A influência dos sintomas psicológicos no diagnóstico do câncer

Oi Gente

Estamos iniciando mais um mês, o mês de outubro de 2016, um mês importante para lembrar a sociedade sobre a questão do câncer de mama, por isso é o mês dedicado ao OUTUBRO ROSA, e trouxe aqui para você hoje um trabalho a respeito a influência dos sintomas psicológicos relacionados a esse diagnóstico. Se o assunto lhe interessa, vale a pena a leitura…

Outubro Rosa: o mundo se mobiliza contra câncer de mama:

O nosso país, nesse ano de 2016,  está passando por uma crise em que eu, particularmente, nunca tinha visto antes. O início de um novo mês é sempre bem vindo, pois quando há uma passagem onde se finaliza um período e começa um novo, é um momento de recarregar as energias para impulsionar, acreditar e continuar caminhando com coragem, determinação e confiança para mais uma etapa.

O mês de outubro é o décimo mês do calendário civil, mas o seu nome se originou da palavra “octo” de oito, pois para o antigo calendário romano significava o oitavo mês.

Nesse mês temos várias comemorações a nossa frente, importantes aqui na cultura brasileira. É celebrado o dia da criança, no dia 12 de outubro, bem como o dia da padroeira do país Nossa Senhora Aparecida, também algumas outras datas, como o dia do engenheiro agrônomo.  Me lembrei desse, pois vivo com um (kkk).

Mas o que gostaria de pontuar por aqui sobre a importância desse mês, é sobre o Outubro Rosa, um Mês dedicado a nós mulheres, e a todas as mulheres que fazem parte da vida de um homem,  as mães, filhas, irmãs, tias, cunhadas, primas.

O que é afinal o Outubro Rosa?

O outubro Rosa é o movimento que na década de 1990, se iniciou nos Estados Unidos, visando orientar e estimular toda a população no controle do câncer de mama. “A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença”.

Quando se fala em outubro rosa e a campanha contra o câncer de mama é normal que se pense que câncer de mama é um tipo de câncer que atinge somente as mulheres. Mas, só para lembrar que esse tipo de câncer, embora em menor proporção, também atinge o homem.

O site abaixo oferece informações a respeito:

 http://www.inca.gov.br/wcm/outubro-rosa/2015/deteccao-precoce.aspncer

Essa página no facebook também fornece informações interessantes.

https://www.facebook.com/OutubrorosaVida/

Caso tenha interesse, estou aproveitando para postar para você um trabalho de pesquisa que fiz, na UEL,  sobre a influência dos sintomas psicológicos, no diagnóstico do Câncer. Acredito que vale a pena a leitura.

 

A INFLUÊNCIA DOS SINTOMAS PSICOLÓGICOS, NO DIAGNÓSTICO DO CÂNCER

          

1- INTRODUÇÃO

 

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2014), a estimativa do Ministério da Saúde do Brasil para 2014, é de que serão diagnosticados 576.580 novos casos de câncer no Brasil, e que, a maior incidência deverá estar entre o câncer de pele, próstata e mama.

Observa-se que não somente no Brasil, como também em outros países, esses números continuam a crescer, como é o caso dos Estados Unidos, citado por Dean e Noggle (2011, p.3) em seu capítulo sobre Neuropsychology and Cancer: An Emerging Focus onde afirma que:

Anualmente, perto de 1.5 milhões de pessoas nos Estados Unidos são diagnosticadas com câncer. Enquanto nas décadas anteriores a taxa de sobrevida era muito menor – 5 anos, os avanços no diagnóstico precoce e as opções de tratamento contínuos levaram a um aumento dessa taxa.

Em função desses números alarmantes de casos de câncer, que levam pacientes com diferentes faixas etárias à morte, gerando sofrimentos para todos aqueles que estão envolvidos com o diagnóstico de seus entes queridos, despertou-se a curiosidade em pesquisar como os sintomas de origem psicológica, poderiam influenciar o desenvolvimento da doença.

Cardoso et al (2008, p. 9) relataram que o diagnóstico do câncer, quando surge em uma família, sobretudo em estado avançado e com a possibilidade de não cura, é motivo de muita tristeza, gerando sofrimento psicológico tanto para o doente quanto para a família. Alguns doentes se adaptam à doença de forma mais fácil enquanto outros apresentam muita dificuldade em admitir o diagnóstico. Algumas vezes, mesmo antes de receber o diagnóstico definitivo da existência de tumor benigno ou maligno, o indivíduo pode começar a desenvolver algum tipo de perturbação emocional, como por exemplo, a ansiedade ou a depressão.

Falar sobre a questão dos estados psicológicos não é novidade, uma vez que já na antiguidade se faziam referências a eles. Desde o ano 200 D.C., já o grego Galeno afirmava que mulheres melancólicas estavam muito mais suscetíveis a problemas com a mama comparadas aquelas mulheres mais otimistas. (REICH et al, 2005).

Atualmente, existe grande número de estudos sobre os fatores emocionais envolvidos nos pacientes após o diagnóstico do câncer e como tais fatores influenciam seu tratamento. Mas, quando se trata de realizar estudos dessa ordem que possam estar implicados no desenvolvimento de um câncer, a dificuldade de sua comprovação ainda é deficitária.

