Dica de Filme – Nise O Coração da Loucura

Oi Gente

O post de hoje é sobre a dica desse filme, Nise O Coração da Loucura. Nise da Silveira, uma psiquiatra alagoana,  que viveu de 1905 a 1999, sendo uma das pioneiras na quebra de paradigmas  do modo de tratamento na área da saúde mental, no Brasil.  Uma experiência no ano de 1944 na cidade do Rio de Janeiro…

 

Sinopse

O filme inicia-se com a chegada da Dra Nise (Gloria Pires)  Centro Psiquiátrico Nacional –  Engenho de Dentro, no ano de 1944,  na cidade do  Rio de Janeiro, onde práticas de tratamento aos pacientes era na base da violência, clausura e uso de técnicas como choque elétricos, sem inclusive referências sobre tempo e potência dos mesmos. 

No seu primeiro dia de trabalho, naquele Centro Psiquiátrico, diante de seus colegas psiquiatras, em uma demonstração ao vivo da aplicação de procedimentos existentes naquele ambiente, Nise se posicionou sobre a não aceitação da utilização daqueles métodos. Essa sua negação a atender as ordens de seu superior e dentro de um ambiente onde ela era a única mulher psiquiatra, foi o suficiente para a encaminharem para um setor STO – Setor de Terapia Ocupacional, o qual naquele momento só existia o nome, tamanha era a desorganização nesse local, mas parecido com um lugar de despejo de objetos não utilizados do Centro.

Aceitou assim mesmo a sua posição dentro do Centro e ali desenvolveu uma série de atividades, juntos aos pacientes na sua maioria esquizofrênicos ali internados, implantando dentro do centro um lugar mais humanizado. Para isso, utilizou-se da psicanálise analítica, de Jung, possibilitando um outro olhar para a saúde mental.

Além de introduzir as artes plásticas para esse Centro, ela também propôs o convívio com animais trazendo alguns cachorros para motivar a afetividade entre os pacientes e os animais.

Os trabalhos de arte, tanto pintura, desenhos e escultura foram sendo desenvolvidos durante esse tempo no setor comandado para ela, o que fez com que chamasse a atenção de um famoso crítico de arte da época, o qual impressionado com o nível dos trabalhos possibilitou a exposição dos mesmos a nível internacional. Trabalhos esses que se encontram atualmente no Museu de Imagens do Inconsciente, inaugurado em 1952, no Rio de Janeiro.

Nise possibilitou aos pacientes uma possibilidade de fala através da arte,  de poder expressar  seu mundo interior como na procura de um espaço para surgir como pessoa.

O filme do diretor Roberto Berliner, foi premiado nos festivais do Rio e de Tóquio e a bravura dessa médica psiquiatra, quebrando paradigmas em uma época onde a mulher sofria as maiores discriminações na área do trabalho, contribuiu imensamente para uma visão mais humanizada para a saúde mental brasileira.

Enfim gente, caso você ainda não tenha assistido a esse filme, fica aqui a dica para através da ficção poder refletir e conhecer um pouco sobre a forma cruel como eram tratados os pacientes na área da saúde mental. Há muito o que se fazer em nosso país, ainda, sobre essa questão, mas não podemos deixar de reconhecer a grande contribuição de Nise Silveira nesse sentido. 

 

Era isso por hoje.

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Um abraço.