de Enovid-10.

Inicia-se então uma outra forma de se lidar com a sexualidade, o sexo, deixa de ser tratado apenas como meio de reprodução. “A pílula significou uma reviravolta no conceito de sexualidade, pois o casal podia passar a manter relações sexuais apenas por prazer.”

Além da pílula, vieram os movimentos estudantis, os hippies e os movimentos femininos, e em 1969 o festival de rock de Woodstock vinha mostrar ao mundo que, aqueles velhos tempos, antes de 1960, já não teria mais volta.

A mudança na moda

Nessa década de 60, “pela primeira vez a moda começou a se concentrar nos adolescentes. Os modelos mudavam tão depressa que os fabricantes tinham dificuldades para renovar os estoques com a rapidez necessária.” Era uma corrida dos jovens atrás dos novos looks, de preferência o último look e, por outro lado, era a corrida dos estilistas para criarem cada vez mais novidades.

O prêt-ã-porter  inicia com roupas mais voltadas à juventude, com mais novidade, menos perfeição porém mantendo a classe.  “Uma nova espécie de criadores se impôs, não pertencendo mais, fenômeno inédito, à Alta Costura. (…) Cacharel reinventa o chemisier para mulher, de madrasto, num estilo simples, próximo da camisa de homem. Mary Quant cria em Londres, em 1963, o Ginger Group, que está na origem da minissaia. A partir de 1963, Christiane Bailly inova com seus mantôs amplos em forma de capa. Michèle Rosier vai revolucionar os trajes de esporte de inverno, propondo uma silhueta ajustada de aspecto cóscimico. Emmanuelle Kahn, Élie Jacobson (Dorothée Bis) fazem igualmente parte dessa primeira geração de estilistas que estiveram na origem do sportwear, do vestuário livre de espírito jovem”. ( LIPOVETSKI, G. p. 127).

ANDRÉ COURRÈGES

“Em 1964, o estitilista francês André Courrèges (1923), um experiente alfaiate que foi aprendiz de Balenciaga História da Moda de 1950 a 1960

fundiu as linhas regulares e as formas geométricas do antigo mestre e as de Givenchy na estética “garota lunar”, com acabamentos em vinil inspirados na corrida espacial. Com predominância de branco e prata, era completada por meias brilhantes, sapatos de couro metálico, enormes colares cromados, pulseiras de plástico e brincos baratos”. p. 110

André Courrèges, criou nesse período uma moda que “livra as mulheres dos saltos, altos, do peito comprimido, das roupas apertadas, das ancas, em favor de um traje estruturado que permite a liberdade do movimento”. Foi ele, também, que deu a minissaia um estilo próprio. “Com suas botas de saltos baixos, seu branco puro, suas preferências a colegiais de meias soquetes, seu dinamismo de geômetra, o estilo Courrèges registra na moda a ascensão irresistível dos valores propriamente juvenis, teenagers.”. (LIPOVETSKI, G. p. 128.)

MARY QUANT

Nessa década Londres é quem saia na frente, inovando no mundo da moda. Mary Quant, estilista Britânica, “em 1962, a estilista lançou a linha Ginger Group, mais barata: prêt-à-porter,feita em quantidade e distribuída a butiques e lojas de departamento em toda a Inglaterra.” p. 103

A estilista queria conquistar também o mercado americano, introduzindo por lá a moda britânica. “Em julho de 1965, a primeira turnê Youtquake levou oficialmente a minissaia aos Estados Unidos”. p. 104

Na Europa foi Yves Saint Laurent um dos primeiros a perceber o declínio da alta-costura e em 1966 abriu sua primeira loja, com a marca Rive Gauche, “foi a primeira vez que um grande estilista dedicou-se tanto ao prêt-à-porter quanto à alta costura”.  A nova forma de se vestir, com maior liberdade, não teria mais volta. Logo após a iniciativa de Yves Saint Laurent, os demais estilistas como: Lanvin, Nina Ricci e Pierre Cardin vieram em seguida atendendo a demanda daqueles novos libertários dos anos 60.

 TWIGGH

Twiggy

A jovem modelo, de apenas 16 anos, com o corte de cabelo que chamou atenção por ser bem rente a nuca, liso e colorido e com total segurança diante das câmeras, foi declarada pela editora de moda americana como a “minigarota em uma época de mínis”.

Twiggy na realidade era seu apelido de criança que significava “gravetos”, pelo seu porte físico ser magro e as pernas finas e compridas. 

Em 1967 ela lança a linha Twiggy Dresses, onde os vestidos eram vendidos com preços baixos, sendo peças fáceis de usar, por serem “simples, e coloridas”. Como ela mesmo disse “alegres sem chamar a atenção”. As peças de sua marca eram vendidas acompanhadas de um cabide que a cliente levava gratuitamente, estampado no mesmo o seu retrato.