De acordo com Reiche et al. (2005, p.24):

Estudos falharam em demonstrar o papel de um fator psicológico específico envolvido no início e na progressão do câncer. O que poderia estar ocorrendo seriam as interações entre os fatores psicológicos e biológicos, que raramente foram investigadas. O efeito dos fatores psicológicos tem sido demonstrado, de uma maneira mais convincente, na progressão do câncer do que no seu início.

A dificuldade de comprovação de fatores psicológicos e seu envolvimento resultando como consequência o câncer, é que despertou a busca sobre artigos que poderiam demonstrar algo a respeito, bem como de levantar e avaliar alguns conceitos da psicanálise que poderiam colaborar nesse sentido, para futuras pesquisas a respeito.

De acordo com a psicanálise, a constituição psíquica do sujeito ocorre de modo singular. Todo ser humano é único e possui sua estrutura psíquica baseada em acontecimentos e experiências sobrevindos no decorrer de sua vida. Com relação à psicanálise, não poderíamos deixar de citar Freud e os temas fundamentais das obras de Freud que incluem o inconsciente, a sexualidade, o complexo de Édipo e a transferência no tratamento analítico.

Esse trabalho tem como objetivo delinear alguns sintomas psicológicos que podem ter relevância para o desenvolvimento do câncer com base em estudos previamente realizados.

1.1 Câncer: pontos de vista da Medicina e da Psicanálise

No site do Ministério da Saúde do Brasil, INCA – Instituto Nacional do Câncer encontra-se a definição do câncer como sendo:

“(…) um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desorientado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas (…). Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases). ”

Em geral, faz parte do conhecimento da população, os fatores multifatoriais que podem estar relacionados ao diagnóstico do câncer. A medicina preventiva sempre está orientando os pacientes e a população de forma generalizada, por meio de campanhas, abordando temas relacionados ao tabagismo, alcoolismo, alimentação inadequada, falta de exercício físico e hereditariedade, entre outros. Entretanto, pouco é relatado acerca dos estados psicobiológicos e sua contribuição para o surgimento do câncer.

Assim, devemos lembrar que as condições emocionais também estão inseridas dentro desses fatores, as quais podem estar envolvidas não apenas no diagnóstico de câncer, mas igualmente em outros tipos de doenças auto-imunes, porém, esses, com maior probabilidade de tratamento e cura pela medicina.

Segundo Reiche et al., (2005, p.20):

Estudos experimentais e clínicos indicam que o comportamento, incluindo a emoção, é capaz de influenciar a resposta imune, e que estados imunológicos causam consequências para o comportamento. As interações entre as emoções e as funções imunes podem ser a base para o aumento da susceptibilidade a doenças infecciosas ou tumores malignos. Por sua vez, doenças que ativam o sistema imune, como trauma, sepse e doenças-imunes, podem implicar em manifestações psicopatológicas.

Dentre os fatores emocionais, a depressão é frequentemente associada a alterações fisiológicas, sendo também correlacionada como um fator que predispõe o indivíduo a vários tipos de enfermidades, incluindo o câncer. (NEME & LIPP, 2007).

Em uma revisão bibliográfica sobre os estudos em psicoimunologia, realizado por Moreira (1994) e citado por Neme & Lipp, (2007 p. 477) foi verificada a prevalência de fatores emocionais no diagnóstico e desenvolvimento do câncer. O autor observou que nos vários estudos realizados, verificou-se que não houve nenhum caso de paciente com neoplasia em que o fator estresse emocional não estivesse presente. O autor também verificou que além do estresse e da depressão, havia o envolvimento de outros fatores psicossociais relacionados ao câncer.

Fonseca (2007, p.229) observa que a medicina, desde Hipócrates, vem se aperfeiçoando com o propósito de responder e criar tratamentos que possam promover a cura e atenuar o sofrimento humano, diminuindo e aliviando as dores e, dessa forma proporcionando a possibilidade de adiamento da morte. Mas, existe alguma coisa na forma de adoecer de alguns pacientes que ultrapassa os conhecimentos científicos e extrapola os limites do organismo: trata-se do sujeito, do indivíduo e não de vírus e bactérias. “E é aqui que entra a abordagem psicanalítica”.

Desse modo, a medicina se preocupa com o saber lógico, e a psicanálise quer ouvir o inconsciente. Segundo Fonseca (2007, p.230) a medicina opera de modo diferente da psicanálise: “A Medicina opera, pois com o saber lógico e formal da ciência, enquanto a Psicanálise opera com a escuta do inconsciente. Saberes diferentes, porém operações que podem se somar”.

Na visão da psicanálise o corpo é visto diferentemente da medicina. Para a psicanálise o corpo é um corpo sexual, não no sentido de órgãos genitais e/ou gênero masculino e feminino, sexual no sentido pulsional. Fonseca (2007, p.230) coloca que: “Se para a Medicina o corpo é uma máquina, um organismo que pode ser abordado, manipulado, dissecado pelo olhar da ciência, para a Psicanálise ele é um organismo erogeinizado, marcado pela pulsão e pela linguagem”.

 

2 FATORES PSICOLÓGICOS ENVOLVIDOS NO SURGIMENTO DO CÂNCER

2.1 Pulsão

Segundo Nasio (1995, p.15), toda obra freudiana “é uma resposta inacabada à pergunta: Qual é a causa de nossos atos? Como funciona a nossa vida psíquica?”.

