Você passou dos 50? Então é hora de repensar a sua vida

Oi Gente

O Post de hoje traz algumas reflexões para você, assim como eu, que já passamos dos cinquenta anos. Sim já passei dos 50 e agora? Que momento é esse? ….

Não é preciso relembrar que os cinquentões de hoje já não são aqueles da época de nossos pais, não é mesmo? Estão aí a todo vapor, na grande maioria produtivos e com muito gás para queimar.

Alguns com os filhos em casa ainda, outros já recebendo as chegadas dos netinhos e alguns iniciando novos relacionamentos, após uma separação, ou ainda querendo desbravar novas experiências, ou ainda, alguns cuidando de seus pais já envelhecidos e dependentes da nossa atenção. Talvez, com um novo desafio de como lidar com isso, pois os avós, muitos deles, não tinham a expectativa de vida que tem hoje nossos pais.

Nessa fase da idade, também é natural que você esteja mais seletivo nas suas escolhas. Uma fase de maior reclusão, como se fosse um momento de fazer alguns balanços com relação a própria vida. Alguns, devido as suas escolhas, superaram as expectativas que tinham com relação a chegar a essa idade, cheio de saúde, se sentindo realizados pelo caminho percorrido. Já outros nem tanto, um pouco decepcionado pelas não conquistas almejadas. E aí eu te pergunto e agora? O que fazer com o que você conseguiu, de acordo com seus parâmetros de bom ou ruim?

Dizem que fazemos parte da geração coxinha, ou seja, onde em nossas épocas o que era melhor ficavam com os pais e, quando fomos pais o melhor ficou para os filhos. Ou seja, sempre sobrou “somente a coxinha do frango para nós”.

Mas vamos pensar um pouco na maravilha que é ter vivido a nossa geração. Uma geração de tantas mudanças, não é mesmo? Fico pensando se os jovens de hoje podem imaginar o que foi fazer um curso de datilografia, aprender a passar um fax, ou até mesmo se sabem ou tiveram a oportunidade de conhecer um telex, ou ter que comprar várias fichas telefônicas quando se ia falar com alguém para que a ligação não caísse e cortasse a conversa ao meio. E se você tem um pouco mais de idade, deve se lembrar que para fazer o famoso interurbano de uma cidade a outra, muitas vezes se pedia uma ligação de manhã para quem sabe conseguir falar a noite. É parece mentira que vivemos tudo isso.

Fomos crianças que tínhamos a liberdade de brincar o maior tempo fora de casa, na rua mesmo, com outras crianças da vizinhança, primos e colegas de escola, onde ali mesmo entre as crianças se definiam as regras das brincadeiras e se acertavam como seriam as mesmas. Era um treinamento de socialização que já acontecia, muitas vezes, sem a interferência dos adultos, promovendo a criatividade, a lidar com a frustração, a dar conta de ficar triste quando tinha que ficar de reserva em um jogo, pelo fato de serem muitas as crianças a quererem jogar.

Talvez a geração de nossos filhos sequer podem imaginar o que era esperar por um baile na cidade, ou até mesmo ficar se preparando para uma viagem durante muito tempo esperada, a qual acontecia uma vez por ano.

A maioria das viagens eram feitas em ônibus rodoviários desconfortáveis, carros sem muita potência, sem air bag, sem cintos de segurança e muitos de nossa geração ainda puderam curtir as viagens de trens, de cabine, de segunda classe ou primeira classe. Como nos divertimos com tudo isso.

Quantas estradas sem asfalto e quantas histórias que vivemos ou ouvimos contar sobre o problema do carro encalhado, de esperar uma boa alma que parasse para dar uma mãozinha, mas com a certeza que alguém realmente ia parar. Será que temos essa mesma certeza hoje?

Pegar carona também era algo natural na nossa juventude, não tínhamos os receios e os medos que hoje acometem a juventude atual.

Somos de uma época em que muitos entravam em uma empresa e por lá ficavam até se aposentar, as vezes iniciando como um office-boy e aos poucos ia fazendo uma carreira dentro da sua empresa. O tempo era algo que ia passando e junto a ele ia cada um a seu modo escrevendo a sua própria história e quantas histórias que hoje podem ser contadas, porque foram realmente vivenciadas, esperadas, de uma forma que se podia dizer que havia momentos difíceis mas também momentos saboreados, até porque não se tinha tantas facilidades como as de hoje.