Outra característica que a Twiggy inovava era na sua forma de se maquiar usando três cílios postiços, delineador e máscara.”Fossem terninhos andróginos, vestidos simples em linha A com golas incrementadas ou formas futuristas e geométricas, com o mínimo de detalhes. Ela foi a primeira supermodelo a conquistar estrelato mundial e sua face tristemente bela e inocente tornou-se a imagem emblemática e definitiva da década de 60″. p. 108

Após viajar para diversos países, inclusive o Japão, Twiggy “aposentou-se como modelo depois de apenas quatro anos, declarando que não podia ser ‘um cabide por toda a vida'”. p.108.

INFLUÊNCIAS DA POP ART

A Pop Art (Arte Popular)  surgiu nos anos 50 na Inglaterra, sendo os anos 60 onde alcançou sua maturidade nos EUA.  Representavam “os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da Segunda Guerra Mundial. Sua icnografia era a televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade”.

Saint Laurent lançou a coleção Pop Art, onde trouxe para a moda, releituras dos quadros de Mondrian, serviram de inspiração para sua coleção de 1966. “Saint Laurent lançou a coleção Pop Art, que novamente usou blocos de cores em designs simples e arrojados, trabalhando com o vestido da mesma maneira que um artista pinta sua tela”. A Moda e a Arte sempre parceiras no processo de criação.

ALGUNS ÍCONES DE ESTILO DESSA DÉCADA

Essa década, marcada com tantas alternativas na moda, demonstrando e querendo buscar a liberdade da forma como se vestir e criar estilos, surgiam vários ícones que seriam imitados por todo o mundo. Resolvi três deles aqui nesse post, pois acredito que ficaram eternizados no mundo da moda.

AUDREY HEPBURN

Audrey Hepburn foi um dos grandes ícones da moda no século XX, além de uma famosa estrela de cinema. Saint Laurent foi o estilista escolhido durante toda a sua vida. Tinha uma figura esbelta como uma bailarina, porém “chegou a estudar dança quando criança, mas foi rejeitada por causa de sua altura (…) Preferia tons pastel, preto e marfim, com pink de vez em quando, e acreditava que as cores claras destacavam as sobrancelhas e o cabelo escuro”. p. 118

O vestido mais famoso usado por ela e ficou na memória de todos, foi o seu famoso pretinho básico usado no filme Bonequinha de Luxo.

A Figurinista de Hollywood, Edith Head assim a definia: “Ela sabia exatamente como queria se vestir e o que ficava melhor, mas nunca foi arrogante ou exigente. Tinha uma doçura adorável que fazia eu me sentir com uma mãe arrumando a filha para o baile de formatura”. p. 118

JAQUELINE KENNEDY

 

Jaqueline Kennedy, foi a primeira dama dos Estados Unidos entre os anos de 1961 a 1963. Ela adorava os estilistas franceses como a alta-costura de Givenchy, mas, mostrando patriotismo usava peças de Oleg Cassini – “cujos conjuntos em tons pastel com poucos detalhes, paletós quadrados com um grande botão e casquetes lembravam muito os modelos de Givenchy”. 

O seu terno na cor rosa, usado no dia do assassinato de seu marido, ficaria marcado para sempre dentro da história dos Estados Unidos.

Com um charme e elegância que eram só dela, criou o “estilo Jackie”  era,”ao mesmo tempo jovial e sofisticado, era muito admirado e imitado”. p. 121

De uma forma discreta, preferindo cores lisas, Jackie, embora americana, observa-se em seu estilo algo mais para o estilo clássico, lembrando Chanel e os estilistas franceses. Com pouco acessórios, observa-se também a sua preferência pelo uso das pérolas, que são bem vindas em todas as ocasiões.

BRIGIT BARDOT

Brigit Bardot, atriz, dançarina, modelo francesa, que nos anos 60 foi um símbolo sexual e também uma referência de estilo nessa década de 60.

Com espírito de liberdade, característico dessa época, Bardot revolucionava com sua forma despojada de se vestir. 

 

 

Coube a ela também, aqui no Brasil, a divulgação da praia de Búzios, no Estado do Rio de Janeiro, onde em busca de um lugar mais tranquilo que pudesse viver uma história de amor, longe dos holofotes, fez com que Buzios se tornasse um lugar mundialmente conhecido. A cidade hoje, inclusive, tem uma estátua da atriz, na orla Bardot da praia de armação em Búzios.

O Estilo Hippie dos anos 60

Sem dúvida, o festival de Woodstock, nos Estados Unidos em agosto de 1969, foi um movimento para a liberdade, onde inicialmente foi projetado para receber 60 mil pessoas, no festival de rock com o objetivo de mandar a mensagem de paz e amor para o mundo. Esse momento foi  marcado na história, como uma forma de mandar um recado a todos os jovens, principalmente, de ruptura com o passado. Para se ter uma ideia, esse festival preparado para receber 60 mil pessoas, atingiu o número de 400.000 pessoas.