Para explicar os estudos de Freud e entender o esquema do psiquismo, Nasio (1995, p.16) comparou o esquema do psiquismo de Freud com o esquema da neurofisiologia do arco reflexo, onde:

Entre dois extremos, instala-se, pois uma tensão que aparece com a excitação e desaparece com a descarga escoada pela resposta motora. O princípio que rege esse trajeto em forma de arco é muito claro, portanto receber a energia, transformá-la em ação e, consequentemente reduzir a tensão do circuito, embora com uma importante diferença, é que na vida psíquica a tensão nunca se esgota.

De acordo com Nasio (1995, p.17) a tensão psíquica se encontra constante enquanto o indivíduo está vivo. Na psicanálise, a tendência para reduzir essa tensão, apesar dessa redução nunca ser uma realização efetiva, recebe o nome de princípio de desprazer e prazer.  A tensão é sempre de origem interna, carregada de energia, a qual recebe o nome de pulsão. Essa pulsão mantém um elevado nível de tensão no sistema psíquico, que é penoso ao indivíduo e que por isso ele deseja descarregá-la.

Freud chama de desprazer essa tensão penosa, árdua, que o aparelho psíquico tenta em vão abolir, sem nunca conseguir fazê-lo. Assim, segundo Nasio (1995, p.18) o desprazer “significa manutenção ou aumento de tensão, e prazer, supressão dessa tensão”.

Contudo, o desprazer não significa uma sensação tão ruim assim, apresenta seus pontos positivos, uma vez que, quando estamos sentindo desprazer, nós saímos em busca de prazer. E é essa tensão que nos move para a vida, por isso conviver com essa tensão faz parte do psiquismo do ser humano, tensão e vida são inseparáveis e segundo Nasio (1995, p.18) “no psiquismo, o prazer absoluto nunca será obtido”.

2.2 Formas de descarregar a pulsão visando o prazer

Assim, os indivíduos se movem no mundo procurando formas de aliviar essa tensão e para isso escolhem diferentes caminhos, uns caminham para as drogas, outros para as compras desenfreadas, outros para os remédios, outros procuram a religião, a academia, os estudos, as relações sexuais, os relacionamentos amorosos, etc. Segundo Schultz & Schultz (2011, p.45):

As pessoas podem percorrer trilhas diferentes para satisfazer as suas necessidades. Por exemplo, o impulso sexual pode ser satisfeito pelo comportamento heterossexual, homossexual ou autosexual ou ser canalizado para outra forma de atividade. Freud acreditava que a energia psíquica podia ser deslocada para objetos substitutos e esse deslocamento era de extrema importância para determinar a personalidade da pessoa. (…) Isso ajuda a explicar a diversidade que encontramos no comportamento humano”.

Nessa busca incessante do indivíduo em liberar o desprazer da tensão, muitas vezes suas escolhas não são as melhores para o seu corpo biológico, gerando com isso consequências como, por exemplo, o adoecimento. Nesse sentido, pode-se observar o quanto é grande o sofrimento do ser humano, uma vez que, na sociedade capitalista, em todos os momentos, o sujeito é convidado para o prazer, como sinônimo de “ser feliz”. A sociedade capitalista tira proveito desse conhecimento da constituição psíquica do homem, conduzindo o indivíduo, por meio do marketing e da mídia, para o consumismo desenfreado, como forma de aliviar essa tensão, que nunca será totalmente satisfeita, pois esse prazer é obtido apenas parcialmente além de ser passageiro. De acordo com Nasio (1995, p.19):

Por isso, o aparelho psíquico permanece submetido a uma tensão irredutível: na porta da entrada, o afluxo das excitações é constante e excessivo; na saída, há apenas uma simulação de resposta, uma resposta virtual, que efetiva somente uma descarga parcial.

Mas qual então a resposta para a questão do psiquismo estar sempre sob tensão, que é a geradora de sintomas emocionais como, por exemplo, a ansiedade?

Segundo Freud há uma razão, a qual ele conceituou como recalcamento.

 2.3 O Recalcamento

O aparelho psíquico, tomado de tensão, busca essa descarga que é apenas parcial, sempre restando um pouco de tensão dentro do sujeito. Dentro desse aparelho está o inconsciente, o pré-consciente e o consciente.

O inconsciente, que é o local de arquivamento de todas as pulsões (energias) do indivíduo, luta e quer a todo custo realizar uma descarga total dessas energias. Para aliviar essa energia é necessário que a mesma passe para o pré-consciente e depois para o consciente.

O conceito original de Freud dividia a personalidade em três níveis: o consciente, o pré-consciente e o inconsciente. O consciente corresponde ao seu significado normal cotidiano. Ele inclui todas as sensações e experiências das quais estamos cientes em todos os momentos. […] Freud considerava o consciente um aspecto limitado da personalidade, porque há somente uma pequena parte dos nossos pensamentos, sensações e lembranças conscientes todo o tempo […] Para ele, o mais importante é o inconsciente, que é o depósito de lembranças, percepções e idéias das quais não estamos cientes no momento […]  (SHULTZ&SCHULTZ, 2011, p.46)

O pré-consciente e o consciente, que também querem o prazer da descarga da energia, não podem fazê-lo imediatamente, devido a estarem diretamente ligados com o lado externo, com a realidade, e a forma de descarregar essa energia para o pré-consciente e consciente só acontece de forma lenta e parcial.