Quem não esperava por uma carta, por notícias de amigos, parentes, e até mesmo namorados. As vezes, a espera era mais de uma semana, com aquela ansiedade de se ter noticias da pessoa querida do outro lado. Como se manejava essas saudades? Se lidava com essa falta que nos faziam aumentar o desejo da chegada da carta, do baile, do final de semana, do salário no final do mês, do namorado(a) nos finais de semana.

Só para citar um exemplo particular, há alguns meses atrás, arrumando umas coisas em casa, encontrei algo que me emocionou. Para se ter uma ideia, quando do mestrado de meu marido no exterior, ficamos uns meses separados até que eu pudesse ir encontrá-lo com as crianças. Imagina um preço de uma ligação para o exterior, simplesmente não se podia ligar, ou quando se recebia uma ligação dessas era para se falar algo como oi e tchau praticamente.

O que fazíamos para matar um pouco das saudades com essa situação? Ele gravava uma fita de lá e, em outro momento eu daqui do Brasil, enviávamos pelo correio para se ter o sabor de não somente ler algumas cartas e cartões postais, mas para poder receber a voz que estava naquela fita e sentir a pessoa mais perto. Quando encontrei algumas dessas fitas e  consegui escutar em um toca-fitas antigo, acabei chorando de ver e relembrar esses momentos, inclusive com as vozes das crianças falando com o papai que estava longe. Algo que, com o passar dos anos, já havia até me esquecido.

Que bom que o tempo era algo contínuo. Se levava os sapatos para consertar, até porque os produtos não eram tão descartáveis como os são hoje. Os presentes eram esperados, eram curtidos e recebidos com carinho pelo fato de receber de pessoas que realmente se preocupavam em dar algo para o outro de forma que realmente o agradassem e, você se lembra como se recebia cartões naquelas épocas, com palavras amigas e dedicatórias. No Natal era comum ver a árvore ou algum lugar destinado para colocar os cartões dos amigos e parentes que chegavam a nossas casas.

Alguns de nós pensávamos que, quando chegassem a essa idade dos 50, assim como nossos pais, já estaríamos tranquilos aposentados, acomodados e podendo apenas se recolher para cuidar das plantas, dos bichos, receber amigos em casa e a chegada dos netos.

Pois é gente, acho que não é o caso de falar éramos felizes e não sabia, é o caso de pensar sim que bom que pudemos viver tudo isso, todas essas transformações no decorrer de uma geração e hoje temos tantas histórias para contar e relembrar.

Mas agora é hora de acordar e estar aqui no ano 2017, com os novos desafios que a nossa geração vem enfrentando. Ter que trabalhar sem muitas vezes pensar em aposentadoria, ter que atender as solicitações dos pais mais velhos e necessitados, dos quais alguns não conseguiram acompanhar tantas mudanças ocorridas nesse tempo. Por isso, não adianta querer que eles entendam a sua situação, porque não tem como entender, viveram em outro momento que não os nossos e, alguns sim, acompanharam tudo isso, mas a grande maioria não conseguiu se quer se adaptar ao uso de um celular.

E o que temos para hoje então?

Continuamos tendo o que foi para nós viver esses 50 anos ou mais. Ou seja, a “geração coxinha” continua a ter desafios diários, desafios de lidar com a velocidade das mudanças e se adaptar diariamente a um mundo mais ágil, rápido, de novas tecnologias.

Desafios esses que precisamos olhar e pensar a respeito e, principalmente, olhar para a nossa verdade, a nossa vida, de onde vim, onde estou, o que tenho e o que posso fazer com isso. Somos uma geração de guerreiros que superou todas essas mudanças e temos que agradecer por estar aqui e poder, apesar dos grandes e difíceis demandas que nos são solicitados diariamente, estar nos reinventando dia a dia, nos adaptando para poder continuar a escrever a nossa história. História de novidades, de adaptações, de superações, mas não de desistência.