 

 

 

Paz, liberdade e flores era o que se esperava nesse movimento que queria reorganizar o mundo, sem coerção, visando com que as pessoas renunciassem o materialismo, bem como o consumismo e a violência. “A onda hippie dos Estados Unidos começou com uma ala mais amigável do beatnik, floresceu como movimento de oposição pacifista contra a Guerra do Vietnã e se espalhou pelo mundo”.

Valia qualquer coisa para se vestir, desde que custasse barato ou até mesmo fosse grátis. “Eram roupas feitas em casa ou customizadas, compradas em mercados de pulgas ou brechós. Improvisaram jeans boca de sino abrindo as costuras laterais e inserindo retalhos em forma de “V”invertidos. Franjas e miçangas brotaram em coletes e saias, além de camisetas e vestidos tingidos com tie-day ou batik em cores psicodélicas”. p. 150

“A contracultura nasceu como contestação dos jovens ao clima de rivalidade fomentado pela Guerra Fria. A Guerra do Vietnã tornou-se um dos principais alvos desse movimento. As formas de protesto encontradas pelos jovens desse período eram a música, sobretudo o Rock n’Roll, e as drogas – principalmente as sintéticas, como o LSD e a mescalina. Por meio do som e das letras do rock e também das performances no palco, a contracultura começou a penetrar a sociedade como um todo”. 

A moda Hippie, assim como o objetivo do movimento, era trazer a liberdade também na forma de se vestir, com roupas mais soltas, mais largas, com acessórios feitos com sementes, miçangas, (uma forma de valorizar a cultura indígena), bem colorida, com misturas que pudessem dizer ao mundo que a vida é livre, leve e solta e, que cada um, dentro daquilo que gosta, poderá criar o seu próprio look. Lembrando que a calça jeans e as famosas batas indianas estavam bem presentes nesse tipo de vestuário.

A moda masculina

As bandas de Rock e cantores exerciam grandes influências na moda masculina. “Os Beatles abriram caminho com cabelos compridos, caftãs e colares de conta”.

1964 – Rollins Stones

Elvis Presley continuou nos anos 60 influenciando o mundo da moda, tanto no vestuário mais esportivo, quanto no social. O estilo de corte de cabelos eram copiados por vários rapazes dessa década.

 

 

Quando pensamos no anos 60, lembramos das famosas lambretas e, ainda a influência dos ícones dessa época. Quanto as tendências da moda masculina, não tem como não pensar nas jaquetas de couro preta, calças jeans mais justas para os jovens, as botas que compunham o look.

 

“Redesdobramento da Alta Costura, que não apenas se voltou para a produção em série, mas que investiu desde 1961, sob a iniciativa de Cardin, no prêt-à-porter homem. A instituição, que há um século simbolizava o brilho do feminino, cria e apresenta agora coleções sazonais para homem”. 

 

 MAIS ALGUMAS FOTOS DESSA DÉCADA

 

 

 

 

 

 

Enfim gente, o objetivo do post foi trazer um pouco sobre a história da moda de 1960 a 1970. Procurei fazer uma coletânia para que você possa ter uma ideia. O assunto é muito interessante, e como já existe bastante sobre o assunto, dá para escrever vários livros e inúmeras fotos desses anos que foram, os chamados anos revolucionários, não somente na moda, mas em todos as demais áreas da sociedade.

Se gostou desse post, quem sabe poderá também se interessar por outros posts sobre a história da moda que já postei aqui para você:

Fatos e fotos da Moda no período de 1900 a 1910

Fatos e fotos da moda entre 1910 a 1920

Fatos e fotos da moda de 1920 a 1930

Fatos e fotos da moda de 1930 a 1940

História da moda de 1940 a 1950

História da Moda de 1950 a 1960

Quando e como surgiu a moda?

Como surgiu a marca no mundo da moda

 

Era isso por hoje.

Obrigada pela sua visita. Você é sempre bem vindo por aqui.

Um abraço. Como surgiu a marca no mundo da moda

 

 

 

Referências:

http://www.dw.com/pt-br/1960-primeira-p%C3%ADlula-anticoncepcional-chega-ao-mercado/a-611248

LAVER, J. – A roupa e a moda

LIPOVETSKI, G. – O império do Efemero – A moda e seu destino nas sociedades modernas – Tradução Maria Lucia Machado, Ed. Companhia das Letras, 2009

www.história das artes. com

https://en.wikipedia.org/wiki/Brigitte_Bardot

FERNANDES, Cláudio. “Festival de Rock Woodstock”; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/woodstock-maior-dos-festivais.htm>. Acesso em 06 de agosto de 2017

COX, JONES, STQAFFOR – Última Moda – Uma história do belo e do bizarro – Publifolha