Basta imaginar dois grupos (Inconsciente e Pré-consciente/consciente) querendo liberar essa tensão para obter o prazer. Mas, entre esses dois grupos existe uma barreira que precisa ser ultrapassada para que a energia possa escoar. Freud conceituou essa barreira como sendo o recalcamento.  Segundo Nasio (1995, p.22): “os dois sistemas buscam a descarga, ou seja, o prazer, mas enquanto o primeiro (inconsciente) tende ao prazer absoluto e obtém somente um prazer parcial, o segundo, visa obter e obtém um prazer moderado”.

O que é então o recalcamento, como essa “barreira” age no sistema psíquico? Segundo Nasio (1995, p.22): “o recalcamento é um espessamento de energia, uma capa de energia que impede a passagem dos conteúdos inconscientes para o pré-consciente”.

Muitas vezes essa carga tensional passa para o pré-consciente e para o inconsciente, aquela que consegue transpor a barreira do recalcamento. Mas, sempre uma parte da energia pulsional não consegue atravessar esse obstáculo, e essa energia que fica represada será a responsável por muitos sintomas, pois, não tendo como descarregá-la, ela permanece ali como forma de tensão, gerando muitos sintomas que poderão originar determinadas enfermidades.  Nasio (1995, p.22), afirma que: “A outra parte da energia pulsional, a que não transpõe o recalcamento, continua confinada no inconsciente e realimenta sem cessar a tensão penosa”.

Assim, é importante entender o essencial da lógica do funcionamento psíquico, considerado do ponto de vista da circulação da energia, onde o autor resume da seguinte forma:

Primeiro tempo: excitação contínua da fonte e movimentação da energia à procura de uma descarga completa, nunca atingida. Segundo tempo: a barreira do recalcamento opõe-se à movimentação da energia, o terceiro tempo: a parcela de energia que não transpõe a barreira resta confinada no inconsciente e retroage para a fonte de excitação, quarto tempo: a parcela de energia que transpõe a barreira do recalcamento exterioriza-se sob a forma de prazer parcial inerente às formações do inconsciente. (NASIO, 1995, p.24).

Desse modo, de forma breve e resumida, podemos entender o funcionamento básico do aparelho psíquico e perceber a origem das emoções. Dentre elas está a ansiedade, muito pesquisada e discutida atualmente por afetar o homem moderno em alto grau.

2.4 Ansiedade

O termo ansiedade é originário do grego Anshein que significa oprimir, sufocar. Pode ser conceituado como um estado emocional que tem a qualidade do medo, como emoção desagradável, dirigida para o futuro e desproporcional à ameaça identificada. Seria um termo correlato da angústia por representarem uma experiência subjetiva que geralmente vem associada a sintomas físicos. (BARROS, 2003; CORDÀS, 2004). A ansiedade se caracteriza por um sentimento difuso, desagradável de apreensão, medo, frequentemente acompanhado por sintomas autonômicos como cefaléias, taquicardia, aperto no peito e leve desconforto abdominal. Além disso, a ansiedade pode se caracterizar pela tensão decorrente da antecipação do perigo (KAPLAN, 1997; CASTILLO et. al , 2000).

Segundo Vasconcelos et. al., (2008, p.2): “[…] é considerada como um estado emocional, vivenciado com a qualidade subjetivada do medo ou de emoções desagradáveis, dirigida para o futuro, desproporcional […]”.

Ainda, de acordo com o autor, a ansiedade normal faz parte do homem como um mecanismo de sobrevivência.

Sabendo que a ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e capacita o indivíduo a tomar medidas para enfrentar ameaças. O medo torna-se uma resposta imediata a uma ameaça desconhecida, vaga que possui o papel de preparar o organismo para tomar as medidas necessárias para impedir a concretização desses prejuízos, ou pelo menos diminuir suas consequências. Portanto a ansiedade é uma reação natural e necessária para a autopreservação. (VASCONCELOS et. Al. , 2008, p.2)

Essa ansiedade normal é necessária para a sobrevivência do indivíduo, mas, quando essa ansiedade ultrapassa um limiar, ela passa da normalidade gerando com isso inúmeros efeitos sobre o organismo do sujeito, e essa questão do excesso da ansiedade é objeto de discussões e estudos de muitos profissionais da área da saúde. Essa ansiedade se torna anormal, constituindo síndromes de ansiedades e quando se tornam patológicas as mesmas requisitam tratamento específico. (VASCONCELOS et al, 2008).

Em que momento essa ansiedade pode se tornar excessiva a ponto de prejudicar o indivíduo?

Na contemporaneidade, acoplado ao incremento do desenvolvimento tecnológico, surge um enorme número de informações por todos os meios de comunicação, que alcançam o sujeito. Igualmente, a competitividade e a insegurança diante do futuro, que se apresentam cada vez mais instáveis, têm levado os indivíduos a desenvolverem ansiedades e medos de dimensões desproporcionais e que terminam por refletir de forma psicopatológica em seu organismo. Vasconcelos et. Al. (2008, p.2) cita que: “esta cotidianidade agitada, competitiva e consumista, torna o sintoma uma condição do homem moderno”.