Agora você ainda está no momento de fazer suas escolhas, ou seja, ficar sim relembrando esse passado da sua história que já foi e, que apesar de não voltar mais, faz parte da suas lembranças e do caminho que você conseguiu trilhar. Não se trata de se culpar por aquilo que não conseguiu, se devia ter feito assim ou de outro modo, tudo foi feito com o que você pode fazer e isso é a sua verdade. Afinal, somos únicos nesse mundo com nossos “defeitos” ou “qualidades”.

Não se trata de se culpar por isso ou aquilo, se trata de assumir, aceitar, e dar significados para que essa outra parte da vida que se apresenta nos próximos, quem sabe, mais cinquenta anos, você possa escolher a sua melhor forma de viver.

Nesse momento,  é natural que os filhos comecem a sair de casa, e você tenha que enfrentar uma fase chamada de “ninho vazio”. Aí está outro assunto para se pensar. Ou seja, por que não se lembrar que você também um dia deixou seus pais para formar sua família ou seguir a sua escolha e agora é a hora deles. É difícil? É sim uma fase difícil, mas não faça disso um sofrimento, tente ver por outro lado.   

É hora de você realmente aceitar que os filhos se vão, mas não pensar que isso significa um abandono e sim uma separação necessária para que eles possam, assim como você, trilhar o seu caminho.  É o momento de você voltar para você mesmo e redescobrir o que, de agora para frente, você quer fazer com esse tempo que possivelmente começa a sobrar mais um pouco. 

Não tentem preencher esse tempo tentando viver a vida dos filhos, os incomodando, ou demandando muito deles com cobranças, com chantagens emocionais. Aguardem para que seus filhos venham até você lhes solicitar algo que necessitem, Não façam por eles aquilo que eles próprios precisam aprender a fazer sozinhos e a construir do jeito deles, das escolhas deles.  Saiba atendê-los com limites, dentro do seu limite. 

Afinal, esse é o momento de você poder observar se os seus exemplos e valores foram realmente bem transmitidos. Pense que é apenas uma separação de casa, de ambiente, pois os laços afetivos sempre continuarão quando as relações são bem elaboradas, sem invasões ao espaço do outro. Seus filhos cresceram, amadureceram ou precisam amadurecer e eles, assim como você um dia, terão seus desafios, seus erros e acertos. Mas daqui pra frente, assim como você, eles precisam continuar a escrever as suas próprias histórias.

Enfim, volte para você e se redescubra, pense o que realmente gosta ou não de fazer e comece a preencher o seu tempo para aquilo que lhe agrada, talvez continuar seus estudos, fazer aquele esporte que nunca pode fazer, realizar algumas viagens, se cuidar melhor da própria saúde para enfrentar essa nova fase com melhor qualidade de vida, encontrar amigos de sua idade para trocar boas conversas. 

Desde que nascemos somos seres sociais e necessitamos uns dos outros. Se você aprender a viver e a conviver nas diferenças,  tenha a certeza que o melhor privilegiado de tudo isso é você mesmo. Somos humanos e como humanos necessitamos uns dos outros e, apesar desse momento de reclusão que é inerente a nossa idade, isso não significa que temos que nos afastar de tudo e de todos.

Comece a investir em um plano de saúde, não como esses que pagamos caro e que devia se chamar planos de doenças. Pague um plano de saúde para você mesmo, com boas caminhadas, passeios, boas leituras, bons filmes, esporte predileto, encontro com amigos, apreciar ou aprender a fazer uma comida que aprecia, aprender a dançar, por que não?

O que você vai escolher pertence ao seu desejo e por mais que isso possa significar para alguém algo de estranho, já passou da hora de você se respeitar e fazer com que as pessoas o respeite quanto as suas escolhas. Se permita ser quem você é.

Vem para vida, vem viver, afinal agora você sabe bem que já pode se responsabilizar pela sua própria vida, já tem ferramentas para isso. Não seja escravo daquilo que dizem ser o melhor para você, se permita ser o que você quer realmente ser. Este é o seu momento, o meio do caminho e a melhor fase para fazer as suas próprias escolhas e encarar as suas verdades como ser único e humano que é.

O Passado é resto e o futuro que venha da melhor forma que possamos buscá-lo.  Nós da geração “coxinha” já provamos que somos resistentes a qualquer tipo de mudança. O que posso fazer? É apenas saber o que temos para hoje.

Era isso por hoje.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

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