Mitologia grega – A ganância e o segredo do rei Midas

Oi gente

O post de hoje dentro da Mitologia Grega,  é sobre o Mito do Rei Midas. Um mito que nos faz pensar sobre as consequências desastrosas da ganância e sobre a dificuldade de guardar um segredo

 

Dionisio (mitologia grega) e Baco (mitologia romana) era um deus grego, considerado o deus do vinho, do teatro, das festas. Em um determinado momento ele deu falta de seu pai de criação chamado Sileno.

Sileno era como um mestre para Dionísio. Sileno, já tinha  uma idade avançada e devido a um consumo exagerado de bebida, havia se perdido pelo caminho quando alguns camponeses o encontraram e resolveram levá-lo até o rei Midas.

Midas, assim que reconheceu Sileno o trata com hospitalidade e o recebe por 10 dias e 10 noites, com muita festa e alegria. No décimo primeiro dia Midas leva Sileno até o rei Dionísio, por saber da grande admiração de Dionísio para com Sileno.

 

Dionísio muito agradecido e por ver Sileno são e salvo resolve, como forma de agradecimento e recompensa, oferecer ao Rei Midas o direito de escolher o que quisesse e fosse de seu desejo.

O rei Midas, muito ambicioso, rapidamente solicita a Dionísio que tudo o que ele tocasse se transformasse em ouro. Dionísio, embora temeroso do pedido do rei Midas, lhe concedeu o seu desejo. Assim, Midas ao retornar para seu palácio resolve testar o seu prêmio pelo caminho.

O que ia encontrando pela frente ele tocava com suas mãos e, cheio de alegria, via o resultado de seu prêmio sendo realizado. Tocou primeiramente em  um raminho e se alegra ao ver que esse pequeno ramo se transformara em ouro. Logo em seguida, tocou em uma pedra e a mesma também se transformara em ouro. E nesse caminho, por onde passava, ia repetindo esse movimento e observando que tudo ia se transformando em ouro.

A alegria de Midas era tão grande que, ao chegar ao seu Palácio, pediu aos criados que fizessem um grande banquete. Seus criados o atenderam como de costume. Após o banquete ser servido, o rei Midas ao  pegar o pão observa que o mesmo se transformou em ouro e assim  foi acontecendo com os demais alimentos. Eis então que resolve pegar uma taça de vinho e esse vinho lhe desceu pela garganta como um ouro em líquido.

Mas o principal desespero de Midas foi quando, ao tocar a sua mão em sua filha, a mesma se tornou uma estátua de ouro. Desesperado Midas começa a detestar aquele dom que tanto cobiçara.

Midas então começa a ficar consternado e aflito com aquele poder que havia solicitado a Dionísio. Apavorado e erguendo o seus braços, reluzente em ouro,  suplica ao deus Dionísio, através de suas preces, para que o livrasse dessa situação.

Diónisio, ouvindo suas preces, solicita ao Rei Midas que para se desfazer desse pedido era necessário  que ele fosse até o Rio Pactolo e ali mergulhasse a cabeça e todo o corpo, a fim de que ele se livrasse de toda a sua culpa e castigo.

“Midas assim fez e mal tocara as águas, antes mesmo de terem passado para elas o poder de transformar tudo em ouro, as areias do rio tornaram-se auríferas, e assim continuam até hoje”.

Midas, decepcionado, arrependido e odiando a riqueza foi morar no campo, longe da cidade, e começa a partir de então a cultuar o deus Pã (deus dos campos).

Midas se defronta em mais uma escolha errada

Não bastando essa tragédia com o rei Midas, ele também participa de um outro episódio mítico. Entre o deus Pã e Apolo havia uma disputa em saber qual dos dois produzia a mais linda música, se Apolo com a sua lira ou se Pã com a sua flauta. De todos os juízes que ali estavam presentes, somente Midas declarou que Pã era o melhor entre os dois.

Apolo, muito enfurecido,  ordenou que as orelhas de Midas fossem alongadas como as de um burro. Midas, envergonhado com o ocorrido, fazia de tudo para esconder suas enormes orelhas, tentando usar adornos para que as mesmas ficassem escondidas.  Apenas um criado que era responsável por pentear e cuidar de seus cabelos sabia do segredo sobre as orelhas de Midas e o mesmo estava jurado de morte, caso esse segredo fosse revelado.