O medo é gerador de grande ansiedade entre os homens. Dentre as várias modalidades de medo, está o medo da morte, pois o indivíduo, embora com dificuldades de lidar com esse fato, reconhece que sua vida aqui na Terra é finita. Embora cada sujeito tenha um mecanismo psíquico para encarar essa questão, não há como eliminá-la de seu pensamento. Temos ainda o fato de que a morte não escolhe dia, nem hora, nem idade e nem local; é algo que pode ser considerada como uma surpresa que pode acometer qualquer sujeito, em qualquer momento de sua vida. Rodrigues (1983, p.18-19) nos diz que o homem: “[…] é o único a ter verdadeiramente consciência da morte, o único a saber que sua estada sobre a Terra é precária, efêmera […] A consciência da morte é uma marca da humanidade”.

Quando se fala na possibilidade do indivíduo ter um diagnóstico de câncer e, pelo fato dessa doença ainda não ser totalmente controlada pela ciência, gerando a incerteza de uma cura, essa situação pode levar o sujeito a desenvolver ansiedades perante o enfrentamento de tal situação. Vasconcelos et al (2008, p.4) aponta que “Durante a fase de enfrentamento do sintoma o que implica a iminência de morte, o paciente é estimulado a profundas reflexões sobre a vida e o processo de perda já ocorre no momento do diagnóstico, pela associação direta à ideia da morte”.

Visando sua proteção, o indivíduo utiliza alguns mecanismos de defesa para lidar com situações que geram ansiedades, principalmente aquelas em que sabe não possuir controle. Mas, ocorre que em alguns casos, esses mecanismos de defesa não conseguem obter resultados positivos no controle de sua ansiedade, desencadeando assim o desenvolvimento de algumas patologias, que levaram a considerar a ansiedade também como uma doença.

Vasconcelos et al. (2008, p.2) sobre o DSM IV, coloca que:

De acordo com o Diagnostic and Statical Manual of Mental Disorder – DSM IV (1994), no ano de 1980 a ansiedade patológica passa a ser classificada e admitida como doença mental. Provocada por uma situação subjetiva de medo, insegurança, terror ou até mesmo, emoção desagradável, repercutindo tanto em manifestações corporais voluntárias e involuntárias, quanto em alterações biológicas e químicas. O que nos leva a entender que, a ansiedade passou a ser motivo de nossa existência e não da nossa sobrevivência.

Assim, a possibilidade de cada indivíduo em lidar com as ansiedades, vai depender também da estrutura do seu aparelho psíquico o qual é constituído, segundo a psicanálise, de modo individual. Vai depender do repertório que cada pessoa terá em sua história de vida para conseguir lidar com os desafios da sua sobrevivência.

2.5 Singularidade do sujeito

Devido a história de vida de cada sujeito, o mesmo terá diferentes estilos para atenuar suas pulsões, como forma de proporcionar um equilíbrio mental a si próprio.

Desde o nascimento até a sua forma adulta, esse ser humano vai constituindo seu aparelho psíquico, que quando em equilibro e de acordo com a sua qualidade de vida, lhe proporcionará melhores escolhas com vantagens para seu corpo fisiológico. Mas, nem sempre isso se dá de forma satisfatória, devido à complexidade de fatores que participam da formação desse indivíduo, iniciando pela sua genética, meio ambiente, suas relações sociais, econômicas, educacionais e nutricionais, entre outros, que podem caracterizar a sua qualidade de vida não só orgânica como psíquica.

Atualmente, várias áreas estão envolvidas nesses estudos, como por exemplo, a psiconeuroimunologia, que define o campo da ciência que estuda a interação entre o sistema nervoso central (SNC) e o sistema imunológico.

De acordo com MARQUES, (2004, p.1):

A associação entre as emoções e as doenças tem sido explicada nas últimas décadas devido aos avanços em biologia celular e molecular, genética, neurociências e em estudos de imagem cerebral.  Estes avanços revelaram as diversas conexões entre os sistemas neuroendócrino, neurológico e o sistema imunológico e, dessa forma, entre emoções e doenças.

Assim, quando se fala da singularidade do sujeito, em um viés da psicanálise, cabe salientar que todos os esforços têm como finalidade confirmar a relação entre as emoções e o desenvolvimento das doenças, mas, compete lembrar também das dificuldades de demonstrar cientificamente essa probabilidade, devido à inviabilidade, até o presente momento, da comprovação científica dessas hipóteses.

 2.6 Como os estados psicológicos influenciam o diagnóstico de câncer?

Quando o indivíduo apresenta determinados sintomas ou dores e procura uma clínica médica, verifica-se, muitas vezes, que após a realização de vários exames clínicos, não se encontra um diagnóstico, mas, o paciente afirma que continua a sentir os sintomas. Estes são incluídos como pacientes psicossomáticos.

Foi a partir de sintomas no corpo de um paciente histérico que Freud iniciou seus estudos para entender tais reações e a partir daí desenvolveu toda a sua teoria da Psicanálise onde o inconsciente foi a sua principal descoberta.

Com a sua Teoria da Pulsão ele explicou a energia pulsional que se encontra dentro de cada pessoa. Essa pulsão, não tendo como escoar do organismo por estar represada no aparelho psíquico, encontrará no organismo fisiológico uma forma de descarrega-la, ou seja, um canal de escoamento, desestabilizando assim o seu sistema imunológico, o qual não conseguirá rebater as possíveis doenças que venham a aparecer, desde um distúrbio aparentemente simples manifestado na pele como, por exemplo, alergia ou queda de cabelo, até doenças auto-imunes como, por exemplo, o lúpus e, seguindo essa linha de raciocínio, também poderá ser uma das hipóteses para o descontrole da proliferação celular que ocorre no câncer.

Nery et al., (2004), em um levantamento sobre pesquisas que evidenciavam a influência dos estados psicológicos como o estresse no desenvolvimento do lúpus chegou à seguinte conclusão:

Estudos laboratoriais sobre a presença e influência do estresse psicológico no LES mostram que há um padrão diferente de resposta imune nos pacientes, quando comparados a pessoas saudáveis, que podem estar ligados à piora ou exacerbação da doença. Além disso, estudos ambientais mostram que estressores cotidianos ligados a relacionamentos interpessoais podem preceder a piora da atividade clínica do LES. Eventos de vida maiores e estressores crônicos ainda carecem de verificação. […] a pesquisa nessa área ainda é incipiente, e mais estudos sobre o tema são necessários para responder definitivamente a essas questões.

Assim, como citado acima, várias pesquisas com a finalidade de relacionar os estados psicológicos e as doenças, têm dificuldade de comprovação científica, embora estudiosos e pesquisadores, na sua grande maioria, já não descartem mais essa perspectiva.

Muitos sintomas apresentados pelos indivíduos podem ser uma forma de liberar a tensão em seu aparelho psíquico, sintomas esses que, mesmo gerando desconforto, acabam sendo benéficos para o sistema psíquico. Foi a forma que o seu organismo fisiológico encontrou para liberar a tensão.

Por outro lado, pode suceder uma desorganização e falha do aparelho psíquico, que pode sobrevir de uma situação extremamente traumatizante provocando uma descarga de tensão bastante intensa. O recalque, nesse caso, não funcionou direito e a passagem de toda energia acumulada no inconsciente fluiu para o exterior de forma direta. Neste caso, temos o desequilíbrio psíquico também conhecido como surto, necessitando internação e tratamentos medicamentosos e terapêuticos, uma vez que esse indivíduo, nas condições atuais, não apresenta requisitos para se responsabilizar por suas atitudes, não sendo viável o seu convívio na sociedade, até que haja um tratamento adequado para o seu restabelecimento.

Por quê não poder comparar essa carga de energia que muitas vezes é descarregada dentro do corpo, como sendo também um dos fatores do desenvolvimento de um câncer, ou de doenças auto-imunes?

 2.7 Resultados de pesquisas com mulheres com câncer

Várias pesquisas têm sido realizadas para demonstrar os efeitos nocivos da ansiedade, do estresse e de várias outras síndromes de origem psicológica no sistema imunológico.

Segundo Gel E. et al. (2001, p.484):

O estresse psicológico poderia causar um impacto negativo no sistema imune, levando a susceptibilidade individual a neoplasias. Os efeitos do estresse psicológico gerados pelas desvantagens socioeconômicas e pelas experiências relacionadas ao racismo poderiam explicar, em parte, a maior incidência de desenvolvimento de câncer de próstata e de morte por esta neoplasia em homens afro-americanos comparados com homens europeus-americanos.

Um estudo realizado sobre o estresse psicológico e enfrentamento, compreendendo trinta mulheres com e sem câncer, foi desenvolvido considerando o alto índice de mortes de mulheres por cânceres de mamas, úteros, ovários. (NEME e LIPP, 2010). A pesquisa foi realizada na cidade de Bauru, estado de São Paulo e avaliou a ocorrência de estresse em suas histórias de vida antes da manifestação da doença e a influência do estresse no diagnóstico de câncer.

A faixa etária dessas mulheres estava entre 30 e 60 anos. Os dados foram coletados no Centro Regional de Oncologia do Hospital Manoel de Abreu. As participantes foram escolhidas por meio do levantamento de dados clínicos junto aos prontuários, e as mesmas foram convocadas para entrevistas individuais semi-estruturadas para averiguação da história de eventos de estresse e de enfrentamento nas áreas “familiares”, social, trabalho e saúde. No cômputo geral das respostas, os autores constataram que as mulheres com câncer revelaram maior vulnerabilidade aos eventos de estresses ocorridos em sua história de vida, no período de 10 anos, antes da doença ser diagnosticada quando comparadas aquelas mulheres que não apresentaram esse mesmo diagnóstico.

Analisando a história de vida das mulheres envolvidas na pesquisa,  observou-se que as mulheres pesquisadas com câncer quando comparadas as outras, apresentaram maiores dificuldades em relação ao ambiente sócio-econômico, como menor qualidade de vida em todos os aspectos, demonstrando ainda uma constituição do aparelho psíquico em condição menos favorecida de lidar com as dificuldades da vida, descarregando suas pulsões no próprio corpo.

De acordo com Neme, C.M.B. & Lipp, M. E. N. (2010, p.481):

Os resultados obtidos permitem indicar a existência de relações de influências entre os modos pessoais de avaliar, enfrentar e superar situações de estresse e o adoecimento na população estudada. Sugerem que padrões mais positivos, otimistas, flexíveis e diretos de lidar com as situações e sentimentos envolvidos em situações estressantes da vida favoreceram adaptações mais saudáveis e a redução do impacto do estresse no equilíbrio psicofisiológico.