O escravo com esse segredo e, não se aguentando em não poder contar a ninguém, resolve então abrir um buraco na terra, em um lugar escondido, onde ali ele sussurrou o segredo do rei Midas, ou seja que o rei tinha enormes orelhas semelhantes a de um burro. Após ter feito isso, tapou o buraco e foi-se embora um pouco mais aliviado. “Pouco depois, crescia no local uma touceira de juncos que, logo que atingiu certo tamanho, começou a contar o caso em sussurro, e assim faz até hoje, todas as vezes que a brisa sopra sobre o local”. p. 58

O que podemos pensar e refletir com esse mito? Embora ele é utilizado com diferentes formas de interpretação, o que me fez refletir a respeito eu divido aqui com você.

Podemos pensar sobre a  diferença entre ambição e ganância

O mito do Rei Midas é um dos mais conhecidos em nossa sociedade. Penso que ele pode ser relacionado ao que se vê atualmente, principalmente dentro de um sistema capitalista selvagem em que vivemos, podendo refletir através deles a questão da ganância, entendendo que há uma diferença entre ambição e ganância.

Embora ambição e ganância em muitos casos são tidos como sinônimos no uso popular, é necessário que se pense a respeito, pois entendo que há uma grande diferença nessas duas palavras.

A ambição (vem da palavra ambire do latim que significa “mover-se livremente”encontrando para isso o seu próprio caminho), ela  faz parte do ser humano,  faz com que você queira algo a mais e vá em busca daquilo que você almeja, porém com determinados limites, respeitando o tempo necessário para atingir seus objetivos. Sendo assim, ser ambicioso pode-se pensar como uma forma positiva, na medida que te incentiva a buscar cada vez mais algo que possa te impulsionar para a produção e o reconhecimento de seus esforços, atingindo metas que para você são significativas.

Quanto a ganância ( cobiça ou desejo intenso, imoderado por bens e riquezas.Usura; busca incessante pelo lucro; em que há agiotagem.Vontade intensa e permanente de possuir e/ou de ganhar mais do que os demais ), pode-se pensar de uma outra forma.

Geralmente o ganancioso só pensa em si em detrimento dos outros,  é algo que se pode pensar que ela pode te levar a consequências desastrosas, como foi o caso do Rei Midas.

O ganancioso, geralmente, não respeita o tempo necessário para atingir seus objetivos, não respeita o outro, tomando atitudes que prejudicam muitos a sua volta em função do desespero de obter rapidamente riquezas para o seu bem próprio e, as vezes, sem percorrer o caminho como os outros para se obter mais e mais aquilo que pensa ser o melhor para si.

O ganancioso, em muitos casos, enfrentará consequências desastrosas em seu percurso, podendo inclusive por tudo a perder  de uma hora para outra, com a mesma velocidade com que quis atingir o seu objetivo. Aquilo que em determinado momento ele julgou ser uma “espertice” em relação aos outros, poderá levá-lo a aprender que a sua ganância desenfreada foi o que lhe trouxe as consequências mais caras de sua vida. O pior dessa situação é que nem sempre aprende isso rapidamente, repetindo continuamente esse seu movimento.

Quanto a segunda situação em que se deparou o rei Midas, penso que podemos refletir sobre a questão da guarda de um segredo. Não sei se você concordará comigo.

O segredo do Rei Midas

A outra história relativa ao Rei Midas, quando se trata do seu segredo das orelhas de burro, faz nos pensar a questão da guarda de um segredo.

Por que um segredo é algo que são poucos que conseguem realmente guardá-los? Aqui nesse mito faz-nos pensar que até mesmo um segredo que tentou ser enterrado, pois para não ser morto o escravo era obrigado a guardá-lo, faz-nos pensar sobre a dificuldade de continuar com aquele segredo só para si, ao ponto de necessitar fazer um buraco onde pudesse contar, por para fora, aquilo que o incomodava por ser, na realidade, proibido de se falar.

Podemos pensar que um segredo só permanece segredo enquanto está entre duas pessoas, que respeita o sentimento do outro. 

Ou, ainda, não sei se podemos ou não concordar com o pensamento de Benjamin Franklin, ao falar sobre a guarda de um segredo: “Três pessoas são capazes de guardar um segredo, se duas delas estiverem mortas”. (talvez ele exagerou, pois existem sim pessoas que tem a capacidade de guardar um segredo).

Um segredo é algo que, muitas vezes, precisa ser dito para que o possuidor do mesmo possa, de certa forma, aliviar-se daquilo que aprisiona dentro de si. Mas, devemos pensar seriamente a quem revelar um segredo, pois são poucos aqueles que se pode confiar plenamente e assim, como no mito,  mesmo que seja um buraco ou naquela boca onde se diz “minha boca é um túmulo” ele ainda é passível de se evaporar, como foi exposto no caso dos ventos do mito.

Era isso por hoje.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

 

 

 

Referências:

Bulfinch Thomas – O livro de ouro da Mitologia – Histórias de deuses e heróis. Ed.Agir, Rio de Janeiro, 2014.

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