Outro trabalho realizado com mulheres que adoeceram por câncer, da psicóloga Jacqueline F. Quintana, demonstra o papel do vínculo afetivo entre mães e filhas na infância e sua relação com o câncer. As mulheres que adoeceram por câncer confirmaram durante a pesquisa que as mesmas possuiam sentimentos de abandono, onde suas mães não supriram carências necessárias na infância, ocasionando vazios internos na personalidade. (QUINTANA, 2007)

Desta pesquisa, participaram cinco mulheres, entre cinquenta e sessenta anos de idade, com diagnóstico de câncer, entre 9 meses a 6 anos do surgimento da doença, independente do estado civil e condição sócio-econômica. Os sujeitos participavam de um grupo de auto-ajuda para pessoas com câncer, na cidade de Bagé, Rio Grande do Sul. […] A coleta de dados foi obtida por meio de entrevistas na forma semi-estruturada dirigida individualmente para cada sujeito. As conclusões dessa pesquisa foram as seguintes:

Conclui através dos resultados obtidos com relação ao vínculo à figura materna, que as mulheres com câncer apresentam personalidade cuja formação se deu através de vínculos afetivos excessivamente dependentes com suas mães, também com sentimento de raiva e solidão pelo abandono ocasionado por este vínculo afetivo permeado de ausências, rejeição e dependência. O trabalho permitiu entender os motivos pelos quais, aspectos psicossomáticos tomam conta da vida das mulheres com câncer. Conclui-se que sentimentos de raiva, dificuldades para individualizar-se e incapacidade para integrar sentimentos bons e maus projetados na mesma pessoa ocasionam vazios internos e angústia, dirigidos ao corpo. […] O estudo permitiu identificar nas mulheres pesquisadas, dificuldades estruturais nas personalidades, prejudicadas pelos vínculos com figuras de apego. As mulheres com câncer, que colaboraram com o estudo, usam o corpo através da doença como expressão de sentimentos hostis provocados pela rejeição sofrida, seja esta real ou imaginária. (QUINTANA, 2007, p.8)

Embora existam outras pesquisas semelhantes, esses dois estudos já demonstram a influência do aparelho psíquico em lidar com situações difíceis, encaminhando suas pulsões represadas para o corpo, gerando diversos sintomas e doenças como o câncer.

 

  1. MÉTODO

O método escolhido para a realização deste trabalho foi a pesquisa do tipo explicativa. Quanto aos procedimentos técnicos, optou-se pela pesquisa de natureza bibliográfica constituída principalmente de livros, artigos científicos e sites científicos e confiáveis da internet, que serviram como base para o esclarecimento do tema escolhido. Apesar de não ter sido consultada toda a bibliografia já escrita, foram efetuadas diversas pesquisas que permitiram o aprofundamento do tema.

 

  1. DISCUSSÃO

Existem vários autores que abordam sobre os estados psicológicos de pacientes portadores de câncer, demonstrando como os estados emocionais/psicológicos interferem no tratamento, na expectativa de vida ou sobrevida, bem como o envolvimento e os reflexos emocionais em seus familiares. (MOLINA, 2005)

Observa-se também que inúmeros pesquisadores concordam com a influência dos processos psicológicos no desenvolvimento de doenças auto-imunes e também do câncer. Porém, nota-se uma dificuldade imensa em se comprovar cientificamente as pesquisas realizadas sobre esse assunto.

Uma das atenções da psicologia é relacionada ao sofrimento do ser humano, como ele reage perante os desafios da vida e qual a sua estrutura psíquica para enfrentar tais desafios. Assim, esse trabalho analisa a diferença que há entre o “olhar da medicina”, em que uma das preocupações consiste em apresentar resultados que possam ser comprovados cientificamente, enquanto o “olhar psicológico” consiste mais em escutá-lo, respeitando a sua singularidade, o seu modo de interpretar os fenômenos, mesmo que sejam subjetivos e cuja realidade do paciente seja totalmente fora da realidade do profissional que o escuta. (FONSECA, 2007)

O ser humano ao nascer apresenta um corpo, onde todos os órgãos que o compõe estão envolvidos em seu crescimento e desenvolvimento, como uma máquina, onde todo o mecanismo de funcionamento de cada um desses órgãos deve estar em perfeitas condições para interagir uns com os outros organizadamente, ou seja, cada um cumprindo suas funções específicas, gerando com isso um crescimento saudável. Cabe assim à medicina e todas as áreas biológicas, nas suas mais diversas especialidades, a responsabilidade de estudar todos esses mecanismos, colaborando para que tudo se mantenha da melhor forma possível para garantir esse crescimento equilibrado. Como ferramenta de trabalho, há toda uma tecnologia envolvida nesse processo, o que facilita a comprovação de muitos estudos apresentados nessas áreas.

Desde a época de Descartes, ficou claro que o ser humano é formado por um corpo e uma mente que pensa. Todo o mecanismo do cérebro, fisiologicamente falando, deverá estar em condições para que haja as conexões necessárias em responder aquilo que é da vontade do sujeito.

E o ser humano é formado por vários mecanismos complexos, referente as questões da formação de sua personalidade, que atuam desde o seu comportamento até a formação de um sujeito único. Além dos fatores internos inerentes ao sujeito, os fatores externos, ambientais, também estão envolvidos em sua formação. (REF)

O ser humano é considerado um ser biopsicossocial, onde a biologia será responsável pelo desenvolvimento fisiológico, a psicologia e a psiquiatria responderão pela organização e desenvolvimento da psique – seu aparelho psíquico responderá por seus atos enquanto um ser pensante – e o social, responsável pelos fatores externos ambientais como adaptação e qualidade de vida.

A psicanálise sofre muitas críticas por não ser considerada uma ciência, sendo mesmo muitas vezes rotulada como “empírica”. Uma das críticas é pelo fato de não poder universalizar os resultados dos tratamentos ou poder mensurar com instrumentos da metodologia científica. Apesar das críticas que a psicanálise sofre desde o início, desde os métodos apresentados por Freud; ela ainda continua cumprindo seu papel em conhecer o inconsciente e não abre mão do estudo individualizado, por entender a importância da singularidade de cada indivíduo. (FERRARI, 2002)

Sendo a formação do aparelho psíquico, influenciado por múltiplas variáveis, onde cada sujeito administra de uma forma única e subjetiva dificilmente será possível universalizar os seus resultados.

De acordo com Quintana, (2007, p.2):

Quando o desenvolvimento do psiquismo não se cumpre plenamente, podemos ter a preponderância das características sensório-motoras, o que daria um aspecto operatório do psiquismo, a partir daí surgiu o conceito de pensamento operatório, que tem como características ser consciente e não ter ligações significativas com representações afetivas. O pensamento operatório nem sempre permite a exteriorização da agressividade e revela empobrecimento na organização do ego. O pensamento operatório limita a capacidade do indivíduo que permite a integração de tensões pulsionais, sabe-se que as tensões pulsionais quando não podem ser integradas e elaboradas, acabam por constituir na desorganização somática, contribuindo para o adoecimento físico.

É interessante notar a crescente sensibilização de pesquisadores das áreas biológicas com as questões emocionais/psicológicas e suas relações com o desenvolvimento de doenças.

Quando o ser humano, por meio de sua análise, com seu analista,  consegue elaborar suas questões desde o nascimento, preenchendo lacunas em seu aparelho psíquico e assim consegue encaminhar suas pulsões não para o corpo, mas, para outros objetos que possam lhe trazer uma descarga tensional, acredita-se que a probabilidade desse corpo adoecer por problemas de ordem psicológica é bem menor.

A psicanálise oferece essa ferramenta, proporcionando um espaço onde o indivíduo será ouvido pelo analista e por ele próprio, permitindo que o mesmo possa elaborar suas questões internalizadas e as suas pulsões que se encontram armazenadas no seu inconsciente. E, dessa maneira, por meio da fala e do tempo de análise, o indivíduo pode vislumbrar a possibilidade de ficar livre ou mesmo amenizar situações de doenças indesejáveis como, por exemplo, o câncer.

CONCLUSÃO

O presente estudo apresentou subsídios mostrando que muitos estudiosos estão com um olhar mais detalhado sobre o “ser” humano e interessados em avançar tanto nas possíveis descobertas de cura física como psicológica, visando diminuir o sofrimento do sujeito.

Mostrou também a dificuldade da comprovação científica quando se trata de estudos psicológicos demonstrando a relação sobre como o estado psicológico do indivíduo influencia o aparecimento de doenças, como por exemplo, o câncer; devido a dificuldade na utilização ou existência de ferramentas adequadas.

Assim, há necessidade de mais estudos com o intuito de entender melhor a complexidade do ser humano, a formação de seu aparelho psíquico e sua interação com o ambiente, proporcionando ao mesmo um autoconhecimento, para que ele possa externar de forma saudável as pulsões internalizadas, tratando seus sintomas, sem que as mesmas sejam direcionadas para o corpo e se manifestem em forma de doenças como o câncer.


 

REFERÊNCIAS

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FERRARI, I.F. A psicanálise no mundo da ciência – Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v.8, n.11, p. 82-91, jun. 2002.

 

FONSECA, M.C.B.  Do Trauma ao fenômeno psicossomático (FPS) – Lidar com o sem-sentido? Revista Ágora v. X n.2 jul/dez – p. 229-244 – Rio de Janeiro, 2007.

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MOLINA MAS. Enfrentando o Câncer em Família [dissertação de mestrado]. Maringá: Universidade Estadual de Maringá; 2005.

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Sites consultados:

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http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/11/ministerio-estima-577-mil-novos-casos-de-cancer-no-brasil-em-2014.html

http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/19732/cancer-x-aspectos-psicologicos

 

Enfim gente, resolvi postar esse trabalho para chamar a atenção quanto aos fatores emocionais que estão cada vez mais sendo evidentes, no desenvolvimento de várias doenças, inclusive o câncer.

 

Era isso por hoje.

Obrigada pela visita. Você é sempre bem vindo(a) por aqui.

Um abraço.

 

 

 

 

 

Referências:

http://www.inca.gov.br/wcm/outubro-rosa/2015/movimento-outubro-rosa.asp

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/mama/cancer_mama